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  • 14/5 2015

    Trabalho X tempo com os filhos

    Por Alessandra | Sem Comentários

    desenho-dia-das-maes-2015

    Estávamos todas sentadas no chão, com as crianças ao nosso redor, radiantes pela oportunidade de desfrutar de um tempo ao lado delas dentro da escola. A professora lia em voz alta a entrevista que cada criança havia respondido sobre sua mãe. Perguntas como idade, profissão, comida preferida e o que ela mais gosta de fazer. Ao lado das respostas estava o desenho que todos fizeram de suas mães.

    A maior parte das respostas era bem engraçada e após lidas todos caiam na gargalhada. Algumas crianças disseram que suas mães tinham 10 ou 17 anos. Uma delas respondeu que a mãe gostava de comer marmita e outra que a mãe trabalhava dando dinheiro para todo mundo. Mas havia uma resposta que estava sendo repetida por muitos deles quando a pergunta era “o que sua mãe mais gosta de fazer?”. A maioria das crianças respondia que era trabalhar.

    Ao ouvir tantas respostas iguais meu coração começou a ficar angustiado. Eu, que há tanto estava preocupada com o fato de passar muito tempo em frente ao computador, trabalhando e correndo com a dissertação do mestrado, já me sentia bastante culpada por não conseguir passar mais tempo brincando com a Gabi.

    Tento me multiplicar, dividir, pirar… Mas a verdade é que não damos conta de tudo. E por vezes me pego tendo uma terrível sensação de não conseguir ser suficiente. Sinto que estou deixando Gabi muito de lado e não dando atenção para a Helena em meu ventre.
    Minha apreensão aumentava a cada entrevista que a professora lia. E comecei a pensar em como poderia conversar com a Bibi mais uma vez explicando porque estava trabalhando tanto. Pediria desculpas, daria um abraço longo e prometeria melhorar. Quem sabe, mais idas ao parque, novas invenções culinárias para fazermos ou mais um de nossos deliciosos trabalhinhos que pintura que há tanto tempo têm sido deixados de lado.

    Chegou a nossa vez. O desenho da Gabi era o último. Ela me desenhou tão lindamente. Com brincos, sapatos e um belo vestido. Mas a coisa mais linda mesmo era o meu ventre: em formato de coração e com a Helena lá dentro. Ela sempre se lembra da irmã e está todo o tempo a lembrar a todos sobre ela também.

    A professora leu: Minha mãe tem 23 anos, trabalha na faculdade e no computador de casa, gosta de comer salada, tem medo de morcego e o que ela mais gosta de fazer é BRINCAR COMIGO!

    O meu coração se encheu de alegria e paz. Apesar de toda a correria Gabi sabia que minha prioridade é ela e que meu maior prazer é estar ao seu lado. Não pude conter as lágrimas.

    Eu estava muito grata. Foi uma manhã maravilhosa. Juntas cantamos, comemos bolo de cenoura preparado por eles e brincamos no parque. Fiquei tão animada que até me arrisquei no escorregador com meu barrigão de grávida. A gente se cobra demais, mas a verdade é que não precisamos de muito para ser felizes!

    18/7 2014

    Relato de parto – Alessandra – parte 3

    Por Alessandra | Sem Comentários

    Relato de parto – nascimento da Gabriela
    Mãe Alessandra – Pai Rodrigo
    Parto Natural Hospitalar

    PARTE 3 – O PARTO

    Depois de semanas de pródromos, com contrações diárias e 4 centímetros de dilatação, às vésperas de completarmos 42 semanas, voltamos na Dra Andrea. Ela nos tranquilizou e nos deixou muito à vontade. Poderíamos esperar mais alguns dias (os sinais vitais da Gabi estavam perfeitos, líquido amniótico ótimo, placenta nota 10) ou então irmos para a maternidade e começar a tomar uma quantidade mínima de ocitocina para o trabalho de parto engrenar. Eu queria esperar, mas foi então que o Rodrigo desabafou. Ele queria continuar a me acompanhar nas minhas escolhas, mas estava angustiado e disse que não aguentava mais esperar. Ele sempre ouviu que foi salvo pelo médico em uma cesariana porque ele não nascia nunca e creio que isso, de alguma forma, continuava a assustá-lo. Então fizemos um acordo, se eu não entrasse em TP até sexta-feira iríamos para a maternidade. Era quarta-feira e achei razoável.

    Sexta-feira, 28 de agosto de 2009. O TP ativo não havia começado. O dia amanheceu ensolarado e feliz. Eu sabia que em poucas horas iria conhecer o rosto daquela que iria mudar a minha vida, revolucionar minha história. A Camila, nossa doula, veio nos encontrar em casa e juntos fomos para a maternidade.

    Não, eu não estava em trabalho de parto ativo, mas as contrações eram fortes (como há muitos dias) e os funcionários já ficaram de olho em mim. Enquanto o Rô abria a ficha, eu e a Camila fomos para a sala de triagem. Eu tinha uma cartinha da Dra Andrea e a enfermeira logo a reconheceu pelo nome: “É aquela médica que faz parto natural, sem anestesia, né?” O exame de toque confirmou 6 centímetros de dilatação. Comemorei com a Camila, já havia passado da metade do caminho!!!

    Entrei naquela sala de parto natural e me senti abençoada. Eu havia sonhado em parir ali, e lá estava eu no meu grande dia. A Dra Andrea logo chegou e veio me ver. Ela estava tão tranquila e em paz – como sempre é – que fiquei ainda mais serena.

    Caminhei pelo quarto para ajudar as contrações a engrenarem, queria fazer de tudo para não ter que tomar nem um pouco de ocitocina. O Rô fotografava e filmava tudo. A médica iniciou a administração do hormônio ocitocina e garantiu que era a dose mínima e que, assim que as contrações se tornassem ritmadas, fecharia o acesso.

    Ela me orientou a comer o almoço que a maternidade havia providenciado para ter energia durante o TP. Olhei para a porta e vi minha irmã, Adriana, entrar. Fiquei feliz, queria muito tê-la ao meu lado naquele momento. Nessa hora também estava no quarto a obstetriz que nos auxiliaria no parto, uma querida, diga-se de passagem.

    Enquanto minha doula saiu para comer alguma coisa, fui examinada pela Andrea. Ela me deu a opção de estourar a bolsa para vermos como estava o líquido já que eu estava com 42 semanas. Eu ainda não sentia contrações muito dolorosas e aceitei. Mas fiquei preocupada com a cara que ela e a auxiliar fizeram. Praticamente não havia líquido. Fui tranquilizada novamente quando me disseram que a bolsa poderia ter estourado no banho, sem eu perceber, ou o líquido poderia ter começado a sair aos poucos nos últimos dias. Mas o que saiu de líquido era claro e limpo. Estava tudo muito bem.

    A partir daí comecei a sentir contrações ritmadas e agora mais doloridas. Minha doula voltou e me aconselhou a ir para a bola debaixo do chuveiro. Fiquei lá rebolando sobre a bola, com uma toquinha ridícula no cabelo para não molhar demais e eu não sentir frio. A água quente nas minhas costas ajudou muito a lidar a com a dor.

    Mas em algum momento a dor se intensificou e falei para a Camila que estava ficando difícil suportar. Ligaram, então, a água da banheira para eu entrar. Lembro de, ao atravessar o banheiro, ver a minha médica escrevendo bastante calma no computador dela, o Rodrigo super relaxado teclando no dele e eu ali sentindo aquelas fortes contrações, foi bem estranho. Parecia que eles estavam em um mundo paralelo.

    Deitei na banheira quentinha e encontrei o meu lugar. Lá recebia massagem da doula e podia olhar tudo a minha volta. Minha irmã estava lá, conversando comigo entre as contrações. Elas, aliás, estavam cada vez mais fortes e com intervalos menores. Eu não controlava esses tempos, mas sabia que o trabalho de parto estava avançando. Fiquei de joelhos e rebolei durante as contrações. Nos intervalos voltava a deitar e relaxar. Meu marido tentou fazer massagem nos meus ombros, mas aquilo mais incomodava do que ajudava. Coitado, só queria ser útil. Eu não o deixava fazer massagem, mas também não o deixava sair de perto de mim.

    DSC03172

    Mudei de lado na banheira, a essa altura as contrações estavam fortíssimas. Lembro de um exame de toque e 7 centímetros de dilatação. Não gostei de ouvir aquilo, tinha avançado apenas 1 cm desde minha chegada à maternidade. A dor que senti durante o toque também foi horrível. Aninhei-me de tal forma que não queria sair daquela posição para nada. Éramos eu, Gabi e o ninho.

