12/12 2012

Entrevista sobre plano de parto

Por Alessandra | Sem Comentários

Entrevista que dei para a revista Claudia Bebê sobre plano de parto

Entrevista que dei para a revista Claudia Bebê sobre plano de parto

No meio deste ano, fui entrevistada pela revista Claudia Bebê a respeito de como o plano de parto havia sido importante para mim.

A matéria foi recentemente publicada no Bebe.com.br e coloco aqui o link para que você possa dar uma olhada.

O meu eu já publiquei aqui no blog. Ele foi fundamental para que  toda a equipe conhecesse e respeitasse minhas escolhas.  Mas não adianta simplesmente escrever um plano e jogar na mão de qualquer médico. A escolha por uma equipe humanizada e que respeite o seu protagonismo na hora do parto é fundamental.

Aliás, você, que está grávida e quer ter um parto normal, já bateu um papo com seu obstetra sobre suas condutas na hora do parto? No post sobre Motivos para optar por um parto humanizado, escrevi sobre as intervenções comumente usadas pelos médicos tradicionais, mas que são completamente desnecessárias. Elas atrapalham a normal evolução do trabalho de parto (podendo levar, até mesmo, a uma cesárea) e impedem que a  gestante seja a protagonista do processo.

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02/5 2010

Plano de parto

Por Alessandra | Sem Comentários

Poucas pessoas sabem, mas um plano de parto é fundamental para que suas escolhas sejam respeitadas na hora do parto. É claro que para isso, você também precisa ter uma equipe em que confia para que o plano seja seguido à risca.

Abaixo o meu plano para o parto da Gabriela.
Ele nos ajudou a não esquecer de nada e posso dizer que tudo aconteceu conforme sonhamos. Se você está grávida, pense sobre a possibilidade de fazer um plano e já mostrá-lo para a sua obstetra e equipe de parto. Ele foi fundamental em nossas vidas.

O plano tem a ver com o que você acredita e deseja para este grande dia. O nosso tem a nossa cara, Família Feitosa. O seu terá o seu jeitinho. Não se esqueça de imprimir umas 3 cópias e deixá-las na mala que irá para o hospital. Chegando lá, deixa uma cópia com a enfermeira que irá atendê-la. Elas costumam torcer o nariz para eles, mas não abra mão dos seus direitos, ok?

Bjs
Lelê

PLANO DE PARTO PARA O HOSPITAL, EQUIPE MÉDICA E ACOMPANHANTES

 Mãe: Alessandra Rebecchi Feitosa da Silva

Pai: Rodrigo Feitosa da Silva

 

Local: Maternidade São Luiz – Itaim

Equipe Médica:

Profissional Nome Telefones Cons. Telefone Res. Telefone Cel.
Doula Camila Goncalves Vieira      
Médica Obstetra Andréa Campos      
Médico Assistente/ Parteira Márcia Kaufmann      
Pediatra Neonatal Douglas/ Nina      

 

É nosso desejo realizar um parto natural, sem intervenções e medicamentos.

Nós entendemos que complicações podem acontecer e pedimos que, nesses momentos, o hospital São Luiz e a equipe médica discutam conosco os procedimentos e medicamos antes de administrá-los. Agradecemos a cooperação em realizar o nosso plano. Sempre que os planos não puderem ser seguidos, queremos ser previamente avisados e consultados a respeito das alternativas.

1. TRABALHO DE PARTO LATENTE/ INÍCIO DO ATIVO

Orientações iniciais
  • Permanecer em nossa casa
  • Entrar em contato com a doula para saber exatamente a hora em que ela virá para a nossa casa
  • Entrar em contato com a Dra Andréa para que ela saiba em que período do trabalho de parto estaremos e como prosseguir em caso de bolsa rota

 

Acompanhantes
  • Rodrigo Feitosa, o pai
  • Camila, a doula
  • A única pessoa da família que será avisada nesse momento será a Adriana Scaramella, irmã da gestante – (tel)
  • O Rodrigo deve ligar para a Apóstola Alice, para comunicar sobre o início do TP, pedir intercessão e sigilo absoluto

 

Alimentação
  • Quero beber água e sucos
  • Chocolate será minha opção para ter energia
  • Se eu esquecer de me alimentar, por favor, me ofereçam

 

Alívio da dor e do cansaço
  • Quero orientação da doula de movimentos para aliviar as contrações/ uso da bola de pilates
  • Quero todos os recursos naturais possíveis
  • Opção de banho quente para alívio da dor
  • Da doula também quero massagem e acupuntura para alívio da dor e tensão

 

Ambiente
  • Se recebermos ligações, não contar sobre o trabalho de parto
  • Questionar se prefiro me distrair com televisão/ DVD, ou relaxar com as músicas escolhidas para o momento
  • Quero oração e unção com óleo do Rodrigo

 

Lembrete
  • Checar se mala da mãe e bebê estão prontas
  • Checar documentos
  • Checar câmeras, Bíblia e óleo de unção
  • Checar lembrancinhas e enfeite de porta
  • Checar plano de parto, músicas, computador e lista de telefones para levar para o hospital

 

Ao sair para a maternidade
  • Ir para a maternidade apenas após a orientação da Dra. Andrea
  • Comunicar apenas nossas mães: Rosely e Sonia e pedir que, neste momento, elas comuniquem o menor número de pessoas possível, pois gostaríamos de avisar a família e amigos apenas após o parto
  • Avisar a Adriana, irmã da gestante, que já pode ir nos encontrar no São Luiz

 

No trajeto
  • Rodrigo deve evitar passar pelos buracos e lombadas e ficar atento aos períodos de contração
  • Seguir o trajeto antes estipulado
  • Deixar eu e a Camila na recepção da maternidade e estacionar no local previamente combinado
  • Voltar rapidamente para dar entrada nos documentos e me encontrar na sala de pré-parto

 

 

2. TRABALHO DE PARTO – FASE ATIVA

Intervenções
  • Não fazer tricotomia
  • Não fazer lavagem intestinal
  • Não fazer acesso venoso – a não ser por orientação da Dra Andréa por conta do antibiótico
  • Não administrar soro/ pitocina/ ocitocina
  • Aguardar o rompimento espontâneo da bolsa de águas
  • Monitoramento fetal eletrônico intermitente
  • Quero estar na LDR do São Luiz

 

Acompanhantes
  • Rodrigo Feitosa, o pai – bíblia, óleo
  • Camila, a doula – e seus apetrechos
  • Adriana Scaramella, irmã da gestante – munida de câmeras
  • Equipe médica
  • Obs: sentirei-me muito mal se as pessoas se distraírem longe de mim, enquanto eu estiver passando dor

 

Alimentação
  • Ofereçam-me água e chocolate

 

Alívio da dor e do cansaço
  • Quero orientação da doula de movimentos para aliviar as contrações/ uso da bola de pilates
  • Orientação da doula e da obstetra para posições mais confortáveis e que estimulem o trabalho de parto
  • Quero todos os recursos naturais possíveis
  • Opção de banho quente para alívio da dor
  • Opção de ficar na banheira, acredito que a água quente irá me deixar mais relaxada e tranquila
  • Da doula também quero massagem e acupuntura para alívio da dor e tensão
  • Podem me oferecer homeopatia e fitoterápicos
  • Liberdade para caminhar

 

Ambiente
  • Celulares no vibra call, prefiro não atender ligações, mas vamos administrar isso na medida do possível
  • Meia luz
  • Quero oração e unção com óleo do Rodrigo
  • Quero que toque nossa seleção de músicas
  • Prefiro estar de roupão pois costumo sentir muito frio
  • Não quero incensos ou qualquer técnica de meditação/ invocação

 

Ações
  • Quero ser comunicada sobre a dilatação
  • Quero ser comunicada sobre a evolução do trabalho de parto
  • Quero incentivo e palavras de suporte e carinho
  • Não reajo bem a broncas e palavras ásperas, prefiro que os pedidos sejam feitos com cuidado para mim
  • Não quero que me ofereçam anestesia
  • Se eu pedir anestesia, quero ser incentivada a continuar sem ela, com a orientação de que aquele é p pior período e a dor não vai ficar pior
  • Se eu não estiver aguentando de dor, quero que o Rodrigo ligue para a Apóstola Alice e peça oração imediata
  • Se tiver que tomar anestesia para permitir que o TP evolua, quero que seja a menor quantidade possível, orientada pela obstetra
  • Quero ser comunicada sobre qualquer complicação. Costumo perceber quando estão me enrolando e posso ficar irritada ao extremo
  • Esta comunicação deve ser feita de forma serena, carinhosa e realista. Quero que me digam quais são minhas opções e suas consequências
  • Se eu perder o foco, desistir ou me desesperar, quero que o Rodrigo me traga à realidade novamente
  • Se eu ficar irritada, não levem para o lado pessoal, estarei tentando lidar com a dor

 

 

3. TRABALHO DE PARTO – FASE EXPULSIVA

Intervenções
  • Não quero episiotomia
  • Não quero manobras na minha barriga para acelerar o TP
  • Não administrar soro/ pitocina/ ocitocina
  • Não usar estribo

 

Ações
  • Quero estar em uma posição confortável para mim e, ao mesmo tempo eficiente
  • Se possível, que seja dentro da banheira
  • Quero ser orientada sobre a força que devo fazer para preservar o períneo
  • Técnicas para amparar o períneo serão muito bem vindas
  • Quero ser orientada sobre a melhor forma de respiração
  • Quero ser informada sobre a evolução do expulsivo
  • Quero um espelhinho para poder observar o nascimento da Gabriela

 

Orientações
  • Quero o Rodrigo ao meu lado durante todo esse período
  • Quero uma mãozinha ou algum objeto para apertar
  • Palavras de incentivo, carinho e força

 

 

4. TRABALHO DE PARTO – DEQUITAÇÃO DA PLACENTA

Intervenções
  • Se houver laceração do períneo quero ser avisada sobre a necessidade de sutura e orientação sobre analgesia para a mesma
  • Aguardar a expulsão natural da placenta, sem utilizar tração ou medicação
  • O Rodrigo deverá cortar o cordão umbilical depois que ele parar de pulsar – não deve esquecer de orar

 