    Apenas balançava meu quadril para um lado e para o outro durante as contrações. Segurava a mão da Camila e não a deixava sair de lá para nada. Ela me passava uma segurança muito grande, segurar em sua mão era como se eu tivesse uma força extra para passar por tudo aquilo. Ela falava baixinho coisas que me ajudavam a lembrar porque eu estava ali e o que eu deveria fazer. Inspiração para mais tarde eu desejar ser doula e também auxiliar outras mulheres com amor.

    Nossos CDs de músicas que preparei para o parto tocaram durante todo o TP e também me ajudavam a tentar relaxar. Senti enjoo e me arrependi de ter almoçado. Era como se toda aquela comida estivesse me atrapalhando. Continuei ali, deitada, rebolando e apertando a mão da minha doula.

    Já era de tarde, não tenho ideia da hora, mas as contrações se tornaram insuportáveis. Para mim não havia intervalo entre elas. Disse isso para a Andrea e ela falou que era impressão minha. Fiquei brava, como é que eu poderia não saber do que estava falando. Eu estava sentindo, eu sabia o que estava falando. Falei para a Camila que queria descansar entre as contrações e não conseguia porque era uma atrás da outra, estava me sentindo fraca. Uma contração acabava, eu achava que ia relaxar e já vinha outra. Eu fazia biquinho e dizia que não queria sentir assim, tão rápido outra. Brincavam comigo, falavam do meu biquinho, eu não entendia a graça. Pedi para a médica fechar a ocitocina e ela disse que já havia feito isso quando o TP começou a engrenar.

    Ofereceram-me chocolate e suco de uva que eu havia reservado para o parto. Eu estava enjoada e não queria nada daquilo. Não precisava de energia, precisava de fé. Fé para acreditar que conseguiria passar por tudo aquilo porque, naquele momento, parecia que eu não teria força suficiente. Tomei água de canudinho, pois não conseguia levantar meu pescoço da banheira. Estava encaixada lá e não conseguia me mexer. Assim como Gabi estava encaixada para nascer, também fiquei encaixada para o meu renascimento.

    O Rô tentou fazer massagem nos meus pés. Mas eu não quis, tinha uma aflição, sei lá, não queria que ele me tocasse naquele momento. Tive dó dele, mas não conseguia falar direito, só pedia desculpas. Ele ficou lá na beirada da banheira me olhando, eu podia sentir o seu amor e isso me dava tanta força. Minha irmã também estava por lá e isso foi tão important para mim. Quando me perguntavam algo durante a contração eu ignorava, não tinha condições sequer de entender a pergunta.

    Aquela sensação ficou intensa demais, contração atrás de contração. Lembrei-me de abrir a boca durante elas e fazia um “aaaaaaaa” bem alto. Fiquei com medo de me escutarem nos corredores. Depois desencanei e verbalizei a dor sem pudores. Era o meu parto. Era um “aaaaaa” com certa sinfonia. Achei engraçado. Como assim engraçado? Devia estar pirando. Como poderia achar graça no meio daquela dor?

    doula-parto-alessandra

    A Camila me perguntou minha data de nascimento. “O que???? Como assim? Pergunta para o Rodrigo”, eu disse. Ela falou que só queria ter certeza de que eu estava na partolândia. Achei graça disso também e percebi que estava na fase de transição, precisava dilatar os últimos centímetros. Comemorei a partolândia. Fiquei feliz por entender o que estava acontecendo comigo. Naquele mar de sentimentos intensos pude me localizar. Mas aí percebi que as contrações não estavam mais tão próximas uma da outra, apesar da dor ainda forte. Doía demais minha lombar e tinha certeza de que minha pelve ia rachar ao meio. Aquilo, sim, era insuportável. Eu e o Rô começamos a orar em línguas. Orávamos alto. Talvez algumas pessoas não entendessem aquilo, mas estávamos chamando a presença do nosso Deus. Ele orou comigo e me ungiu com óleo santo. Foi o nosso momento, o nosso sagrado.

    Em um momento de loucura, chamei o Rodrigo e pedi para que ele ignorasse o plano de parto (no plano de parto eu havia escrito que sabia que em algum momento poderia pedir anestesia, mas que não queria que me dessem) e chamasse o anestesista. Ele e a Camila me falaram dos riscos de tomar anestesia, sobre as chances do TP parar, de não ser legal para a Gabi. Mas eu estava enlouquecida e pedi para ele chamar e pronto, ele saiu para falar com a Dra. Andrea. Naquele momento me lembrei dos relatos de parto, quando as mulheres escreviam que pensavam: “Que ideia louca foi a minha de ter um parto natural, pára tudo agora”. Por um instante esqueci meu sonho, desejei a anestesia, ou até mesmo a cesárea. A Dra. Andrea veio me dizer que já havia chamado o anestesista da sua equipe. Perguntei desesperada quando tempo ele levaria para chegar. Ela respondeu que seria 1 hora. Sai do prumo, disse que não aguentaria, precisavam chamar o anestesista do próprio hospital. Gritei que não daria tempo de esperar pelo outro. Ela sorriu (seu sorriso sempre tranquilizador) e perguntou: “Não vai dar tempo de quê, de ter o bebê? Mas isso não é um problema. Estamos aqui para isso.”

    Do que eu tinha medo? De morrer de dor? Recobrei a consciência e lembrei que não queria ser anestesiada. Chamei o Rodrigo e perguntei: “Se caso o anestesista chegar e eu não quiser tomar mais anestesia, posso me recusar, né?” Não, eu não queria a anestesia, mas tinha medo não sei de quê… do desconhecido, com certeza. Naquela loucura de pensamentos cheguei a calcular o quanto a mais iria me custar um anestesista. Sim, louca de pedra. Mas eles haviam seguido meu plano de parto e não chamaram ninguém.

    Comecei a sentir vontade de fazer força. Perguntei se poderia. A obstetra disse que sim, que deveria fazer o que meu corpo pedisse. Mais um exame de toque e 9 centímetros, como assim? Cadê os 10 que preciso? – pensei.

    Durante as contrações eu fazia força e isso me data um alívio muito grande. Cheguei a fazer umas bolinhas de cocô na água. Sim, mulheres podem fazer cocô durante o parto. Sem nojinhos, amore. Fiquei com vergonha, mas falaram que era normal. Minha irmã ia com uma peneira recolhendo tudo. Senti uma sensação muito boa por seguir meus instintos, por saber a hora de fazer força, por sentir meu corpo trabalhando. Falaram que eu precisava sair um pouco da banheira para trocar a água, que já estava fria. Eu não quis me mexer. Então a água foi sendo trocada aos poucos, comigo lá dentro mesmo.

    Mais um exame de toque, 10 centímetros, foi doloroso, mas foi ótimo saber que já havia dilatação total. Senti a cabeça da Gabriela começar a passar pela pelve, foi um incômodo estranho e na minha mente veio um questionamento sem sentido: “E se ela não conseguir descer? E se ficar presa na minha pelve? E se ela arrebentar minha bacia?” Tive medo. Era um medo do desconhecido de não saber o que estava por vir. Mas eu precisava fazer força, era mais forte do que eu, meu corpo me dizia aquilo. Continuei a empurrar. Último exame de toque. A obstetriz me disse: “Ela está aqui e é cabeluda! Você não quer se tocar para senti-la?”

    Coloquei o dedo dentro da vagina e senti a cabecinha dela, macia e com cabelos. Meu Deus, o que foi aquele sentimento? Comecei a chorar de emoção, eu ria de alegria. Que felicidade era poder tocar na minha princesa. Minha filha. Minha promessa.

    Aquele contato com ela me deu um poder que eu não consigo explicar, mas consegui mandar todos os medos embora. Eu sabia que nós conseguiríamos passar por isso juntas e todas as minhas forças foram restauradas.

    As contrações eram bastante espaçadas, mas quando vinham, eu fazia força. Lembro que nos intervalos era uma grande calmaria. Todos ao redor da banheira, a música tocando ao fundo, louvores ao meu Deus. A hora estava chegando. Em algum momento disseram que iriam chamar o pediatra. A luz estava baixa, o clima era ótimo. Agora eu me sentia segura e tranquila.