Ações com a bebê
  • Quero ter contato com a bebê imediatamente, assim que ela nascer (sobre minha barriga, ou nos braços)
  • Desejo ter um tempo de tranquilidade com ela e o Rodrigo para nos olharmos e orarmos
  • Incentivar a amamentação da Gabriela
  • Prefiro que o pediatra neonatologista faça as anotações necessárias enquanto ela estiver conosco, com o mínimo de intervenção possível
  • Ele observará a necessidade de aspiração nasal
  • Não queremos o uso de colírio de nitrato de prata, tenho o exame para Gonococo com resultado negativo
  • Banho simples, no balde, conforme a orientação do nosso pediatra já na sala LDR ou quando ele achar mais conveniente
  • Não quero que a Gabriela vá para o berçário. Se for realmente necessário quero que o Rodrigo e o nosso pediatra a acompanhem. Todas as orientações do pediatra devem ser seguidas à risca pelas enfermeiras
  • As enfermeiras não devem dar banho na Gabriela e ela deve subir para ficar com a mãe no quarto o mais rápido possível
  • As vacinas só serão dadas se e quando os pais decidirem
  • Teste da orelhinha e do pezinho serão permitidos

 

Orientações
  • Quero o Rodrigo ao meu lado durante todo esse período
  • Quero uma mãozinha ou algum objeto para apertar
  • Palavras de incentivo, carinho e força
  • A Adriana poderá sair para avisar sobre o nascimento, mas pedirá que todos aguardem o momento certo para conhecerem a Gabriela

 

 

5. EM CASO DE CESÁREA

Orientações
  • A cirurgia só deverá acontecer por orientação da Dra Andréa Campos
  • Quero ser avisada sobre a necessidade e importância da mesma
  • O Rodrigo deve estar ao meu lado durante todo o tempo
  • Gostaria que minha doula também participasse
  • Quero ser informada sobre todos os procedimentos a serem realizados
  • Jamais utilizar anestesia geral
  • Rebaixamento do protetor e uso de espelho na hora do nascimento
  • As visitas estarão liberadas quando eu e o Rodrigo decidirmos

 

Ações com a bebê
  • Quero ter contato com a bebê imediatamente, assim que ela nascer (sobre minha barriga, ou nos braços). Quero ter meus braços livres para isso
  • Desejo ter um tempo de tranquilidade com ela e o Rodrigo para nos olharmos e orarmos
  • Incentivar a amamentação da Gabriela assim que possível
  • Prefiro que o pediatra neonatologista faça as anotações necessárias enquanto ela estiver conosco, com o mínimo de intervenção possível
  • Ele observará a necessidade de aspiração nasal
  • Não queremos o uso de colírio de nitrato de prata, tenho o exame para Gonococo com resultado negativo
  • Banho simple conforme a orientação do nosso pediatra quando ele achar mais conveniente
  • Não quero que a Gabriela vá para o berçário. Se for realmente necessário quero que o Rodrigo e o nosso pediatra a acompanhem. Todas as orientações do pediatra devem ser seguidas à risca pelas enfermeiras
  • As enfermeiras não devem dar banho na Gabriela e ela deve subir para ficar com a mãe no quarto o mais rápido possível
  • As vacinas só serão dadas se e quando os pais decidirem
  • Teste da orelhinha e do pezinho serão permitidos

 

 

6. PERÍODO PÓS PARTO – ALOJAMENTO

Orientações
  • Alojamento conjunto com a bebê e o pai
  • A bebê não deve sair do quarto, mas quando for necessário, o pai deve acompanhá-la em todo o tempo
  • Jamais oferecer água, leite em pó ou chupeta para a bebê. Ela será alimentada exclusivamente com leite materno
  • Quero orientação sobre a amamentação
  • Quero ser informada sobre necessidade de medicamentos
  • Para períodos de amamentação quero estar a sós com a bebê e meu marido, visitas devem aguardar ao lado de fora
  • O mesmo se aplica aos momentos de banho da bebê
  • As visitas estarão liberadas quando eu e o Rodrigo decidirmos

 

25/7 2014

Relato de parto – Alessandra – nascimento da Gabriela

Por Alessandra | Sem Comentários

CAMINHANDO PARA O PARTO NATURAL

Lá estava eu, dentro da sala de parto. As contrações já estavam fortes e, assim que cheguei na maternidade, fui imediatamente direcionada para ela.
Olhava para os lados e procurava pelo Rodrigo. Não o encontrei, ele ainda estava na recepção fazendo minha internação. Olhei novamente ao redor e, dessa vez, procurei por minha médica. Ela também não havia chegado ainda. Comigo estavam apenas o médico da maternidade e dois enfermeiros, totalmente desconhecidos.
Mas eu não poderia esperar mais. Meu corpo começou a agir sozinho. Senti uma força muito grande, eram os puxos que ele fazia a cada contração para meu bebê nascer. Eu só tinha que me deixar levar e fazer aquilo que meus hormônios me conduziam a fazer. Já estava no período expulsivo. Quando, de repente, acordei.

Era apenas um sonho. Mas um sonho empoderador. As dores, as contrações, tudo foi muito real. Antes de engravidar havia lido um relato de parto natural e me apaixonado pela ideia. Mas o fato é que com o início da gravidez me empolguei com todo o mundo novo que eu estava vivendo e acabei deixando a questão do parto um pouco de lado. Até porque eu estava fazendo o pré-natal com a médica que eu gostava. Ela era muito querida e eu sentia que poderia confiar totalmente em suas decisões. Mas aquele sonho me despertou para uma questão: eu poderia ter um parto normal, exatamente como tem que ser. Contra todas as estatísticas e histórias de amigas que desejaram um parto normal e acabaram em cesárea, eu sabia que conseguiria parir minha filha.

Eu já deveria estar no 4º mês de gestação. E quis deixar bem claro para minha obstetra minha intenção de ter um parto normal. Ela disse que também preferia assim e que, no momento, não havia nada que me impedisse de tê-lo. Contou sobre próprio seu parto. Normal e cheio de intervenções (todas aquelas que nos assustam!), e afirmou: “Te darei anestesia, afinal de contas, sou sua amiga.” Sai da consulta confiante.

Toda a vez que me perguntavam: “Você quer fazer cesárea ou parto normal?” Eu respondia cheia de entusiasmo: “Parto normal”. Mas, invariavelmente, aparecia alguém para dizer: “Mas tem que esperar para saber se vai dar. Não é assim não.”

Em um belo dia, ouvi a funcionária da lanchonete da empresa, também grávida, ouvindo uma editora contar sobre sua experiência com o parto natural. Ela percebeu meu interesse convidou-me para sentar com ela. Durante todo o café ela descreveu como havia sido o nascimento do seu filho. A cada palavra eu me emocionava mais e lágrimas brotavam em meus olhos. Ao me perguntar se minha médica fazia parto natural, eu respondi que sim. Mas ela se colocou à disposição para dar o contato de sua médica, pois sabia que a minha obstetra não era nenhum dos conhecidos médicos humanizados que prezam pelo parto natural. Também falou da lista materna e disse que eu deveria ler mais sobre o assunto.

Desejei, com todo o meu coração, ter um parto natural. Sem intervenções. Humanizado para mim, meu marido e minha bebê. Passei horas na internet lendo sobre o assunto. Os relatos de parto me faziam chorar, eu também queria aquela avalanche de emoções na história da minha família. Fiz minha inscrição na lista Materna e perguntei para a Ana Cris, moderadora do grupo e obstetriz, se ela conhecia a minha atual obstetra. Ela foi clara: 80% de cesáreas.

Conversei com o Rodrigo e mostrei minha insegurança. Disse que na próxima consulta falaria de qualquer jeito sobre o parto. A médica costumava me enrolar quando eu tocava no assunto dizendo que ainda era cedo. Mas agora, com 32 semanas de gestação, ela teria que mudar o discurso.

Percebi que a obstetra não havia ficado feliz com a quantidade de perguntas que eu fazia sobre o parto: “Você andou lendo, né?” Perguntou ela. Logo vi que ela não queria que eu soubesse detalhes do parto. Para ela, aquilo era assunto apenas dela. Então insisti no assunto:
Eu – “Doutora, você faz episiotomia de rotina?”
Médica – “Mas é claro.”
Eu – “E se eu não quiser? Li que pode trazer consequências ruins.”
Médica – “Você vai querer . As estatísticas provam que, se não for feita, sua chance de sofrer mais tarde de ´bexiga caída` será muito grande.”
Eu – “E tricotomia? Eu não gostaria.”
Médica – “Sempre fazemos na maternidade.”
Eu – “E faz uso rotineiro de ocitocina intravenosa? Sei que ela gera contrações doloridíssimas e compromete a saúde do bebê.”
Médica – “Com certeza darei, preciso te ajudar a ter contrações eficientes. Aliás espero, no máximo, 6 horas. Se não dilatar tudo, vamos para a sala de cirurgia.”
Eu – “Mas nós vamos esperar eu entrar em trabalho de parto naturalmente, certo?”
Médico – “Não deixo passar de 40 semanas. Se não entrar em TP até lá, posso até tentar induzir.”
Eu – “Posso andar durante o trabalho de parto?”
Médica – “Pode ficar na bola, um pouco na banheira. Mas terá que ir para a cama para ficar na posição do parto na hora de nascer.”
Eu – “Bom, eu posso, pelo menos, optar por não tomar anestesia?”
Médica – “Não, não vou deixá-la passar por isso sem uma.”
Eu – “E a senhora faz aquela limpeza chata do intestino?”
Médica – “Não, isso eu não faço não.”
Eu – “Ufa, pelo menos isso né, doutora? Também estou pensando em levar um pediatra neonatal para ter os primeiros cuidados com o bebê sem as intervenções desnecessárias protocolares de hospital.”
Médica – “Melhor não. Melhor usar o da maternidade para não termos confusão de equipes.”

Depois de todas essas respostas fiquei completamente confusa. Aquela médica querida já não correspondia às minhas expectativas para o parto. Creio que eu também não me encaixava mais no perfil de paciente que ela costumava atender. Eu fiz perguntas demais. Ela sentiu a tensão. Nosso relacionamento médico-paciente parecia ter sido abalado. Eu já não era tão paciente assim. Decidi, então, ligar para médica da minha colega e agendar uma consulta.

A sala de atendimento já era diferente por si só. Cama baixinha, banquinho do lado, nada de lugar para pendurar as pernas. A médica, bastante jovem, nos tratou com respeito e simpatia. Ok, isso a outra médica também fazia. Mas a Dra. Andréa, tinha mais do que isso, ela sabia ouvir e não tinha respostas prontas para tudo. Muito do que eu perguntava, cabia a mim decidir depois de todas as alternativas e explicações apresentadas. Fui invadida por uma paz deliciosa, a certeza de que estava no lugar certo e de que, apesar de já estar no terceiro trimestre, ainda dava tempo de conquistar um PN. Até a hora que ela me passou os valores da equipe médica. Confesso que fiquei assustada por ter que pagar tudo, mas era um assunto a discutir com o Rodrigo.

Essa é uma grande questão no meio do parto humanizado. Mas não tem jeito. Se você ficar com seu médico do convênio ele vai te levar para uma cesárea por um motivo qualquer, já que o valor que ele receberá será pouco para te acompanhar tranquilamente durante todo o seu trabalho de parto. Algumas mulheres que realmente não têm condições de pagar procuram as Casas de Parto, outras contratam uma doula para aguentar o TP em casa e ir para a maternidade com médico plantonista já no expulsivo… Mas você também pode bater um papo com a equipe, seja ela para o parto hospitalar ou domiciliar, e verificar possibilidades de pagamento parcelado. Mas já vi muita mulher fazer enxoval em Miami e reclamar do valor do médico humanizado particular. É tudo questão de prioridade, dar uma economizada de um lado para consegui algo que lhe é mais precioso.

Conversamos, ponderamos e fiquei feliz demais por optarmos por trocar de GO. Não, não tínhamos aquele dinheiro. Precisaríamos abrir mão de algumas coisas, economizar em outras, mas faríamos tudo para trazer nossa Gabi ao um mundo de forma respeitosa.

Logo começaram os questionamentos familiares sobre a mudança de médico. Sobre os motivos, sobre a escolha do parto natural, sobre o porquê de se pagar por algo que você pode fazer pelo convênio.

E, então, comecei a minha busca por uma doula. Queria que ela fosse uma pessoa que me passasse tranquilidade e confiança já que era tudo novo para mim. E foi através da lista de discussão Materna que conheci a Camila. Ela é naturóloga, especializada em massagens. Nossa empatia foi instantânea!

LONGOS PRÓDROMOS

Comecei a ter contrações bem cedo. Acho que na 36º semana elas já vinham fortes de vez em quando. Tinha vezes em que eu agachava no trabalho para dar uma aliviada. O povo brincava e tinha medo do bebê nascer por ali mesmo. Eu me alegrava por saber que era apenas meu corpo dando sinais e se preparando. Agradecia a Deus por cada uma delas. Elas seriam o caminho para minha filha nascer, e como eu já havia sonhado com tudo isso!

As contrações também vinham pela noite. Algumas chegavam a me acordar de madrugada. Mas nada de mais. Conversava com minha menina e dizia o quanto eu estava feliz porque logo ela estaria em meus braços .

Com 39 semanas fui para a cama com várias fisgadas e choques no períneo. O Rô ficou empolgado e deu um beijo de boa noite em Bibi dizendo: “Filha, pode chegar, estamos te esperando”. Resolvi, então, tentar uma das posições que aprendi. Ajoelhei ao lado da cama, me apoiando nela e rebolei um pouquinho. A dor foi passando e enfim consegui deitar novamente. Mas fiquei acordada para ver se vinha outra. Pensei: “Será que chegou a hora? Se tiver outra em um intervalo pequeno vou acordar o Rô.” Mas não teve e cai no sono novamente.

Já com quase 40 semanas cheguei a acordar umas 10 vezes com contrações em uma noite. Elas não tinham um ritmo certo, mas também não me deixaram dormir direito. Pela manhã tive consulta com a Andrea. Ela disse que Bibi estava encaixada e minha barriga bastante baixa. Fez exame de toque, sentiu um dedo de dilatação e o colo do útero bem molinho. Ela também confirmou que os pedacinhos brancos que estavam saindo de mim eram o meu tampão. E me avisou que ele poderia começar a sair com um pouco de sangue. Andrea também me orientou a dormir e descansar durante o dia: “Você não tem dormido durante a noite e precisará de energia para passar pelo TP.” Mas eu estava tão empolgada com essas boas notícias que saía pela casa dançando: “Bibi vai chegar! Bibi vai chegar!”

No dia 16/08/09, completamos 40 semanas de gestação. Eu estava supertranquila, mas bastante cansada de ouvir perguntarem quando ela iria nascer. A resposta era certa: “Quando ela estiver pronta.” Mas confesso que, algumas vezes isso me irritava. Ouvi todos os absurdos possíveis. Homens falando de com o a mulher poderia ficar mutilada por conta do parto vaginal – a velha falácia machista de acabar com o “parque de diversões do marido”. Mulheres que se defendiam (como se eu estivesse insultando alguém por buscar um parto natural) com os argumentos para suas cesáreas e possíveis complicações do PN que tinham ouvido a prima do marido da vizinha da vó da cunhada falar . Outros que falavam sobre o quanto “aparecida” eu queria ser por escolher algo tão diferente (como assim? Não foi Deus que nos fez para parir naturalmente? Diferente eu? Não foi sempre assim?). Alguns duvidavam do meu bom senso e questionavam a todo momento sobre a saúde da minha princesa. Como se optar por deixar a natureza agir fosse mais perigoso do que passar por uma cirurgia como a cesariana. Oi? Sério mesmo que pensam assim?

Neste mesmo período, a Dra Andréa me deu um tempo de licença. Apesar de nossa saúde estar ótima (tirando uma dor bem chata no ciático), pelas ultrassonografias, Gabi estava um pouco menor do que o normal para a idade gestacional. Ela nos tranquilizou, poderia ser um erro do ultrassom, poderia ser um erro de DPP ou até mesmo, simplesmente, o fato da Gabriela ser menorzinha (o que se confirmou com seu nascimento e desenvolvimento posterior, até porque eu e o Rô não somos grandes, né?). Mas ter um tempo de descanso seria muito bom.

O Rô tinha duas semanas de folga pendentes e iria tirá-las quando a Gabriela nascesse. Mas ele já estava ansioso demais e decidiu sair antes para ficar comigo nesses momentos que antecederam a chegada da Gabi.

Na nossa consulta da 40ª semana as notícias eram animadoras: colo do útero molinho, Gabi encaixadíssima e 4 centímetros de dilatação! Uhuuuuuu! Comemorei muito: se o bebê nasce com 10 centímetros de dilatação já estávamos quase na metade do caminho, que delícia aquela sensação! Como tudo estava progredindo, a Dra Andrea aproveitou para fazer uma massagem no colo do útero com óleo de prímula para ajudar no processo. Trata-se de um descolamento de membranas que foi feito com meu consentimento. E isso doeu um bocado. O Rô segurou a minha mão e eu suava frio… E o mais legal: eu estava sorrindo! Eu já havia ouvido falar nisso, e a Dra Andrea reforçou: “A boca tem uma ligação com o canal de parto. Durante a dor não deixe os lábios travados. Sorria ou abra a boca.” Resolvi sorrir… comédia pura!

A expectativa era que Gabriela nascesse até o final daquela semana. Eu sentia o meu corpo bastante diferente naqueles dias e me lembrava de cada relato de parto natural que havia lido nos últimos meses. Mexia demais comigo pensar que estava passando pelos mesmos passos que todas aquelas mulheres haviam passado. Sempre chorei ao ler estes relatos, agora, chorava de emoção ao pensar no meu parto. Sentia Deus no controle cuidando de cada detalhe, preparando todas as coisas. Não tinha medo nenhum, não me sentia nervosa. Tinho a paz que excede todo o entendimento preenchendo o meu coração (Filipenses 4:7).

Completamos 41 semanas e, na consulta com a Dra Andrea, repetimos a massagem no colo do útero. Ela me orientou a procurar uma acupunturista, pois ela poderia me ajudar a entrar em TP. Fiz 2 ou 3 sessões com ela e tomei um chá horrível demais que ela me receitou. Minha querida doula Camila também foi em casa, fez acupuntura e me deu dois florais para eu tomar.

Por termos passado de 40 semanas, comecei a fazer ultrassonografias com mais frequência. Também cheguei a fazer umas duas cardiotocos. A cada novo exame passava por um grande estresse. Médicos questionando o fato de ainda não ter feito uma cesárea, perguntas sem sentido, olhares indiscretos. As enfermeiras da clínica se apavoravam ao saberem da minha idade gestacional. Importante lembrar que as gestações podem durar 42 semanas. Durante um cardiotoco fui rude com uma delas, mas ela insistia no fato de que a Gabriela não mexia o suficiente e ameaçou buzinar em minha barriga. Discuti, disse que não queria. Ela refez o exame e voltou na sala dizendo que teria mesmo que buzinar a Gabriela. Eu bati o pé. E, no final, o Rô me pediu para que eu a deixasse fazer aquilo para que ele ficasse mais tranquilo. Ela buzinou, imediatamente lágrimas rolaram do meu rosto, minha bebê se mexeu, provavelmente foi acordada no susto e eu pedi perdão a ela por tê-la feito passar por isso.

A essa altura as cobranças e pressões familiares se tornaram mais pesadas. Eu dizia que aqueles questionamentos não me faziam bem e que eu sabia exatamente o que estava fazendo. As brincadeirinhas sobre o parto já me irritavam e eu me protegia nos braços do Rodrigo.

Às vésperas de completarmos 42 semanas voltamos na Dra Andrea. Ela nos tranquilizou e nos deixou muito à vontade. Poderíamos esperar mais alguns dias (os sinais vitais da Gabi estavam perfeitos, líquido amniótico ótimo, placenta nota 10) ou então irmos para a maternidade e começar a tomar uma quantidade mínima de ocitocina para o trabalho de parto engrenar. Eu queria esperar, mas foi então que o Rodrigo desabafou. Ele queria continuar a me acompanhar nas minhas escolhas, mas estava angustiado e disse que não aguentava mais esperar. Ele sempre ouviu que foi salvo pelo médico em uma cesariana porque ele não nascia nunca e creio que isso continuava a assustá-lo. Então fizemos um acordo, se eu não entrasse em TP até sexta-feira, iríamos para a maternidade. Era quarta-feira e achei razoável.