    Mais algumas forças e a cabecinha dela começou a aparecer. A Andrea me lembrou que ela iria dar dois passinhos para frente e um para trás, até sair totalmente. Pude vê-la através do espelho que colocaram na minha frente e mais uma vez toquei sua cabeça. Quanto amor pude sentir! Não sei quantas forças foram necessárias, quanto tempo durou o expulsivo, mais lembro de sua cabeça sair e, uma força depois, seu corpinho. Imediatamente a dor cessou. Ela veio para o meu colo. Eu disse que ela era muito bem vinda. Que era amada.

    O Rô estava ao nosso lado. Orou e cortou o cordão umbilical. A pediatra humanizada olhava e aguardava o nosso tempo. Sem intervenções. Mas Gabi precisou ser examinada e recebeu um pouquinho de oxigênio. O Rô a acompanhou em todo o tempo e logo a trouxe para mim.

    Antes ainda a médica me examinou e esperou a placenta que logo saiu. Não tive laceração que precisasse de pontos.

    Lá mesmo, ainda na sala de parto, eu a olhei e ela olhou para mim… e senti uma das sensações mais estranhas de toda a minha vida. Era como se eu conhecesse aquele olhar, inexplicável… e nós duas nos apaixonamos. Tentei amamentá-la, mas ela apenas cheirava e lambia meus seios. Gabi nasceu às 17h30. Foram cerca de 5 horas de TP ativo.

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    Eu não me sentia cansada, sentia uma força absurda, uma energia sem fim. Eu queria rir, queria olhá-la, queria amar… Era muito amor em mim… Sentia que eu podia fazer qualquer coisa na vida! Sentia-me viva. Renasci naquele parto. Eu pari por mim, por minhas avós, por minha mãe, por minha sogra, por minha irmã… e como eu queria dizer para todas as mulheres que elas também eram capazes e não deveriam ser roubadas desse privilégio. Começou aí um novo tempo em minha vida…

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    18/7 2014

    Relato de parto – Alessandra – parte 2

    Por Alessandra | Sem Comentários

    Relato de parto – nascimento da Gabriela
    Mãe Alessandra – Pai Rodrigo
    Parto Natural Hospitalar

    PARTE 2 – LONGOS PRÓDROMOS

    Comecei a ter contrações bem cedo. Acho que na 36º semana elas já vinham fortes de vez em quando. Tinha vezes em que eu agachava no trabalho para dar uma aliviada. O povo brincava e tinha medo do bebê nascer por ali mesmo. Eu me alegrava por saber que era apenas meu corpo dando sinais e se preparando. Agradecia a Deus por cada uma delas. Elas seriam o caminho para minha filha nascer, e como eu já havia sonhado com tudo isso!

    As contrações também vinham pela noite. Algumas chegavam a me acordar de madrugada. Mas nada de mais. Conversava com minha princesa e dizia o quanto eu estava feliz porque logo ela estaria em meus braços .

    Com 39 semanas fui para a cama com várias fisgadas e choques no períneo. O Rô ficou empolgado e deu um beijo de boa noite em Bibi dizendo: “Filha, pode chegar, estamos te esperando”. Resolvi então tentar uma das posições que aprendi. Ajoelhei ao lado da cama, me apoiando nela e rebolei um pouquinho. A dor foi passando e enfim consegui deitar novamente. Mas fiquei acordada para ver se vinha outra. Pensei: “Será que chegou a hora? Se tiver outra em um intervalo pequeno vou acordar o Rô.” Mas não teve e cai no sono novamente.

    Já com quase 40 semanas cheguei a acordar umas 10 vezes com contrações em uma noite. Elas não tinham um ritmo certo, mas não me deixaram dormir direito. Pela manhã tive consulta com a Andrea. Ela disse que Bibi estava encaixada e minha barriga bastante baixa. Fez exame de toque, sentiu um dedo de dilatação e o colo do útero bem molinho. Ela também confirmou que os pedacinhos brancos que estavam saindo de mim eram o meu tampão. E me avisou que ele poderia começar a sair com um pouco de sangue. Andrea também me orientou a dormir e descansar durante o dia: “Você não tem dormido durante a noite e precisará de energia para passar pelo TP.” Mas estava tão empolgada com essas boas notícias que saía pela casa dançando: “Bibi vai chegar! Bibi vai chegar!”

    No dia 16/08/09, completamos 40 semanas de gestação. Eu estava supertranquila, mas bastante cansada de ouvir perguntarem quando ela iria nascer. A resposta era certa: “Quando ela estiver pronta.” Mas confesso que, algumas vezes isso me irritava. Ouvi todos os absurdos possíveis. Homens falando de com o a mulher poderia ficar mutilada por conta do parto vaginal – a velha falácia machista de acabar com o “parque de diversões do marido”. Mulheres que se defendiam (como se eu estivesse insultando alguém por buscar um parto natural) com os argumentos para suas cesáreas e possíveis complicações do PN que tinham ouvido a prima do marido da vizinha da vó da cunhada falar . Outros que falavam sobre o quanto “aparecida” eu queria ser por escolher algo tão diferente (como assim? Não foi Deus que nos fez para parir naturalmente? Diferente eu?). Alguns duvidavam do meu bom senso e questionavam a todo momento sobre a saúde da minha princesa. E também tinha aqueles que adoram contar a história da desgraça de alguém… coisas que toda grávida deveria ser poupada de ouvir, né?

    Neste mesmo período, a Dra Andréa me deu um tempo de licença. Apesar de nossa saúde estar ótima (tirando uma dor bem chata no ciático), pelas ultrassonografias, Gabi estava um pouco menor do que o normal para a idade gestacional. Ela nos tranquilizou, poderia ser um erro do ultrassom, poderia ser um erro de DPP ou até mesmo, simplesmente, o fato da Gabriela ser menorzinha (o que se confirmou com seu nascimento e desenvolvimento posterior, até porque eu e o Rô não somos grandes). Mas ter um tempo de descanso seria muito bom.

    O Rô tinha duas semanas de folga pendentes e iria tirá-las quando a Gabriela nascesse. Mas ele já estava no clima do parto e decidiu sair antes para ficar comigo nesses momentos que antecederam a chegada da Gabi.

    Na nossa consulta da 40ª semana as notícias eram animadoras: colo do útero molinho, Gabi encaixadíssima e 4 centímetros de dilatação! Uhuuuuuu! Comemorei muito: se o bebê nasce com 10 centímetros de dilatação já estávamos quase na metade do caminho, que delícia aquela sensação! Como tudo estava progredindo, a Dra Andrea aproveitou para fazer uma massagem no colo do útero com óleo de prímula para ajudar no processo. Trata-se de um descolamento de membranas que foi feito com meu consentimento. E isso doeu um bocado. O Rô segurou a minha mão e eu suava frio… E o mais legal: eu estava sorrindo! Eu já havia ouvido falar nisso, e a Dra Andrea reforçou: “A boca tem uma ligação com o canal de parto. Durante a dor não deixe os lábios travados. Sorria ou abra a boca.” Resolvi sorrir… comédia pura!

    A expectativa era que Gabriela nascesse até o final daquela semana. Eu sentia o meu corpo bastante diferente naqueles dias e me lembrava de cada relato de parto natural que havia lido nos últimos meses. Mexia demais comigo pensar que estava passando pelos mesmos passos que todas aquelas mulheres haviam passado. Sempre chorei ao ler estes relatos, agora, chorava de emoção ao pensar no meu parto. Sentia Deus no controle cuidando de cada detalhe, preparando todas as coisas. Não tinha medo nenhum, não me sentia nervosa. Tinho a paz que excede todo o entendimento preenchendo o meu coração (Filipenses 4:7).

    Completamos 41 semanas e, na consulta com a Dra Andrea, repetimos a massagem no colo do útero. Ela me orientou a procurar uma acupunturista, pois ela poderia me ajudar a entrar em TP. Fiz 2 ou 3 sessões com ela e tomei um chá horrível demais que ela me receitou. Minha querida doula Camila também foi em casa, fez acupuntura e me deu dois florais para eu tomar.

    Por termos passado de 40 semanas, comecei a fazer ultrassonografias com mais frequência. Também cheguei a fazer umas duas cardiotocos. A cada novo exame passava por um grande estresse. Médicos questionando o fato de ainda não ter feito uma cesárea, perguntas sem sentido, olhares indiscretos. As enfermeiras da clínica se apavoravam ao saberem da minha idade gestacional. Durante um cardiotoco fui rude com uma delas, mas ela insistia no fato de que a Gabriela não mexia o suficiente e ameaçou buzinar em minha barriga. Discuti, disse que não queria. Ela refez o exame e voltou na sala dizendo que teria mesmo que buzinar a Gabriela. Eu bati o pé. E, no final, o Rô me pediu para que eu a deixasse fazer aquilo para que ele ficasse mais tranquilo. Ela buzinou, imediatamente lágrimas rolaram do meu rosto, minha bebê se mexeu, provavelmente foi acordada no susto e eu pedi perdão a ela por tê-la feito passar por isso.