Hoje vejo como esses medos de nossas próprias histórias de nascimento voltam, de alguma forma, quando vamos parir nossos filhos. O Rodrigo com a história da cesariana salvadora com 42 semanas. Eu com tudo o que ouvi da minha mãe sobre não ter tido dilatação, não ter entrado em TP e isso ser comum nas mulheres da nossa família.

O PARTO

Sexta-feira, 28 de agosto de 2009. O TP ativo não havia começado. O dia amanheceu ensolarado e feliz. Eu sabia que em poucas horas iria conhecer o rosto daquela que iria mudar a minha vida, revolucionar minha história. A Camila, nossa doula, veio nos encontrar em casa e trouxe algumas recomendações valiosas para quando chegássemos na maternidade.

Não, eu não estava em trabalho de parto ativo, mas as contrações eram fortes (como há muitos dias) e os funcionários já ficaram de olho em mim. Enquanto o Rô abria a ficha, eu e a Camila fomos para a sala de triagem. Eu tinha uma cartinha da Dra Andrea e a enfermeira logo a reconheceu pelo nome: “É aquela médica que faz parto natural, sem anestesia, né?” O exame de toque confirmou 6 centímetros de dilatação. Comemorei com a Camila, já havia passado da metade do caminho!!!

Entrei naquela sala de parto natural e me senti abençoada. Eu havia sonhado em parir ali, e lá estava eu no meu grande dia. A Dra Andrea logo chegou e veio me ver. Ela estava tão tranquila e em paz – como sempre é – que fiquei ainda mais serena.

Caminhei pelo quarto para ajudar as contrações a engrenarem, queria fazer de tudo para não ter que tomar nem um pouco de ocitocina. O Rô fotografava e filmava tudo. A Andrea iniciou a administração do hormônio ocitocina. Mas garantiu que era a dose mínima e que, assim que as contrações se tornassem ritmadas, fecharia o acesso. Ela me orientou a comer o almoço que a maternidade havia providenciado para ter energia durante o TP.

Olhei para a porta e vi minha irmã, Adriana, entrar. Fiquei feliz, queria muito tê-la ao meu lado naquele momento. Nessa hora também estava no quarto a obstetriz que nos auxiliaria no parto. Uma querida, diga-se de passagem.

Enquanto minha doula saiu para comer alguma coisa, fui examinada pela Andrea. Ela me deu a opção de estourar a bolsa para vermos como estava o líquido já que eu estava com 42 semanas. Eu ainda não sentia contrações muito dolorosas e aceitei. Mas fiquei preocupada com a cara que ela e a auxiliar fizeram. Havia pouco líquido. Fui tranquilizada novamente quando me disseram que a bolsa poderia ter estourado no banho, sem eu perceber, ou o líquido poderia ter começado a sair aos poucos nos últimos dias. Mas o líquido estava limpinho e estava tudo muito bem.

A partir daí comecei a sentir contrações ritmadas e agora mais doloridas. Minha doula voltou e me aconselhou a ir para a bola debaixo do chuveiro. Fiquei lá rebolando sobre a bola, com uma toquinha ridícula no cabelo para não molhar demais e eu não sentir frio. A água quente nas minhas costas ajudou muito a lidar a com a dor.

Mas em algum momento a dor se intensificou e falei para a Camila que estava ficando difícil suportar. Ligaram então a água da banheira para eu entrar. Lembro de, ao atravessar o banheiro, ver a minha médica escrevendo bastante calma no computador dela, meu marido super relaxado teclando no dele e eu ali sentindo aquelas fortes contrações, foi bem estranho. Parecia um mundo paralelo.

Deitei na banheira quentinha e encontrei o meu lugar. Lá recebia massagem da doula e podia olhar tudo a minha volta. Minha irmã estava lá, conversando comigo entre as contrações. Elas, aliás, estavam cada vez mais fortes e com intervalos menores. Eu não controlava esses tempos, mas sabia que o trabalho de parto estava avançando. Fiquei de joelhos e rebolei durante as contrações. Nos intervalos voltava a deitar e relaxar. Meu marido tentou fazer massagem nos meus ombros, mas aquilo mais incomodava do que ajudava. Coitado, só queria ser útil. Eu não o deixava fazer massagem, mas também não o deixava sair de perto de mim.

DSC03172
Mudei de lado na banheira, a essa altura as contrações estavam fortíssimas. Lembro de um exame de toque e 7 centímetros de dilatação. Não gostei de ouvir aquilo, tinha avançado apenas 1 cm desde minha chegada à maternidade. A dor que senti durante o toque também foi horrível. Aninhei-me de tal forma que não queria sair daquela posição para nada. Era eu, Gabi e o ninho.

Apenas balançava meu quadril para um lado e para o outro durante as contrações. Segurava a mão da Camila e não a deixava sair de lá para nada. Ela me passava uma segurança muito grande, segurar em sua mão era como se eu tivesse uma força extra para passar por tudo aquilo. Ela falava baixinho coisas que me ajudavam a lembrar porque eu estava ali e o que eu deveria fazer. Inspiração para mais tarde eu desejar ser doula e também auxiliar outras mulheres com amor.

Nossos CDs de músicas que preparei para o parto tocaram durante todo o TP e também me ajudavam a tentar relaxar. Senti enjôo e me arrependi de ter almoçado. Era como se toda aquela comida estivesse me atrapalhando. Continuei ali, deitada, rebolando e apertando a mão da minha doula.

Já era de tarde, não tenho ideia da hora, mas as contrações se tornaram insuportáveis. Para mim não havia intervalo entre elas. Disse isso para a Andrea e ela falou que era impressão minha. Fiquei brava, como é que eu poderia não saber do que estava falando? Eu estava sentindo, eu sabia o que estava falando. Falei para a Camila que queria descansar entre as contrações e não conseguia porque era uma atrás da outra, estava me sentindo fraca. Uma contração acabava, eu achava que ia relaxar e já vinha outra. Eu fazia biquinho e dizia que não queria sentir assim, tão rápido outra. Brincavam comigo, falavam do meu biquinho, eu não entendia a graça. Pedi para a médica fechar a ocitocina e ela disse que já havia feito isso quando o TP começou a engrenar.

Ofereceram-me chocolate e suco de uva que eu havia reservado para o parto. Eu estava enjoada e não queria nada daquilo. Não precisava de energia, precisava de fé. Fé para acreditar que conseguiria passar por tudo aquilo porque, naquele momento, parecia que eu não teria força suficiente. Tomei água de canudinho, pois não conseguia levantar meu pescoço da banheira. Estava encaixada lá e não conseguia me mexer. Assim como Gabi estava encaixada para nascer, também fiquei encaixada para o meu renascimento.

O Rô tentou fazer massagem nos meus pés. Mas eu não quis, tinha uma aflição, sei lá, não queria que ele me tocasse naquele momento. Tive dó dele, mas não conseguia falar direito, só pedia desculpas. Ele ficou lá na beirada da banheira me olhando, eu podia sentir o seu amor e isso me dava tanta força. Minha irmã também estava por lá. Quando me perguntavam algo durante a contração eu ignorava, não tinha condições sequer de entender a pergunta.

Aquela sensação ficou intensa demais, contração atrás de contração. Lembrei-me de abrir a boca durante elas e fazia um “aaaaaaaa” bem alto. Fiquei com medo de me escutarem nos corredores. Depois desencanei e verbalizei a dor sem pudores. Era o meu parto. Era um “aaaaaa” com certa sinfonia. Achei engraçado. Como assim engraçado? Devia estar pirando. Como poderia achar graça no meio daquela dor.

A Camila me perguntou minha data de nascimento. O que???? Como assim? Pergunta para o Rodrigo, eu disse. Ela falou que só queria ter certeza de que eu estava na partolândia. Achei graça disso também e percebi que estava na fase de transição, precisava dilatar os últimos centímetros. Comemorei a partolândia. Fiquei feliz por entender o que estava acontecendo comigo. Naquele mar de sentimentos intensos pude me localizar. Mas aí percebi que as contrações não estavam tão mais próximas, apesar da dor ainda forte. Doía demais minha lombar e tinha certeza de que minha pelve ia rachar ao meio. Eu e o Rô começamos a orar em línguas. Orávamos alto. Talvez algumas pessoas não entendessem aquilo, mas estávamos chamando a presença do nosso Deus. Ele orou comigo e me ungiu com óleo santo. Foi o nosso momento, o nosso sagrado.

Em um momento de loucura, chamei o Rodrigo e pedi para que ele ignorasse o plano de parto e chamasse o anestesista. Ele e a Camila me falaram dos riscos de tomar anestesia, sobre as chances do TP parar, de não ser legal para a Gabi. Mas eu estava enlouquecida e pedi para ele chamar e pronto, ele saiu para falar com a Dra. Andrea. Naquele momento me lembrei dos relatos de parto, quando as mulheres escreviam que pensavam: “Que ideia louca foi a minha de ter um parto natural, pára tudo agora”. Por um instante esqueci meu sonho, desejei a anestesia, ou até mesmo a cesárea. Perguntei desesperada para a Andrea quando tempo o anestesista levaria para chegar. Ela respondeu que seria 1 hora. Sai do prumo, disse que não aguentaria, precisavam chamar o anestesista do próprio hospital. Gritei que não daria tempo de esperar pelo outro. Ela sorriu (seu sorriso sempre tranquilizador) e perguntou: “Não vai dar tempo de quê, de ter o bebê? Mas isso não é um problema. Estamos aqui para isso.”

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Do que eu tinha medo? De morrer de dor? Recobrei a consciência e lembrei que não queria ser anestesiada. Chamei o Rodrigo e perguntei: “Se caso o anestesista chegar e eu não quiser tomar mais anestesia, posso me recusar, né?” Não, eu não queria a anestesia, mas tinha medo do desconhecido. Naquela loucura de pensamentos cheguei a calcular o quanto a mais iria me custar um anestesista. Sim, louca de pedra.

Comecei a sentir vontade de fazer força. Perguntei se poderia. A obstetra disse que sim, que deveria fazer o que meu corpo pedisse. Mais um exame de toque e 9 centímetros. “Como assim? Cadê os 10 que preciso?” – pensei.

Durante as contrações eu fazia força e isso me data um alívio muito grande. Cheguei a fazer umas bolinhas de cocô na água. Sim, mulheres podem fazer cocô durante o parto. Sem nojinhos, amore. Fiquei com vergonha, mas falaram que era normal. Minha irmã ia com uma peneira recolhendo tudo. Senti uma sensação muito boa por seguir meus instintos, por saber a hora de fazer força, por sentir meu corpo trabalhando. Falaram que eu precisava sair um pouco da banheira para trocar a água, que já estava fria. Eu não quis me mexer. Então a água foi sendo trocada aos poucos, comigo lá dentro mesmo.

Mais um exame de toque, 10 centímetros, foi doloroso, mas foi ótimo saber que já havia dilatação total. Senti a cabeça da Gabriela começar a passar pela pelve, foi um incômodo estranho e na minha mente veio um questionamento sem sentido: “E se ela não conseguir descer? E se ficar presa na minha pelve? E se ela arrebentar minha bacia?” Tive medo. Era um medo do desconhecido de não saber o que estava por vir. Mas eu precisava fazer força, era mais forte do que eu, meu corpo me dizia aquilo. Continuei a empurrar. Último exame de toque. A obstetriz me disse: “Ela está aqui e é cabeluda! Você não quer se tocar para senti-la?”

Coloquei o dedo dentro da vagina e senti a cabecinha dela, macia e com cabelos. Meu Deus, o que foi aquele sentimento? Comecei a chorar de emoção e rir de alegria. Que felicidade era poder tocar na minha princesa. Minha filha. Minha promessa.

Aquele contato com ela me deu um poder que eu não consigo explicar, mas consegui mandar todos os medos embora. Eu sabia que nós conseguiríamos passar por isso juntas e todas as minhas forças foram restauradas.

As contrações eram bastante espaçadas, mas quando vinham, eu fazia força. Lembro que nos intervalos era uma grande calmaria. Todos ao redor da banheira, a música tocando ao fundo, louvores ao meu Deus. A hora estava chegando. Em algum momento disseram que iriam chamar o pediatra. A luz estava baixa, o clima era ótimo. Agora eu me sentia segura e tranquila.

Mais algumas forças e a cabecinha dela começou a aparecer. Senti uma queimação, era o círculo de fogo. A Andrea lembrou-me que ela iria dar dois passinhos para frente e um para trás até sair totalmente. Pude vê-la através do espelho que colocaram na minha frente e mais uma vez toquei sua cabeça. Quanto amor pude sentir! Não sei quantas forças foram necessárias, quanto tempo durou o expulsivo, mais lembro de sua cabeça sair e, uma força depois, seu corpinho. Imediatamente a dor cessou. Ela veio para o meu colo. Eu disse que ela era muito bem vinda. Que era muito amada.

gabi-parto
O Rô estava ao nosso lado. Orou e cortou o cordão umbilical. A pediatra humanizada olhava e aguardava o nosso tempo. Sem intervenções. Mas Gabi precisou ser examinada e recebeu um pouquinho de oxigênio. O Rô a acompanhou em todo o tempo e logo a trouxe para mim. Depois me confessou que pensava que a experiência do parto seria especial para mim, mas que havia sido muito importante para ele também.

Antes ainda a médica me examinou e esperou a placenta que logo saiu. Não tive laceração que precisasse de pontos.

Lá mesmo, ainda na sala de parto eu a olhei e ela me olhou… Senti uma das sensações mais estranhas de toda a minha vida. Era como se eu conhecesse aquele olhar, inexplicável… e nós duas nos apaixonamos. Tentei amamentá-la, mas ela apenas cheirava e lambia meus seios.

Gabi nasceu à vésperas de completar 42 semana de gestação. Ao som de Agnus Dei. Não sofreu intervenções desnecessárias. Sem colírio irritativo, sem picadas, sem esfregação, sem sondas, com respeito. 47 centímetros e 2870 gramas. Ou seja, estava no tempo dela, e ela é sim mignon, como nós também o somos. Se tivesse sido arrancada do útero em uma cesárea eletiva antes de 40 semanas poderia ter ido parar na UTI. Daí a importância de respeitarmos o tempo da natureza.

Minutos após o parto, eu não me sentia cansada, sentia uma força absurda, uma energia sem fim. Eu queria rir, queria olhá-la, queria amar… Era muito amor em mim… Sentia-me viva. Renasci naquele parto. Eu pari por mim, por minhas avós, por minha mãe, por minha sogra, por minha irmã… E como eu queria dizer para todas as mulheres que elas também eram capazes e não deveriam ser roubadas por médicos cesaristas. Teve início um novo tempo em minha vida.

18/7 2014

Relato de parto – Alessandra – parte 3

Por Alessandra | Sem Comentários

Relato de parto – nascimento da Gabriela
Mãe Alessandra – Pai Rodrigo
Parto Natural Hospitalar

PARTE 3 – O PARTO

Depois de semanas de pródromos, com contrações diárias e 4 centímetros de dilatação, às vésperas de completarmos 42 semanas, voltamos na Dra Andrea. Ela nos tranquilizou e nos deixou muito à vontade. Poderíamos esperar mais alguns dias (os sinais vitais da Gabi estavam perfeitos, líquido amniótico ótimo, placenta nota 10) ou então irmos para a maternidade e começar a tomar uma quantidade mínima de ocitocina para o trabalho de parto engrenar. Eu queria esperar, mas foi então que o Rodrigo desabafou. Ele queria continuar a me acompanhar nas minhas escolhas, mas estava angustiado e disse que não aguentava mais esperar. Ele sempre ouviu que foi salvo pelo médico em uma cesariana porque ele não nascia nunca e creio que isso, de alguma forma, continuava a assustá-lo. Então fizemos um acordo, se eu não entrasse em TP até sexta-feira iríamos para a maternidade. Era quarta-feira e achei razoável.

Sexta-feira, 28 de agosto de 2009. O TP ativo não havia começado. O dia amanheceu ensolarado e feliz. Eu sabia que em poucas horas iria conhecer o rosto daquela que iria mudar a minha vida, revolucionar minha história. A Camila, nossa doula, veio nos encontrar em casa e juntos fomos para a maternidade.

Não, eu não estava em trabalho de parto ativo, mas as contrações eram fortes (como há muitos dias) e os funcionários já ficaram de olho em mim. Enquanto o Rô abria a ficha, eu e a Camila fomos para a sala de triagem. Eu tinha uma cartinha da Dra Andrea e a enfermeira logo a reconheceu pelo nome: “É aquela médica que faz parto natural, sem anestesia, né?” O exame de toque confirmou 6 centímetros de dilatação. Comemorei com a Camila, já havia passado da metade do caminho!!!

Entrei naquela sala de parto natural e me senti abençoada. Eu havia sonhado em parir ali, e lá estava eu no meu grande dia. A Dra Andrea logo chegou e veio me ver. Ela estava tão tranquila e em paz – como sempre é – que fiquei ainda mais serena.

Caminhei pelo quarto para ajudar as contrações a engrenarem, queria fazer de tudo para não ter que tomar nem um pouco de ocitocina. O Rô fotografava e filmava tudo. A médica iniciou a administração do hormônio ocitocina e garantiu que era a dose mínima e que, assim que as contrações se tornassem ritmadas, fecharia o acesso.

Ela me orientou a comer o almoço que a maternidade havia providenciado para ter energia durante o TP. Olhei para a porta e vi minha irmã, Adriana, entrar. Fiquei feliz, queria muito tê-la ao meu lado naquele momento. Nessa hora também estava no quarto a obstetriz que nos auxiliaria no parto, uma querida, diga-se de passagem.

Enquanto minha doula saiu para comer alguma coisa, fui examinada pela Andrea. Ela me deu a opção de estourar a bolsa para vermos como estava o líquido já que eu estava com 42 semanas. Eu ainda não sentia contrações muito dolorosas e aceitei. Mas fiquei preocupada com a cara que ela e a auxiliar fizeram. Praticamente não havia líquido. Fui tranquilizada novamente quando me disseram que a bolsa poderia ter estourado no banho, sem eu perceber, ou o líquido poderia ter começado a sair aos poucos nos últimos dias. Mas o que saiu de líquido era claro e limpo. Estava tudo muito bem.

A partir daí comecei a sentir contrações ritmadas e agora mais doloridas. Minha doula voltou e me aconselhou a ir para a bola debaixo do chuveiro. Fiquei lá rebolando sobre a bola, com uma toquinha ridícula no cabelo para não molhar demais e eu não sentir frio. A água quente nas minhas costas ajudou muito a lidar a com a dor.

Mas em algum momento a dor se intensificou e falei para a Camila que estava ficando difícil suportar. Ligaram, então, a água da banheira para eu entrar. Lembro de, ao atravessar o banheiro, ver a minha médica escrevendo bastante calma no computador dela, o Rodrigo super relaxado teclando no dele e eu ali sentindo aquelas fortes contrações, foi bem estranho. Parecia que eles estavam em um mundo paralelo.

Deitei na banheira quentinha e encontrei o meu lugar. Lá recebia massagem da doula e podia olhar tudo a minha volta. Minha irmã estava lá, conversando comigo entre as contrações. Elas, aliás, estavam cada vez mais fortes e com intervalos menores. Eu não controlava esses tempos, mas sabia que o trabalho de parto estava avançando. Fiquei de joelhos e rebolei durante as contrações. Nos intervalos voltava a deitar e relaxar. Meu marido tentou fazer massagem nos meus ombros, mas aquilo mais incomodava do que ajudava. Coitado, só queria ser útil. Eu não o deixava fazer massagem, mas também não o deixava sair de perto de mim.

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Mudei de lado na banheira, a essa altura as contrações estavam fortíssimas. Lembro de um exame de toque e 7 centímetros de dilatação. Não gostei de ouvir aquilo, tinha avançado apenas 1 cm desde minha chegada à maternidade. A dor que senti durante o toque também foi horrível. Aninhei-me de tal forma que não queria sair daquela posição para nada. Éramos eu, Gabi e o ninho.

Apenas balançava meu quadril para um lado e para o outro durante as contrações. Segurava a mão da Camila e não a deixava sair de lá para nada. Ela me passava uma segurança muito grande, segurar em sua mão era como se eu tivesse uma força extra para passar por tudo aquilo. Ela falava baixinho coisas que me ajudavam a lembrar porque eu estava ali e o que eu deveria fazer. Inspiração para mais tarde eu desejar ser doula e também auxiliar outras mulheres com amor.