    A essa altura as cobranças e pressões familiares se tornaram mais pesadas. Sou daquele terrível tipo de pessoa que tenta não machucar ninguém e agradar a todos e tentava responder com carinho. Mas algo em mim estava mudando, era um senso de proteção muito forte pela minha filha. Já não me importava tanto dizia que aqueles questionamentos não me faziam bem e que eu sabia exatamente o que estava fazendo. As brincadeirinhas sobre o parto já me irritavam e eu me protegia nos braços do Rodrigo.

    Às vésperas de completarmos 42 semanas voltamos na Dra Andrea. Ela nos tranquilizou e nos deixou muito à vontade. Poderíamos esperar mais alguns dias (os sinais vitais da Gabi estavam perfeitos, líquido amniótico ótimo, placenta nota 10) ou então irmos para a maternidade e começar a tomar uma quantidade mínima de ocitocina para o trabalho de parto engrenar. Eu queria esperar, mas foi então que o Rodrigo desabafou. Ele queria continuar a me acompanhar nas minhas escolhas, mas estava angustiado e disse que não aguentava mais esperar. Ele sempre ouviu que foi salvo pelo médico em uma cesariana porque ele não queria nascia nunca e creio que isso, de alguma forma, continuava a assustá-lo. Então fizemos um acordo, se eu não entrasse em TP até sexta-feira iríamos para a maternidade, era quarta-feira e achei razoável.

    Hoje vejo como esses medos de nossas próprias histórias de nascimento voltam, de alguma forma, quando vamos parir nossos filhos. O Rodrigo com a história da cesariana salvadora. Eu com tudo o que ouvi da minha mãe sobre não ter tido dilatação, não ter entrado em TP e isso ser comum em nossa família.

    Continua…

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    18/7 2014

    Relato de parto – Alessandra – parte 1

    Por Alessandra | Sem Comentários

    Depois de quase 5 anos, pari meu relato de parto. Demorou e ficou enorme, por isso, o publicarei em 3 partes. Espero que ajude a empoderar mulheres tal qual os relatos que li durante a gestação fizeram comigo.

    Relato de parto – nascimento da Gabriela
    Mãe Alessandra – Pai Rodrigo
    Parto Natural Hospitalar

    Meu parceiro na caminhada por um parto respeitoso

    Meu parceiro para a conquista de um parto respeitoso


    PARTE 1 – CAMINHANDO PARA O PARTO NATURAL

    Lá estava eu, dentro da sala de parto. As contrações já estavam fortes e, assim que cheguei na maternidade, fui imediatamente direcionada para ela. Olhava para os lados e procurava pelo Rodrigo. Não o encontrei, ele ainda estava na recepção fazendo minha internação. Olhei novamente ao redor e, dessa vez, procurei por minha médica. Ela também não havia chegado ainda. Comigo estavam apenas o médico da maternidade e dois enfermeiros, totalmente desconhecidos.
    Mas eu não poderia esperar mais. Meu corpo começou a agir sozinho. Senti uma força muito grande, eram os puxos que ele fazia a cada contração para meu bebê nascer. Eu só tinha que me deixar levar e fazer aquilo que meus hormônios me conduziam a fazer. Já estava no período expulsivo. Quando, de repente, acordei.

    Era apenas um sonho. Mas um sonho empoderador. As dores, as contrações, tudo foi muito real. Antes de engravidar havia lido um relato de parto natural e me apaixonado pela ideia. Mas o fato é que com o início da gravidez me empolguei com todo o mundo novo que eu estava vivendo e acabei deixando a questão do parto um pouco de lado. Até porque eu estava fazendo o pré-natal com a médica que eu gostava. Ela era muito querida e eu sentia que poderia confiar totalmente em suas decisões. Mas aquele sonho me despertou para uma questão: eu estava pronta para ter um parto normal. Contra todas as estatísticas e histórias de amigas que desejaram um parto normal e acabaram em cesárea, eu sabia que conseguiria parir minha filha. O sonho reacendeu a chama em meu coração por um parto normal, senti que era Deus falando comigo. Contei o sonho ao Rodrigo e ele se animou.

    Eu já deveria estar no 4º mês de gestação. E quis deixar bem claro para minha obstetra minha intenção. Eu queria muito um parto normal. Ela disse que também preferia assim e disse que, no momento, não havia nada que me impedisse de tê-lo. Contou sobre próprio seu parto. Normal e cheio de intervenções. E afirmou: “Te darei anestesia, afinal de contas, sou sua amiga.” Sai da consulta confiante. Nesta etapa eu já fazia diariamente exercícios para o períneo, pois havia lido sobre seus benefícios em um parto normal.

    Toda a vez que me perguntavam: “Você quer fazer cesárea ou parto normal?” Eu respondia cheia de entusiasmo: “Parto normal”. Mas, invariavelmente, aparecia alguém para dizer: “Mas tem que esperar para saber se vai dar. Não é assim não.” Sempre que ouvia isso, meu coração ficava muito angustiado e eu orava a Deus. “Senhor, o Senhor me fez perfeita, pronta para parir minha filha. Não permita que nenhuma situação me impeça de realizar este sonho.”

    Após uma das minhas aulas de natação, decidi tomar café da manhã no restaurante da empresa. Fui até o caixa e a funcionária, também grávida, estava ouvindo a editora de um portal da empresa contar sobre sua experiência com o parto natural. Fiquei ouvindo, ela percebeu meu interesse e me convidou para sentar-me com ela. Durante todo o café ela descreveu como havia sido o nascimento do seu filho. A cada palavra eu me emocionava mais. Lágrimas brotavam em meus olhos. Ao me perguntar se minha médica fazia parto natural, eu respondi que sim. Mas ao saber quem era minha obstetra, ela se colocou à disposição para dar o contato de sua médica, pois sabia que não se tratava de nenhum dos conhecidos médicos humanizados que prezam pelo parto natural. Também falou da lista materna e disse que eu deveria ler mais sobre o assunto.

    Aquela conversa me deixou completamente entusiasmada. Desejei, com todo o meu coração, ter um parto natural. Sem intervenções. Humanizado para mim, meu marido e minha bebê. Passei horas na internet lendo sobre o assunto. Os relatos de parto sempre me faziam chorar, eu também queria aquela avalanche de emoções na história da minha família. Fiz minha inscrição na lista Materna e perguntei para a Ana Cris se ela conhecia a minha atual obstetra. Ela foi clara: 80% de cesáreas.

    Conversei com o Rodrigo e mostrei minha insegurança. Disse que na próxima consulta falaria de qualquer jeito sobre o parto. A médica costumava me enrolar quando eu tocava no assunto dizendo que ainda era cedo. Mas agora, com 32 semanas de gestação, ela teria que mudar o discurso.

    Percebi que a obstetra não havia ficado feliz com a quantidade de perguntas que eu fazia sobre o parto: “Você andou lendo, né?” Perguntou ela. Logo vi que ela não queria que eu soubesse detalhes do parto. Para ela, aquilo era assunto apenas dela. Então insisti no assunto:
    Eu – “Doutora, você faz episiotomia de rotina?”
    Médica – “Mas é claro.”
    Eu – “E se eu não quiser?”
    Médica – “Você vai querer . As estatísticas provam que, se não for feita, sua chance de sofrer mais tarde de ´bexiga caída` será muito grande.”
    Eu – “E tricotomia?”
    Médica – “Sempre fazemos na maternidade.”
    Eu – “E faz uso rotineiro de ocitocina intravenosa?”
    Médica – “Com certeza, preciso te ajudar a ter contrações eficientes. Aliás espero, no máximo, 6 horas. Se não dilatar tudo, vamos para a sala de cirurgia.”
    Eu – “Mas nós vamos esperar eu entrar em trabalho de parto naturalmente?”
    Médico – “Não deixo passar de 40 semanas. Se não entrar em TP até lá, posso até tentar induzir.”
    Eu – “Posso andar durante o trabalho de parto?”
    Médica – “Pode ficar na bola, um pouco na banheira. Mas terá que ir para a cama para ficar na posição do parto.”
    Eu – “Bom, eu posso, pelo menos, optar por não tomar anestesia?”
    Médica – “Não, não vou deixá-la passar por isso sem uma.”
    Eu – “E a senhora faz aquela limpeza chata do intestino?”
    Médica – “Não, isso eu não faço não.”
    Eu – “Ufa, pelo menos isso né, doutora? Também estou pensando em levar um pediatra neonatal para ter os primeiros cuidados com o bebê.”
    Médica – “Melhor não. Melhor usar o da maternidade para não termos confusão de equipes.”

    Depois de todas essas respostas fiquei completamente confusa. Aquela médica querida já não correspondia às minhas expectativas para o parto. Creio que eu também não me encaixava mais no perfil de paciente que ela costumava atender. Eu fiz perguntas demais. Ela sentiu a tensão. Nosso relacionamento médico-paciente parecia ter sido abalado. Eu já não era mais tão paciente assim.

    Eu precisava ter ao meu lado uma médica que respeitasse minhas escolhas pelo parto natural. Eu conhecia todos os benefícios de um parto com o mínimo de intervenções possível. Decidi, então, ligar para médica da minha colega e agendar uma consulta, eu precisava entender porque ela era diferente.

    A sala de atendimento já era diferente por si só. Cama baixinha, banquinho do lado, nada de lugar para pendurar as pernas. A médica, bastante jovem, nos tratou com respeito e simpatia. Ok, isso a outra médica também fazia. Mas a Dra. Andréa, tinha mais do que isso, ela sabia ouvir e não tinha respostas prontas para tudo. Muito do que eu perguntava, cabia a mim decidir depois de todas as alternativas e explicações apresentadas. Fui invadida por uma paz deliciosa, a certeza de que estava no lugar certo e de que, apesar de já estar no terceiro trimestre, ainda dava tempo de conquistar um PN. Até a hora que ela me passou os valores da equipe médica. Confesso que fiquei assustada, mas era um assunto a discutir com o Rodrigo.

    Essa é uma grande questão no meio do parto humanizado. Mas não tem jeito. Se você ficar com seu médico do convênio ele vai te levar para uma cesárea por um motivo qualquer, já que o valor que ele receberá será pouco para te acompanhar tranquilamente durante todo o seu trabalho de parto. Algumas mulheres que realmente não têm condições de pagar procuram as Casas de Parto, outras contratam uma doula para aguentar o TP em casa e ir para a maternidade com médico plantonista já no expulsivo… Mas você também pode bater um papo com a equipe e verificar possibilidades de pagamento parcelado. Mas já vi muita mulher fazer enxoval em Miami e reclamar do valor do médico humanizado particular. É tudo questão de prioridade, dar uma economizada de um lado para consegui algo que lhe é mais precioso.

    Conversamos, ponderamos e fiquei feliz demais por optarmos por trocar de GO. Não, não tínhamos aquele dinheiro. Precisaríamos abrir mão de algumas coisas, economizar em outras, mas faríamos tudo para trazer nossa Gabi ao um mundo de forma respeitosa.

    Pensei em voltar na antiga e me despedir. Mas não sobrou tempo na minha agenda. Ela nunca me ligou para perguntar por que simplesmente sumi. Acho que ela já sabia que isso iria acontecer.

    Logo começaram os questionamentos familiares sobre a mudança de médico. Sobre os motivos, sobre a escolha do parto natural, sobre o porquê de se pagar por algo que você pode fazer pelo convênio. Mas eu estava tão certa do caminho escolhido e tão cheia de argumentos que respondia a tudo cordialmente. Até demais, hoje eu penso… rs

    E, então, comecei a minha busca por uma doula. Queria que ela fosse uma pessoa que me passasse tranquilidade e confiança já que era tudo novo para mim. E foi através da lista de discussão Materna que conheci a Camila. Ela é naturóloga, especializada em massagens. Nossa empatia foi instantânea!

    Continua…

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    09/5 2014

    Quando não voltei de licença-maternidade

    Por Alessandra | 2 Comentários

    Troquei a varanda gourmet pela varanda da vida

    Troquei a varanda gourmet pela varanda da vida

    Ouço seus passos caminhando pelo corredor e já me preparo para recebê-la. Ela aparece descabelada, olhos entreabertos, levemente cambaleante de sono e vem direto para o meu abraço. Eu a coloco no colo, meus braços a envolvem por completo e ela recosta sua cabeça sobre meu peito. No silêncio das palavras, ouço seu coração bater junto ao meu e mais uma vez agradeço a Deus por ter a oportunidade de viver esse lindo momento todos os dias ao lado da minha pequena.

    É assim que costumam começar os meus dias. Acordo cedo para trabalhar em meu home office enquanto Gabriela ainda dorme. Tomo café entre o teclado e o mouse, pois prefiro adiantar ao máximo o que tenho que fazer antes que ela acorde. Quando ela desperta, quero ter um tempo só para ela. Depois daquele abraço lá em cima, a gente canta, brinca, olha pela janela para ver como está o dia, e ela toma o seu café da manhã. Entre brincadeiras, arrumo as coisas da casa, faço comida e a preparo para ir para a escola. E é só pela tarde que tenho mais tempo para trabalhar de fato. Corre, escreve, entrevista, edita, lê, lê, lê, lê… Estou fazendo mestrado e essa parte do “ler” tem sido intensa. Lava roupa, corre, mercado, corre, jantar, corre, louça… No fim da tarde pego minha pequena na escola, a ajudo com a lição, brincamos, lemos, jantar, banho.

    Não há glamour, minhas unhas não estão feitas e por vezes me pego descabelada. Sim, no meio disso tudo, tem dias em que surto, outros em que as costas doem e aqueles em que eu nem acredito que tanto cansaço cabe em uma pessoa só. Não são apenas flores, arco-íris e diversão como pode parecer no começo do texto. É, por vezes, tenso, intenso, enlouquecedor. Mas é um caminho, o caminho que escolhi, o que não significa que seja o melhor para todas as mães.

    Quando eu estava grávida de Gabi eu trabalhava na empresa que eu havia sonhado e desejado trabalhar. Chegava cedo para ir na academia, tomar café da manhã com ovos mexidos e suco de laranja fresquinho. No horário do almoço conseguia ir à manicure e no final da tarde fazia uma transformadora massagem. Isso sem contar o bate-papo gostoso com os amigos no meio da tarde. E tudo isso dentro da empresa… Ah, eu achava que nunca ia querer sair dali.

    Quando Gabi nasceu me vi tão sugada pela maternidade que, no primeiro mês, comecei a desejar meu rápido retorno ao trabalho. Eu sentia necessidade de ter minha vida de volta, respirar sozinha e cuidar de mim. Eu precisava voltar a ser quem eu era, precisava retomar projetos, precisava… Então, eu precisava entender o puerpério, esse momento pós-parto é intenso demais. São tantos sentimentos aflorados e uma mudança tão radical em nossas vidas que parece ser mais seguro voltar para o ponto onde tudo ainda era mais controlável.

    Mas o primeiro mês se foi e eu consegui compreender que aquela mãe ainda era eu. Aos poucos me via transformada e pude sentir que aquele era o momento mais especial da minha vida. O fim da licençamaternidade se aproximava e me vi pesquisando escolinhas para Gabriela com lágrimas nos olhos. Já não me parecia atraente a ideia de retomar minha antiga vida adaptando Gabi a ela. Já não me parecia normal deixá-la tantas horas ao cuidado de outras pessoas para “garantir um futuro” que a mim me parecia sem presente se eu não estivesse ao seu lado. Esses sentimentos vieram como uma avalanche e trouxeram uma certeza em meu coração: eu não poderia retornar ao trabalho.

    Meu marido foi quem mais me ajudou a tomar essa decisão. Ele me entendia, ele sempre me entende. Mas não foi fácil, eu deixaria de lado um sonho. E também não foi fácil por ter que lidar com opiniões diversas. Havia pessoas que temiam pelo meu futuro e não consideravam certo eu largar um emprego bacana, havia também aquelas que acham que quem não produz nos moldes do sistema capitalista em que estamos inseridos é vagabundo.

    Deixei de lado o emprego dos meus sonhos (na época, vale lembrar), uma vida com mais glamour, o tempo na manicure e as massagens, deixei de lado uma promoção. Troquei a possibilidade de ter uma varanda gourmet (esse era meu sonho de consumo lá atrás) de um apartamento bacanudo para desfrutar da varanda da vida.