Nossos CDs de músicas que preparei para o parto tocaram durante todo o TP e também me ajudavam a tentar relaxar. Senti enjoo e me arrependi de ter almoçado. Era como se toda aquela comida estivesse me atrapalhando. Continuei ali, deitada, rebolando e apertando a mão da minha doula.

Já era de tarde, não tenho ideia da hora, mas as contrações se tornaram insuportáveis. Para mim não havia intervalo entre elas. Disse isso para a Andrea e ela falou que era impressão minha. Fiquei brava, como é que eu poderia não saber do que estava falando. Eu estava sentindo, eu sabia o que estava falando. Falei para a Camila que queria descansar entre as contrações e não conseguia porque era uma atrás da outra, estava me sentindo fraca. Uma contração acabava, eu achava que ia relaxar e já vinha outra. Eu fazia biquinho e dizia que não queria sentir assim, tão rápido outra. Brincavam comigo, falavam do meu biquinho, eu não entendia a graça. Pedi para a médica fechar a ocitocina e ela disse que já havia feito isso quando o TP começou a engrenar.

Ofereceram-me chocolate e suco de uva que eu havia reservado para o parto. Eu estava enjoada e não queria nada daquilo. Não precisava de energia, precisava de fé. Fé para acreditar que conseguiria passar por tudo aquilo porque, naquele momento, parecia que eu não teria força suficiente. Tomei água de canudinho, pois não conseguia levantar meu pescoço da banheira. Estava encaixada lá e não conseguia me mexer. Assim como Gabi estava encaixada para nascer, também fiquei encaixada para o meu renascimento.

O Rô tentou fazer massagem nos meus pés. Mas eu não quis, tinha uma aflição, sei lá, não queria que ele me tocasse naquele momento. Tive dó dele, mas não conseguia falar direito, só pedia desculpas. Ele ficou lá na beirada da banheira me olhando, eu podia sentir o seu amor e isso me dava tanta força. Minha irmã também estava por lá e isso foi tão important para mim. Quando me perguntavam algo durante a contração eu ignorava, não tinha condições sequer de entender a pergunta.

Aquela sensação ficou intensa demais, contração atrás de contração. Lembrei-me de abrir a boca durante elas e fazia um “aaaaaaaa” bem alto. Fiquei com medo de me escutarem nos corredores. Depois desencanei e verbalizei a dor sem pudores. Era o meu parto. Era um “aaaaaa” com certa sinfonia. Achei engraçado. Como assim engraçado? Devia estar pirando. Como poderia achar graça no meio daquela dor?

doula-parto-alessandra

A Camila me perguntou minha data de nascimento. “O que???? Como assim? Pergunta para o Rodrigo”, eu disse. Ela falou que só queria ter certeza de que eu estava na partolândia. Achei graça disso também e percebi que estava na fase de transição, precisava dilatar os últimos centímetros. Comemorei a partolândia. Fiquei feliz por entender o que estava acontecendo comigo. Naquele mar de sentimentos intensos pude me localizar. Mas aí percebi que as contrações não estavam mais tão próximas uma da outra, apesar da dor ainda forte. Doía demais minha lombar e tinha certeza de que minha pelve ia rachar ao meio. Aquilo, sim, era insuportável. Eu e o Rô começamos a orar em línguas. Orávamos alto. Talvez algumas pessoas não entendessem aquilo, mas estávamos chamando a presença do nosso Deus. Ele orou comigo e me ungiu com óleo santo. Foi o nosso momento, o nosso sagrado.

Em um momento de loucura, chamei o Rodrigo e pedi para que ele ignorasse o plano de parto (no plano de parto eu havia escrito que sabia que em algum momento poderia pedir anestesia, mas que não queria que me dessem) e chamasse o anestesista. Ele e a Camila me falaram dos riscos de tomar anestesia, sobre as chances do TP parar, de não ser legal para a Gabi. Mas eu estava enlouquecida e pedi para ele chamar e pronto, ele saiu para falar com a Dra. Andrea. Naquele momento me lembrei dos relatos de parto, quando as mulheres escreviam que pensavam: “Que ideia louca foi a minha de ter um parto natural, pára tudo agora”. Por um instante esqueci meu sonho, desejei a anestesia, ou até mesmo a cesárea. A Dra. Andrea veio me dizer que já havia chamado o anestesista da sua equipe. Perguntei desesperada quando tempo ele levaria para chegar. Ela respondeu que seria 1 hora. Sai do prumo, disse que não aguentaria, precisavam chamar o anestesista do próprio hospital. Gritei que não daria tempo de esperar pelo outro. Ela sorriu (seu sorriso sempre tranquilizador) e perguntou: “Não vai dar tempo de quê, de ter o bebê? Mas isso não é um problema. Estamos aqui para isso.”

Do que eu tinha medo? De morrer de dor? Recobrei a consciência e lembrei que não queria ser anestesiada. Chamei o Rodrigo e perguntei: “Se caso o anestesista chegar e eu não quiser tomar mais anestesia, posso me recusar, né?” Não, eu não queria a anestesia, mas tinha medo não sei de quê… do desconhecido, com certeza. Naquela loucura de pensamentos cheguei a calcular o quanto a mais iria me custar um anestesista. Sim, louca de pedra. Mas eles haviam seguido meu plano de parto e não chamaram ninguém.

Comecei a sentir vontade de fazer força. Perguntei se poderia. A obstetra disse que sim, que deveria fazer o que meu corpo pedisse. Mais um exame de toque e 9 centímetros, como assim? Cadê os 10 que preciso? – pensei.

Durante as contrações eu fazia força e isso me data um alívio muito grande. Cheguei a fazer umas bolinhas de cocô na água. Sim, mulheres podem fazer cocô durante o parto. Sem nojinhos, amore. Fiquei com vergonha, mas falaram que era normal. Minha irmã ia com uma peneira recolhendo tudo. Senti uma sensação muito boa por seguir meus instintos, por saber a hora de fazer força, por sentir meu corpo trabalhando. Falaram que eu precisava sair um pouco da banheira para trocar a água, que já estava fria. Eu não quis me mexer. Então a água foi sendo trocada aos poucos, comigo lá dentro mesmo.

Mais um exame de toque, 10 centímetros, foi doloroso, mas foi ótimo saber que já havia dilatação total. Senti a cabeça da Gabriela começar a passar pela pelve, foi um incômodo estranho e na minha mente veio um questionamento sem sentido: “E se ela não conseguir descer? E se ficar presa na minha pelve? E se ela arrebentar minha bacia?” Tive medo. Era um medo do desconhecido de não saber o que estava por vir. Mas eu precisava fazer força, era mais forte do que eu, meu corpo me dizia aquilo. Continuei a empurrar. Último exame de toque. A obstetriz me disse: “Ela está aqui e é cabeluda! Você não quer se tocar para senti-la?”

Coloquei o dedo dentro da vagina e senti a cabecinha dela, macia e com cabelos. Meu Deus, o que foi aquele sentimento? Comecei a chorar de emoção, eu ria de alegria. Que felicidade era poder tocar na minha princesa. Minha filha. Minha promessa.

Aquele contato com ela me deu um poder que eu não consigo explicar, mas consegui mandar todos os medos embora. Eu sabia que nós conseguiríamos passar por isso juntas e todas as minhas forças foram restauradas.

As contrações eram bastante espaçadas, mas quando vinham, eu fazia força. Lembro que nos intervalos era uma grande calmaria. Todos ao redor da banheira, a música tocando ao fundo, louvores ao meu Deus. A hora estava chegando. Em algum momento disseram que iriam chamar o pediatra. A luz estava baixa, o clima era ótimo. Agora eu me sentia segura e tranquila.

Mais algumas forças e a cabecinha dela começou a aparecer. A Andrea me lembrou que ela iria dar dois passinhos para frente e um para trás, até sair totalmente. Pude vê-la através do espelho que colocaram na minha frente e mais uma vez toquei sua cabeça. Quanto amor pude sentir! Não sei quantas forças foram necessárias, quanto tempo durou o expulsivo, mais lembro de sua cabeça sair e, uma força depois, seu corpinho. Imediatamente a dor cessou. Ela veio para o meu colo. Eu disse que ela era muito bem vinda. Que era amada.

O Rô estava ao nosso lado. Orou e cortou o cordão umbilical. A pediatra humanizada olhava e aguardava o nosso tempo. Sem intervenções. Mas Gabi precisou ser examinada e recebeu um pouquinho de oxigênio. O Rô a acompanhou em todo o tempo e logo a trouxe para mim.

Antes ainda a médica me examinou e esperou a placenta que logo saiu. Não tive laceração que precisasse de pontos.

Lá mesmo, ainda na sala de parto, eu a olhei e ela olhou para mim… e senti uma das sensações mais estranhas de toda a minha vida. Era como se eu conhecesse aquele olhar, inexplicável… e nós duas nos apaixonamos. Tentei amamentá-la, mas ela apenas cheirava e lambia meus seios. Gabi nasceu às 17h30. Foram cerca de 5 horas de TP ativo.

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Eu não me sentia cansada, sentia uma força absurda, uma energia sem fim. Eu queria rir, queria olhá-la, queria amar… Era muito amor em mim… Sentia que eu podia fazer qualquer coisa na vida! Sentia-me viva. Renasci naquele parto. Eu pari por mim, por minhas avós, por minha mãe, por minha sogra, por minha irmã… e como eu queria dizer para todas as mulheres que elas também eram capazes e não deveriam ser roubadas desse privilégio. Começou aí um novo tempo em minha vida…

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01/4 2013

Primeiro de Abril, parto pelo convênio e Ministério da Saúde

Por Alessandra | Sem Comentários

Dar atendimento para a gestante somente em caso de cesárea é uma forma de violência obstétrica

Dar atendimento para a gestante somente em caso de cesárea é uma forma de violência obstétrica

 

Grávida de 39 semanas, Sara entrou em trabalho de parto. Sua doula foi encontra-la em casa e lá as duas ficaram junto com o marido, entre massagens, caminhadas e banhos quentes. As contrações ficaram mais intensas e o intervalo entre elas havia diminuído. Conversaram com a obstetra que a acompanhava e decidiram que era a hora de ir para a maternidade.

O local já havia sido escolhido há meses. Uma grande maternidade paulista conhecida por ser uma das poucas que ainda permite a entrada de doulas. Esse era o plano de Sara: ter um parto respeitoso, natural e sem intervenções desnecessárias. Sara leu, informou-se e buscou apoio em uma equipe humanizada.