    Aos poucos voltei a trabalhar de casa. Em, geral, era nas madrugadas que eu conseguia escrever. Os dias eram intensos com Gabi e, muitas vezes, eu me via cansada e descabelada. Mas eu não poderia me sentir mais feliz. Eu não conseguia conceber outro caminho, eu precisava viver a maternidade em sua totalidade. Com os meses vieram as sugestões para colocar Gabi na escola para que eu tivesse mais tempo para trabalhar. Mas depois de ler sobre o assunto e olhar sobre as reais necessidades de uma criança, decidi que isso só aconteceria após os 3 anos.

    Já faz mais de 4 anos que decidi não voltar e não houve um só dia em que eu me arrependesse. O dinheiro é mais curto, a vida é mais corrida e eu sou mais feliz. Eu me reinventei para ser mãe.

    Mas esse é o meu caminho. Não significa que seja o melhor para todos. Existem muitas mães que têm um grande desejo de continuar a trabalhar fora e conseguem dar a seus filhos atenção e carinho redobrados quando estão por perto. E também existem aquelas que não têm opção. Precisam voltar a trabalhar para sustentar sua casa de fato. Outras passam por isso de forma ainda mais privativa, já que não têm licença-maternidade e têm que voltar tão cedo para o trabalho que chegam a desmamar seus bebês já nos primeiros meses.

    Bom seria se todas as mulheres tivessem o direito e condições de escolher o melhor caminho para si. Escolhas conscientes e respaldadas por uma rede de apoio.

    Mas, o mais importante disso tudo é entender que a maternidade é feita de escolhas (como tudo na vida… rs). Sempre vamos abrir mão de algo para ter outra coisa. A questão é termos consciência de abrir mão daquilo que será menos importante para você. E essa decisão a gente toma o tempo todo. Não é porque escolhemos um determinado caminho que não podemos repensar a escolha e optar por outro. Errar, repensar e compreender fazem parte do aprendizado e da nossa construção como mães. Por isso acho a culpa fundamental – e perigosíssima aquela infeliz campanha “culpa não”. Sabe por quê? Se estamos incomodadas com algum sentimento de culpa podemos parar e repensar a situação para saber o motivo desse sentimento de culpa. Aí avaliamos se ela tem de fato fundamento e se algo precisa ser revisto, ou se não, e esse é o melhor caminho que podemos percorrer no momento e, então, deixar esse sentimento de lado. Não somos perfeitas e podemos reconhecer isso. Faço isso o tempo todo e essa reavaliação me ajuda a entender minhas decisões e melhorar aquilo que é possível.

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    06/3 2014

    Educar os filhos com gentileza e respeito

    Por Alessandra | Sem Comentários

    Não, não é fácil. Educar exige paciência, domínio próprio e boa vontade. Mas quando temos filhos nos tornamos responsáveis por tudo o que aquele serzinho sentirá e será. Ter que repetir a mesma coisa diversas vezes cansa. Seria bem mais fácil dar uns berros e fazer valer a autoridade, né? Né, não…

    Assim como nós gostamos de ser tratados com gentileza e respeito, assim também são nossos filhos. E esse é um direito deles. Isso não quer dizer que você não será firme ao usar as palavras ou que cederá a todos os desejos do seu filho. Isso quer dizer apenas que você não precisa elevar sua voz ou utilizar argumentos ameaçadores. Isso também quer dizer que você irá ouvi-lo. E eles têm muita coisa importante a nos dizer.

    Talvez para nós, adultos com a vida cheia de tarefas e enlouquecidos com os prazos, ouvir que uma criança está muito zangada porque o coleguinha quebrou seu brinquedo, não seja tão interessante. Mas coloque o foco em quem está lhe dizendo: a pessoinha mais importante da sua vida. E pela qual você é responsável, por acaso. Começou a ficar interessante?

    educar com respeito e gentileza

    Educar é um ato de amor

    Pare, ouça, entenda, abraça, explique, repita e tenha calma. Na maior parte das vezes esse abraço resolve bem a questão e evita desgastes. Nossas crianças merecem respeito e gentileza. E precisam de nós… Do nosso tempo, da nossa atenção, do nosso carinho.

    Bora exercitar a educação gentil e respeitosa?

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    27/8 2013

    Relato de parto natural – Leticia Alonso Schaefer

    Por Alessandra | Sem Comentários

     

    Relato de parto natural

    Letícia e Miguel: Ela se informou e conseguiu ter um lindo parto natural

    Tenho 18 anos, engravidei aos 17…
    No início, fiquei assustada..Mas comecei a aceitar, de que o bebê não tinha nada com a minha irresponsabilidade e que eu teria que arcar com as consequências. Comecei à ir a igreja e percebi que ser mãe é uma benção que Deus tinha me dado e que mudaria radicalmente a minha vida, pra melhor!
    Conheci a doula Alessandra Rebecchi Feitosa, que me orientou durante a gravidez. Comecei a ter muito interesse pelo assunto e comecei a pesquisar tudo sobre parto, gravidez, como está o desenvolvimento do meu bebê semana a semana. Eu comemorava: ”Essa semana meu bebê já tem cabelinhos…” E toda semana era uma coisa nova.. Sempre pesquisando cada vez mais, vendo vídeos.
    Comecei a me interessar muito em ter um parto natural, mas meu medo era maior. Pensei: eu não vou aguentar as dores. Como fiz meu pré-natal pelo SUS eu não tinha muitas opções a não ser o parto normal. Pelo SUS, eles fazem cesariana em caso de emergência ou gravidez de risco, o que não era o meu caso. Então comecei a me acostumar com a ideia, mas ainda com muito medo da dor. Comecei a pesquisar quais hospitais davam anestesia e todos os métodos possíveis pra acabar com minha dor. Mas, no finalzinho da gravidez, comecei a aceitar que o SUS não dá anestesia e que muitas mulheres já passaram por isso. Que, talvez, isso fosse pra me mostrar o quanto eu sou forte e já ter uma sintonia com meu bebê. Decidi ir para o Amparo Maternal, onde as médicas são maravilhosas, nos tratam muito bem. Mas, mesmo assim, usam ocitocina. Com 37 semanas+4 dias, sábado a noite, às 23h48, comecei a sentir umas cólicas chatas,  mas nada demais. Em seguida, uma vontade de louca de ir ao banheiro. Parecia que eu estava com dor de barriga. Fiquei cerca de 40 minutos no banheiro e a dor de barriga não passava. Pelo que tinha lido, diarreia era um dos sintomas que estaria próximo o parto. Mas não me desesperei, a ansiedade era demais a gravidez inteira, mas na data eu estava calma… Acordei meu marido com calma e disse: acho que estou tendo contrações. Elas vinham de 4 em 4 minutos, ai fui pro banho.. Fiquei lá cerca de meia hora… quando sai do banho já estavam vindo de 2 em 2 minutos.. Mas não estava aquela dor absurda.. Eu ainda conseguia conversar nos intervalos das contrações, porém, queria ficar quietinha. Enrolei um pouco pra ir pro hospital pois não queria que eles me mandassem pra casa, eu queria ter certeza de que eu já ficaria lá e sairia com meu bebê!!! Cheguei na maternidade à 1h40, me examinaram eu estava com 8cm de dilatação… Eu disse pra médica que não queria tomar ocitocina, que não seria necessário, e ela perguntou: “mas porque você não quer?” Eu disse que recebi acompanhamento de doula  e não achava necessário.
    Fui pra sala de pré parto e fiquei lá durante alguns minutos, que não faço ideia de quantos foram pois perdemos a noção do tempo nessas horas, rs. Uma enfermeira me disse: “você que não quer ocitocina né?” Eu respondi: “sim, eu não acho necessário”. Ele me respondeu:  “ah, mas no final sempre acabam dando”. Falei: “mas eu disse que não quero.”
    Ai ele perguntou:”Sua bolsa já estourou?” Eu disse que não.. Cerca de 2 minutos depois ele voltou porque iria estourar minha bolsa mas ela estourou sozinha.
    Fui pra sala de parto. Empurrei 2 vezes, não senti ”círculo de fogo”, nem coroamento. Eu só sentia muita vontade de empurrar. Empurrei e ele veio pra mim.. Foi muito rápido. O meu bebê veio direto pra mim, o que era o meu maior desejo depois do parto: gostaria que ele nascesse e viesse direto aos meus braços e foi isso que aconteceu. Ele veio, ficou comigo e foi a melhor sensação do mundo. Qualquer dor que eu havia sentido acabou ali pois a felicidade era tanta…
    Meu marido cortou o cordão umbilical e ficamos ali com nosso bebê, eles não nos apressaram.
    Quando levaram o Miguel eu perguntei: “meu períneo está integro?” Ela disse: “Está!! E sem ocitocina, que bom que se informou! Eu não gosto de fazer parto sem a ocitocina, mas gostei do seu parto, parabéns!”
    Foi maravilhoso, não levei pontos, não fizeram episiotomia, não tomei a ocitocina. Foi ótimo! Meu parto foi maravilhoso, e rápido. Miguel nasceu às 3h20, muito rápido pra ser o primeiro parto. Fui muito abençoada. Mas se eu pudesse voltar no tempo, eu mudaria, eu faria numa casa de parto, dentro de uma banheira, totalmente fora do ambiente hospitalar.. Pois meu parto seria muito mais lindo!!!
    Quero passar, através dessa mensagem, para as mulheres que tem medo da dor do parto normal, mas querem ter um parto humanizado, encorajamento. Pois nós somos capazes disso, não tenham medo, pois eu daria tudo pra ter meu bebê na banheira se soubesse que a dor não era tanta como pensei que fosse e que eu era capaz de passar por isso sem nenhuma intervenção e trazer meu bebê ao mundo! Quero agradecer à minha doula maravilhosa, que me informou, e me acompanhou a gravidez toda, tirando todas as minhas dúvidas e me encorajando!! Meu próximo parto, com total certeza, será do jeito que eu sonhei, rs, sem medo algum! Boa sorte mamães!!

    Letícia Alonso Schaefer

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    20/8 2013

    Porque eu sou ativista da amamentação – Blogagem coletiva 2013

    Por Alessandra | Sem Comentários

    Porque sou ativista da amamentação

     

    A amamentação não precisa de defesas. Ela é o que é. Fundamental, vital, natural, importante para mãe e bebê.
    Não deveriam ser necessárias teses e estudos provando sua importância. Porque é amor e vida fluindo de mãe para filho, e vice-versa.

    Mas a gente complicou tudo e, hoje em dia, o amamentar é a exceção
    “Coisa que se der para fazer tudo bem, senão o leitinho em pó resolve. Coisa que se faz só nas primeiras semanas porque depois a mãe precisa ganhar o mundo e sua independência. Coisa que as propagandas estão aí para dizer que você não precisa se esforçar para conseguir, afinal, você não precisa enfrentar as dificuldades que podem surgir. Culpa zero.”

    Aí vem o pediatra
    “Seu filho não está ganhando peso suficiente porque não está dentro de um determinado padrão que ele considera aceitável (ainda que nossos filhos não sejam bonecos feitos por uma mesma forma). Chupeta é coisa boa, cala a boa do bebê e te dá sossego. Se leite em pó não fosse bom a indústria não o venderia (oi?). Pare de sofrer com mamilos machucados e dê logo a mamadeira.”

    Também sempre aparece uma boa alma querendo ajudar
    “Dê  água para esse menino, ele está com sede. Chá disso para cólicas. Chá daquilo para icterícia. Ele está com vontade do que estamos comendo. Dê logo e deixe de frescura, dei para meus filhos e todos estão vivos até hoje. “

    É tanto problema que aparece
    “Você não tem bico. Sua mama é grande. Você não tem peito suficiente. Use bico de silicone. Nem tem leite direito aí. E o que tem é fraco. Ele chora porque tem fome. Você não está dando conta. Você não sabe o que está fazendo. Dê mamadeira com “engrossante” e ele dorme a noite inteira!

    E a modernidade
    “Nada de ficar à disposição desse bebê. Você precisa ter independência. O bebê precisa aprender a ser independente. Deixe ele chorar. É manha… bebê manhoso e manipulador. Só quer saber de peito e te faz de chupeta. Volte logo a trabalhar e introduza alimentos precocemente. Hora do desmame. Esse menino já tem dentes.”

    Para a amamentação ter sucesso só são necessárias duas coisas: mãe e bebê. O resto só atrapalha.

    E num mundo tão cheio de informações, muitas delas são equivocadas.
    Por isso sou ativista da amamentação: porque precisamos difundir informação de qualidade para que toda dupla mãe-bebê tenha a oportunidade de trilhar uma linda história de amamentação.

    Chega de mídia enganadora. Chega de profissionais não capacitados. Chega de pediatras equivocados.

    Toda mulher pode amamentar. A amamentação deve ser exclusiva até os 6 meses  (nada de água ou chás) e complementar até no MÍNIMO dois anos.

    Suporte e apoio de qualidade é o que essa dupla precisa. Isto não é uma ditadura da amamentação, é a oportunidade de mulheres fazerem suas escolhas conscientes baseadas em informação correta.

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    19/7 2013

    13 dicas para você se preparar para a amamentação

    Por Alessandra | Sem Comentários

    Como ter sucesso na amamentação

    Informação e suporte de qualidade: o segredo para garantir o sucesso na amamentação

    Apesar de ser muito natural, a amamentação pode trazer algumas dúvidas, afinal, trata-se de um aprendizado, tanto para a mãe, quanto para o bebê. Mas, então, como podemos nos preparar para a amamentação?

    Não, você não precisa passar aquela bucha vegetal nas aréolas e mamilos, como talvez você já tenha ouvido por aí. Hoje já se sabe que isso acaba com a camada de gordura natural que se forma nas mamas e serve para protegê-las, tornando-as ainda mais sensíveis.

    A resposta não está nas mamas e sim na cabeça. A melhor forma de estarmos prontas para o aleitamento materno é ter informação de qualidade. Se tivermos a certeza de que podemos amamentar, que nosso leite é o melhor alimento para nossos filhos e que dificuldades podem aparecer mas, com a ajuda correta, elas logo desaparecem, estaremos prontas.

    Se você está grávida e quer se preparar para esse momento especial, confira essas dicas:

    1. Conheça a importância da primeira mamada
    Converse com a equipe que irá atendê-la no parto e diga que você quer amamentar seu bebê na primeira hora de vida. Esse primeiro contato promove a proteção imunológica que o bebê precisa ao nascer, além de ajudar no sucesso da amamentação. Ainda que ele não queira mamar e apenas cheire ou lamba seus mamilos, esse ato ajuda na criação do vínculo entre mãe e filho.No contato pele a pele o bebê sente o cheiro e o calor da mãe, regulando sua temperatura, além de estabilizar sua respiração. Um dado interessante: o colo da mãe sobe até dois graus sua temperatura quando o recém-nascido e colocado sobre eles logo após o parto.

    Peça para ficar em alojamento conjunto com seu bebê na maternidade. Essa prática faz com que mãe e bebê fiquem juntos o maior tempo possível, possibilitando o contato pele a pele e permitindo que a equipe do hospital possa auxiliá-la tanto na amamentação como nos primeiros cuidados com o bebê. Assim, você pode amamentá-lo sempre que ele requisitar e evita que seja dado leite artificial a ele.

    2. Mantenha distância de bicos artificiais
    Bicos de silicone, muitas vezes indicados já dentro das maternidades, só atrapalham a amamentação. Eles não permitem que a ordenha seja feita corretamente, diminuindo a quantidade de leite e ferindo os mamilos. Independente do tipo de mamilo que você tenha, não há necessidade de usar um intermediário, porque bebê não mama o bico e sim a aréola, onde estão concentrados os seios lactíferos, conhecidos como “bolsões de leite”.Chupetas e mamadeiras também são grandes vilões, pois costumam causar confusão de bico, fazendo com que o bebê deixe de querer mamar diretamente no peito. Se, por qualquer motivo, for necessário ordenhar e dar o leite materno de outra forma escolha o método do copinho ou a colher.

    3. Tire o foco da balança
    Nos primeiros dias o bebê irá mamar apenas o colostro. Os seios ainda estarão macios e o bebê aprenderá a fazer a pega correta. Após 3 ou 5 dias, acontece a descida do leite e os seios ficarão mais cheios.Todo bebê perde peso no início. A natureza é sábia e, por isso, nós já nascemos com uma reserva de energia. Essa perda de peso é, em média, de 10%, e ele pode ser recuperado até um mês após o nascimento.

    Cada pessoa é diferente da outra e os bebês também têm suas particularidades. Por isso, se algum profissional disser que você precisa complementar a amamentação com leite artificial, busque a opinião de um especialista em amamentação que possa ajudá-la a corrigir possíveis problemas de pega e melhorar as mamadas.