O grande dia havia chegado. Seu bebê mostrou que estava pronto para nascer e o trabalho de parto progredia tranquilamente. Tudo estava caminhando conforme havia sonhado, até chegar na maternidade:

– Senhora, seu plano de saúde não cobre parto normal. Não cobre parto sem avisar, assim de uma hora para outra. Terá que pagar particular.
– Como assim? Meu convênio cobre todas as custas de atendimento obstétrico, inclusive o parto.
– A senhora está enganada. Só cobre cesárea porque tem agendamento prévio. Parto normal assim, na hora que o bebê escolhe nascer não tem cobertura. É muita folga dele achar que pode nascer quando quiser.

– Mas é parto. E parto de verdade não tem hora para acontecer. Que absurdo é esse?

——–*****——-*****———

Sim, hoje é 1º de Abril, mas o texto acima não é nenhuma piada. Os personagens são fictícios, mas representam uma realidade que vem acontecendo há algum tempo. Planos de saúde se recusando a prestar atendimento em casos de parto normal. Foi o que denunciou ontem a Folha de S.Paulo nesta reportagem. Muitas gestantes que haviam buscado atendimento do parto por alguns convênios não tiveram cobertura por não terem agendado o procedimento. Mas como é que se agenda um parto normal? E esse não deveria ser o modelo mais normal a acontecer?

No país campeão da cesárea o plano de saúde se acha no direito de exigir que suas clientes tenham seus partos através da cirurgia. Um grande absurdo. Trata-se de mais um exemplo de violência obstétrica.

Para driblar esse problema burocrático, algumas mulheres com a ajuda de seus médicos, solicitam agendamento prévio para realização de cesárea para uma data posterior à sua DPP. Então, ao entrarem em trabalho de parto, apresentam a tal liberação do convênio e são atendidas normalmente.

O fato é que esses planos estão deixando de prestar o serviço para o qual foram contratados e precisam sim ser obrigados a cobrir qualquer tipo de parto. Ao invés de dar jeitinho, exija seus direitos. Confira neste ótimo texto do Mamíferas de que forma você pode agir para que seu plano de saúde cumpra com o que está previsto no caso de atendimento em obstetrícia.

Seria cômico se não fosse extremamente trágico. Seria apenas mais uma piada de 1º de Abril se não refletisse o péssimo cenário obstétrico que temos hoje no Brasil. “Mãezinha, tem que agendar cesárea para que você tenha seu parto coberto pelo convênio.” É crime, é violência obstétrica. Mais uma das terríveis e falsas indicações de cesárea: cordão enrolado no pescoço, bacia pequena, bebê grande e plano de saúde que não cobre parto normal, claro!

A matéria da Folha de S.Paulo foi ao ar no mesmo dia em que a Veja publicou uma outra em que fala sobre a meta do Ministério da Saúde em reduzir em, pelo menos, 10% o número de cirurgias cesarianas na rede pública e conveniada ao SUS. Lá o índice de cesáreas é de 40% enquanto o máximo aceito pela Organização Mundial da Saúde é de 15%.

E na nossa rede particular os números beiram os 90%. Sim, um absurdo! E quem é que vai fazer uma ação para que este número seja diminuído? Quem é que vai punir essas práticas abusivas dos planos de saúde? Quem é que vai punir as falsas indicações de cesáreas dos médicos de convênio? Quem é que vai reformular o que vem sendo ensinado nas universidades com relação à obstetrícia?

O que sei é que nós, como o lado agredido por todas essas práticas, precisamos buscar informação de qualidade, exigir nossos direitos e denunciar tais crimes. É um trabalho de formiguinha, mas precisa começar por nós.

06/12 2012

Saiba o que é uma doula pós-parto

Por Alessandra | Sem Comentários

doula-pos-parto
Os primeiros dias em casa com o bebê não costumam ser muitos tranquilos.

As mulheres estão sensíveis emocionalmente por conta das alterações hormonais, muitas sentem dores causadas pela cesárea e algumas estão extremamente cansadas pelo trabalho de parto.

Aquele bebê tão pequenino que acabou de chegar e depende completamente dela, está passando pelo quarto trimestre (conhecido como período de extero-gestação) e tem grande necessidade de atenção. É muito normal sentir-se insegura nessa hora, com dúvidas essenciais sobre como amamentar e cuidar dele.

O pai, também imerso em novos sentimentos, tenta entender qual é o seu lugar nessa nova situação e de que forma pode ajudar sua companheira.

Se há um filho mais velho, existe ainda a necessidade de incluí-lo e saber como lidar com o ciúmes natural.

E, além de tudo isso, existem as questões com família e visitas. Como lidar com tanta gente querendo conhecer o bebê?

É neste cenário de adaptações e descobertas que o trabalho da doula pós-parto acontece. Sua principal função é dar apoio físico e emocional à mãe.

Mas não se trata de uma enfermeira ou babá que vêm para cuidar do bebê. O foco da doula são as necessidades primordiais da mulher que acabou de dar à luz. Seu principal papel é empoderar a nova mãe , mostrando o quanto está em sua própria natureza ter todas as condições de cuidar do seu filho. A mulher é encorajada a cuidar do bebê e de si própria.

Para isso, a doula traz sugestões de cuidados com o bebê e estratégias para mobilizar familiares e estruturas para darem à mãe o apoio necessário.

>> Algumas das tarefas da doula:
Auxílio para elaboração do plano pós-parto
Orientações para o início da amamentação
Sugestões de cuidados com o bebê (banho, uso de carregadores, formas de acalmá-lo, rotina de sono)
Acolhimento emocional da mãe sem julgamento
Dicas de como inserir o filho mais velho e o parceiro neste novo cenário familiar
Orientações sobre como mobilizar a família para ajudá-la
Orientação nutricional e dicas para facilitar o preparo dos alimentos
Massagem para relaxamento da mãe

A doula também pode auxiliar a mãe em meio ao caos dos primeiros dias como no preparo de alguma refeição (no caso dela ainda não ter conseguido se alimentar), organização das coisas do bebê, olhar o pequenino enquanto ela consegue tomar um banho tranquila, ou fazer as unhas, por exemplo. Aquele tipo de coisa que quem já teve filho sabe muito bem que às vezes parece impossível de fazer nas primeiras semanas, sabe?

Essa é uma ajuda tão bacana que pode, por exemplo, ser dada por amigas da gestante como presente no chá de bebê (vale doula pós-parto).

As doulas pós-parto são muito comuns nos Estados Unidos e na Europa. E os benefícios de seu apoio durante o início do puerpério têm sido destacados como a diminuição da incidência de depressão pós-parto, maiores chances de sucesso na amamentação, facilidade da adaptação da família com o bebê, pais mais seguros.

Quando contratar a doula pós-parto?

O ideal é que ela seja contratada ainda durante a gestação. Porque é possível conhecê-la melhor em um bate papo gostoso, trocar ideias a respeito daquilo que é importante preparar para achegada do bebê e preparar em conjunto um plano pós-parto. A doula ficará disponível para você nas semanas próximas à data provável de parto.

Mas ela pode ser contratada a qualquer momento, mesmo que o bebê já tenha nascido. Muitas vezes a mãe se vê solitária e insegura precisando de ajuda com urgência.

Cada profissional tem características próprias de trabalho. Pode-se iniciar a contratação de uma doula pós-parto por 3 horas, durante 2 dias, por exemplo. O que pode ser perfeitamente prorrogado se houver a necessidade. Outras profissionais estarão disponíveis para passar períodos de 8 horas com a família, 6 dias por semana.

Como contratar uma doula pós-parto?

Se você tiver interesse em contratar uma doula pós-parto entre em contato comigo. Logo teremos uma página na internet com a indicação do nosso trabalho, mas, enquanto isso, posso indicar colegas que estejam mais próximas da sua residência.

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05/5 2014

Matérias que escrevi

Por Alessandra | Sem Comentários

Guia de atividades físicas na gestação
http://bebe.abril.com.br/materia/guia-de-atividades-fisicas-na-gestacao

O que fazer quando a febre aparece
http://bebe.abril.com.br/materia/o-que-fazer-quando-a-febre-aparece

Amamentação prolongada
http://bebe.abril.com.br/materia/amamentacao-prolongada

Dê a devida atenção ao seu períneo durante a gravidez
http://bebe.abril.com.br/materia/de-a-devida-atencao-ao-seu-perineo-durante-a-gravidez

Cuide da alimentação do seu bebê
http://bebe.abril.com.br/materia/cuide-da-alimentacao-do-seu-bebe

Como cuidar da cicatriz da cesárea
http://bebe.abril.com.br/materia/como-cuidar-da-cicatriz-da-cesarea

Gravidez sem ansiedade
http://bebe.abril.com.br/materia/gravidez-sem-ansiedade

Alimentação e amamentação: o que comer e o que evitar
http://bebe.abril.com.br/materia/alimentacao-e-amamentacao-o-que-comer-e-o-que-evitar

Parto em casa
http://bebe.abril.com.br/materia/parto-em-casa

Entenda o que é doula
http://bebe.abril.com.br/materia/entenda-doula

Sintomas que não podem ser ignorados em cada fase da gravidez
http://bebe.abril.com.br/materia/sintomas-que-nao-podem-ser-ignorados-em-cada-fase-da-gravidez

Playlist do parto: músicas para ouvir e relaxar ao dar à luz
http://bebe.abril.com.br/materia/playlist-do-parto-musicas-para-ouvir-e-relaxar-ao-dar-a-luz

Livros indispensáveis para pais de primeira viagem
http://bebe.abril.com.br/materia/15-livros-indispensaveis-para-pais-de-primeira-viagem?origem=homebebe

Matérias que participei

Amamentação com responsabilidade
http://www.alobebe.com.br/revista/amamentacao-com-responsabilidade.html,692

Plano de parto
http://bebe.abril.com.br/materia/plano-de-parto

Guia da amamentação – Revista Cláudia Bebê

19/7 2013

13 dicas para você se preparar para a amamentação

Por Alessandra | Sem Comentários

Como ter sucesso na amamentação

Informação e suporte de qualidade: o segredo para garantir o sucesso na amamentação

Apesar de ser muito natural, a amamentação pode trazer algumas dúvidas, afinal, trata-se de um aprendizado, tanto para a mãe, quanto para o bebê. Mas, então, como podemos nos preparar para a amamentação?