    E lembre-se: os gráficos de crescimento são feitos baseados em médias e isso significa que é normal, sim, ter crianças acima ou abaixo da média.

    4. Aprenda a aumentar a produção
    Apenas o ganho de peso não é fator decisivo para dizer que o bebê não está mamando o suficiente. Se ele estiver molhando entre 4 a 6 fraldas de xixi diariamente e estiver “espertinho”, ele estará bem hidratado.No caso de precisar aumentar a produção de leite beba bastante líquidos, descanse e aumente o número de mamadas. Outro fator fundamental é amamentar ou ordenhar as mamas de madrugada. Temos um pico de prolactina durante a noite e é importante estimular a produção neste período.

    Nosso psicológico também influencia muito na produção de leite. Então, se perceber que está vivendo momentos de estresse, peça a ajuda de familiares para que essa situação seja solucionada e você possa voltar a relaxar e a se ocupar com o que você tem de mais importante naquele momento: seu bebê.

    5. Conheça as recomendações do Ministério da Saúde
    Os bebês devem mamar exclusivamente o leite materno até os 6 meses. Isso significa que até essa idade eles não precisam de mais nada, nem água ou chá. Após esse período inicia-se a introdução de alimentos e a amamentação deve seguir, no mínimo, até 2 anos.

    6. Escolha a livre demanda
    Hoje já se saber que ter horários rígidos para amamentar não é a melhor opção. Ofereça o peito ao seu filho sempre que ele quiser, pelo tempo que ele desejar. Assim a produção será estimulada e o bebê estará alimentado de forma adequada. Bebês têm a necessidade de sucção, por isso, ele provavelmente irá querer passar mais tempo mamando. Além disso, peito é o acalanto, a segurança e o carinho que ele precisa para entender esse mundo novo.

    7. Não tenha leite artificial em casa
    Algumas pessoas podem nos dar de presente, na melhor das intenções, uma lata de leite artificial. Agradeça e devolva – ou a dê para alguém que você saiba que já faz uso deste produto. Ter leite em pó próximo da gente pode se tornar uma grande tentação em momentos de dúvida sobre a quantidade de leite materno produzido. Prefira procurar ajuda profissional antes de apelar para este recurso.

    8. Ignore conselhos errados
    Sim, eles irão aparecer e você pode ignorá-los. Sempre haverá uma mãe, sogra ou amiga que vai te dizer que seu leite não está sendo suficiente e seu bebê está com fome, que chás podem ser dados para aliviar a cólica do bebê e que você está deixando seu filho mimado por permitir que ele fique tanto tempo no seu colo. Também vai ouvir dizer de alguém que se der leite artificial seu filho irá dormir a noite toda porque ele tem é fome. Mas a verdade é que bebês que tomam leite em pó demoram mais tempo para digeri-lo, afinal, ele não foi feito para o nosso organismo. Aliás, não há leite mais adequado para nossos filhos que o leite materno. Seu aparelho digestório ainda não está preparado para receber qualquer outro alimento. Agradeça a dica e a desconsidere.

    9. Tenha o contato de grupos de apoio

    O pós-parto e o início da amamentação podem ser um momento de muita insegurança e dúvidas. Existem grupos de apoio que nos ajudam a passar por esse momento com mais tranquilidade. Aliás, bater um papo com outras mães e trocar experiências é sempre muito gostoso. Confira alguns deles:

    Amigas do Peito

    Rio de Janeiro

    http://www.amigasdopeito.org.br/
    e-mail: amigasdopeito@amigasdopeito.org.br
    tel: 21-2285 7779

    Matrice
    São Paulo
    http://matrice.wordpress.com/
    e-mail: grupomatrice@gmail.com
    tel: 11-996223737

    La Leche League Brasil
    Rio de Janeiro
    http://www.facebook.com/pages/La-Leche-League-Rio/228588697232880?group_id=0
    tel: 21-2239-0304 e 21- 8116-4141 (falar com Francesca)

    Maceió – Alagoas
    tel: 82-3325-5710 (falar com Damaris)
    e-mail: pmarroquim@ig.com.br

    Grupo Virtual de Amamentação
    http://www.facebook.com/groups/266812223435061/

    Aleitamento Materno Solidário
    http://www.facebook.com/groups/aleitamentomaternosolidario/

    10. Saiba onde procurar ajuda
    É possível surgirem dúvidas sobre a correta pega do bebê, sobre produção de leite suficiente, fissuras nos mamilos, tipos variados de mamilos (plano, invertido). Mas nada disso é motivo para você deixar de amamentar. Antes de desistir, procure ajuda especializada. Bancos de leite por todo o Brasil têm profissionais capazes de auxiliá-la com dificuldades na amamentação. Você também pode contratar uma consultora em aleitamento materno ou uma doula pós-parto para fazer o atendimento na sua casa.Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano

    http://www.redeblh.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=393

    11. Eles aprendem rápido
    Com o passar do tempo, seu bebê ficará mais eficiente para mamar e aquela mamada que costumava demorar, pelo menos, 20 minutos, será feita em apenas 3 minutos, por exemplo. Não se preocupe, seu bebê terá mamado o suficiente apenas neste tempo. Trata-se da crise dos três meses. Aliás, o mundo estará mais interessante para ele, portanto, ele deixará de querer ficar apenas no peito para começar a observar tudo o que acontece ao seu redor.Também não se preocupe se seus seios não ficarem mais tão cheios, trata-se apenas do nosso corpo adaptando-se à quantidade que o bebê precisa. Em tempo, a maior parte do leite é produzida durante a mamada.

    12. Prepare-se para o fim da licença-maternidade
    Você não precisa introduzir leite artificial ou alimentos antes do tempo só porque tem que voltar ao trabalho. Comece algumas semanas antes do seu retorno a fazer estoque de leite materno congelado. O leite materno tem duração de 15 dias no freezer.Você pode fazer a ordenha manualmente ou com o auxílio de uma bomba. Já existem alguns lugares que oferecem o aluguel delas.

    13. Acredite que amamentar é prazer
    Passados os problemas dos primeiros dias, o aleitamento materno torna-se um grande prazer, tanto para a mãe quanto para o bebê. Amamentar é dar o melhor alimento que ele poderia ter e dar, também, carinho, segurança e conforto. Infelizmente ainda vemos muitos profissionais da saúde desencorajarem o aleitamento materno prolongado (após os 2 anos). Mas saiba que não existe hora certa para o desmame. Esse momento deve ser decido entre mãe e bebê.

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    04/6 2013

    Shakira ama amamentar e não pensa no desmame!

    Por Alessandra | Sem Comentários

    Shakira adora amamentar Milan

    Shakira e seu pequeno Milan: felicidade ao amamentar

    Sim, apesar de tantos exemplos negativos que vemos por aí no mundo das celebridades no que diz respeito ao parto e à amamentação, às vezes aparecem estrelas com atitudes do bem prontas para influenciar da forma correta uma legião de fãs.

    Em recente entrevista à revista colombiana US Weekly, Shakira declarou o quanto a faz feliz amamentar seu bebê e disse que não pretende desmamá-lo tão cedo.

    “A amamentação tem sido uma das melhores experiências da minha vida. Amo fazer isso e não posso parar! Acredito que vou dar de mamar até que ele vá para a universidade. Estou viciada!”, brincou a mãe de Milan de apenas 4 meses.

    Sem reservas quanto ao que vão falar, sem aquele medo absurdo das mamas caírem, empoderada e feliz!

    Esse tipo de exemplo é maravilhoso porque celebridades têm um grande poder de influenciar outras pessoas. Espero que muitas mulheres olhem para Shakira e vejam a mulher linda que ela é, poderosa e sem medo de curtir a maternidade em sua forma mais intensa: a amamentação.

    Porque amamentar também é dedicação e entrega. Quando ainda é exclusiva, ou seja, até os seis meses do bebê, esse comprometimento é ainda maior. Impossível manter a vida como era antes. É necessário abrir mão de algumas coisas para se dedicar a ser mãe. Mas esta é uma experiência transformadora, fortalecedora e inigualável. Não há o que temer, apenas entregue-se e seja feliz.

    Espero que Shakira esteja informada o suficiente para, ao encontrar julgamentos descabidos e orientações errôneas de profissionais – não tão profissionais assim – sobre o desmame precoce, possa fazer aquela famosa “cara de alface” e continuar a ser feliz com suas próprias escolhas.

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    Escolhi ser Mãe | 2013
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