Não, você não precisa passar aquela bucha vegetal nas aréolas e mamilos, como talvez você já tenha ouvido por aí. Hoje já se sabe que isso acaba com a camada de gordura natural que se forma nas mamas e serve para protegê-las, tornando-as ainda mais sensíveis.

A resposta não está nas mamas e sim na cabeça. A melhor forma de estarmos prontas para o aleitamento materno é ter informação de qualidade. Se tivermos a certeza de que podemos amamentar, que nosso leite é o melhor alimento para nossos filhos e que dificuldades podem aparecer mas, com a ajuda correta, elas logo desaparecem, estaremos prontas.

Se você está grávida e quer se preparar para esse momento especial, confira essas dicas:

1. Conheça a importância da primeira mamada
Converse com a equipe que irá atendê-la no parto e diga que você quer amamentar seu bebê na primeira hora de vida. Esse primeiro contato promove a proteção imunológica que o bebê precisa ao nascer, além de ajudar no sucesso da amamentação. Ainda que ele não queira mamar e apenas cheire ou lamba seus mamilos, esse ato ajuda na criação do vínculo entre mãe e filho.No contato pele a pele o bebê sente o cheiro e o calor da mãe, regulando sua temperatura, além de estabilizar sua respiração. Um dado interessante: o colo da mãe sobe até dois graus sua temperatura quando o recém-nascido e colocado sobre eles logo após o parto.

Peça para ficar em alojamento conjunto com seu bebê na maternidade. Essa prática faz com que mãe e bebê fiquem juntos o maior tempo possível, possibilitando o contato pele a pele e permitindo que a equipe do hospital possa auxiliá-la tanto na amamentação como nos primeiros cuidados com o bebê. Assim, você pode amamentá-lo sempre que ele requisitar e evita que seja dado leite artificial a ele.

2. Mantenha distância de bicos artificiais
Bicos de silicone, muitas vezes indicados já dentro das maternidades, só atrapalham a amamentação. Eles não permitem que a ordenha seja feita corretamente, diminuindo a quantidade de leite e ferindo os mamilos. Independente do tipo de mamilo que você tenha, não há necessidade de usar um intermediário, porque bebê não mama o bico e sim a aréola, onde estão concentrados os seios lactíferos, conhecidos como “bolsões de leite”.Chupetas e mamadeiras também são grandes vilões, pois costumam causar confusão de bico, fazendo com que o bebê deixe de querer mamar diretamente no peito. Se, por qualquer motivo, for necessário ordenhar e dar o leite materno de outra forma escolha o método do copinho ou a colher.

3. Tire o foco da balança
Nos primeiros dias o bebê irá mamar apenas o colostro. Os seios ainda estarão macios e o bebê aprenderá a fazer a pega correta. Após 3 ou 5 dias, acontece a descida do leite e os seios ficarão mais cheios.Todo bebê perde peso no início. A natureza é sábia e, por isso, nós já nascemos com uma reserva de energia. Essa perda de peso é, em média, de 10%, e ele pode ser recuperado até um mês após o nascimento.

Cada pessoa é diferente da outra e os bebês também têm suas particularidades. Por isso, se algum profissional disser que você precisa complementar a amamentação com leite artificial, busque a opinião de um especialista em amamentação que possa ajudá-la a corrigir possíveis problemas de pega e melhorar as mamadas.

E lembre-se: os gráficos de crescimento são feitos baseados em médias e isso significa que é normal, sim, ter crianças acima ou abaixo da média.

4. Aprenda a aumentar a produção
Apenas o ganho de peso não é fator decisivo para dizer que o bebê não está mamando o suficiente. Se ele estiver molhando entre 4 a 6 fraldas de xixi diariamente e estiver “espertinho”, ele estará bem hidratado.No caso de precisar aumentar a produção de leite beba bastante líquidos, descanse e aumente o número de mamadas. Outro fator fundamental é amamentar ou ordenhar as mamas de madrugada. Temos um pico de prolactina durante a noite e é importante estimular a produção neste período.

Nosso psicológico também influencia muito na produção de leite. Então, se perceber que está vivendo momentos de estresse, peça a ajuda de familiares para que essa situação seja solucionada e você possa voltar a relaxar e a se ocupar com o que você tem de mais importante naquele momento: seu bebê.

5. Conheça as recomendações do Ministério da Saúde
Os bebês devem mamar exclusivamente o leite materno até os 6 meses. Isso significa que até essa idade eles não precisam de mais nada, nem água ou chá. Após esse período inicia-se a introdução de alimentos e a amamentação deve seguir, no mínimo, até 2 anos.

6. Escolha a livre demanda
Hoje já se saber que ter horários rígidos para amamentar não é a melhor opção. Ofereça o peito ao seu filho sempre que ele quiser, pelo tempo que ele desejar. Assim a produção será estimulada e o bebê estará alimentado de forma adequada. Bebês têm a necessidade de sucção, por isso, ele provavelmente irá querer passar mais tempo mamando. Além disso, peito é o acalanto, a segurança e o carinho que ele precisa para entender esse mundo novo.

7. Não tenha leite artificial em casa
Algumas pessoas podem nos dar de presente, na melhor das intenções, uma lata de leite artificial. Agradeça e devolva – ou a dê para alguém que você saiba que já faz uso deste produto. Ter leite em pó próximo da gente pode se tornar uma grande tentação em momentos de dúvida sobre a quantidade de leite materno produzido. Prefira procurar ajuda profissional antes de apelar para este recurso.

8. Ignore conselhos errados
Sim, eles irão aparecer e você pode ignorá-los. Sempre haverá uma mãe, sogra ou amiga que vai te dizer que seu leite não está sendo suficiente e seu bebê está com fome, que chás podem ser dados para aliviar a cólica do bebê e que você está deixando seu filho mimado por permitir que ele fique tanto tempo no seu colo. Também vai ouvir dizer de alguém que se der leite artificial seu filho irá dormir a noite toda porque ele tem é fome. Mas a verdade é que bebês que tomam leite em pó demoram mais tempo para digeri-lo, afinal, ele não foi feito para o nosso organismo. Aliás, não há leite mais adequado para nossos filhos que o leite materno. Seu aparelho digestório ainda não está preparado para receber qualquer outro alimento. Agradeça a dica e a desconsidere.

9. Tenha o contato de grupos de apoio

O pós-parto e o início da amamentação podem ser um momento de muita insegurança e dúvidas. Existem grupos de apoio que nos ajudam a passar por esse momento com mais tranquilidade. Aliás, bater um papo com outras mães e trocar experiências é sempre muito gostoso. Confira alguns deles:

Amigas do Peito

Rio de Janeiro

http://www.amigasdopeito.org.br/
e-mail: amigasdopeito@amigasdopeito.org.br
tel: 21-2285 7779

Matrice
São Paulo
http://matrice.wordpress.com/
e-mail: grupomatrice@gmail.com
tel: 11-996223737

La Leche League Brasil
Rio de Janeiro
http://www.facebook.com/pages/La-Leche-League-Rio/228588697232880?group_id=0
tel: 21-2239-0304 e 21- 8116-4141 (falar com Francesca)

Maceió – Alagoas
tel: 82-3325-5710 (falar com Damaris)
e-mail: pmarroquim@ig.com.br

Grupo Virtual de Amamentação
http://www.facebook.com/groups/266812223435061/

Aleitamento Materno Solidário
http://www.facebook.com/groups/aleitamentomaternosolidario/

10. Saiba onde procurar ajuda
É possível surgirem dúvidas sobre a correta pega do bebê, sobre produção de leite suficiente, fissuras nos mamilos, tipos variados de mamilos (plano, invertido). Mas nada disso é motivo para você deixar de amamentar. Antes de desistir, procure ajuda especializada. Bancos de leite por todo o Brasil têm profissionais capazes de auxiliá-la com dificuldades na amamentação. Você também pode contratar uma consultora em aleitamento materno ou uma doula pós-parto para fazer o atendimento na sua casa.Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano

http://www.redeblh.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=393

11. Eles aprendem rápido
Com o passar do tempo, seu bebê ficará mais eficiente para mamar e aquela mamada que costumava demorar, pelo menos, 20 minutos, será feita em apenas 3 minutos, por exemplo. Não se preocupe, seu bebê terá mamado o suficiente apenas neste tempo. Trata-se da crise dos três meses. Aliás, o mundo estará mais interessante para ele, portanto, ele deixará de querer ficar apenas no peito para começar a observar tudo o que acontece ao seu redor.Também não se preocupe se seus seios não ficarem mais tão cheios, trata-se apenas do nosso corpo adaptando-se à quantidade que o bebê precisa. Em tempo, a maior parte do leite é produzida durante a mamada.

12. Prepare-se para o fim da licença-maternidade
Você não precisa introduzir leite artificial ou alimentos antes do tempo só porque tem que voltar ao trabalho. Comece algumas semanas antes do seu retorno a fazer estoque de leite materno congelado. O leite materno tem duração de 15 dias no freezer.Você pode fazer a ordenha manualmente ou com o auxílio de uma bomba. Já existem alguns lugares que oferecem o aluguel delas.

13. Acredite que amamentar é prazer
Passados os problemas dos primeiros dias, o aleitamento materno torna-se um grande prazer, tanto para a mãe quanto para o bebê. Amamentar é dar o melhor alimento que ele poderia ter e dar, também, carinho, segurança e conforto. Infelizmente ainda vemos muitos profissionais da saúde desencorajarem o aleitamento materno prolongado (após os 2 anos). Mas saiba que não existe hora certa para o desmame. Esse momento deve ser decido entre mãe e bebê.

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15/6 2009

Uma decisão difícil…

Por Alessandra | 3 Comentários

Bom, vamos lá, esse post será longo, aviso já de início.
Em primeiro lugar quero pedir desculpas pelo longo tempo sem escrever… sei o quanto é frustrante entrar em um blog que acompanhamos e nos deparar, dia após dia, com as mesmas notas. Mas os últimos dias têm sido muito loucos. Tenho trabalhado demais e corrido muito atrás das coisas para a chegada de Bibi. Isso inclui nossa mini reforma de casa. Além de outros compromissos pessoais que não vêm ao caso.

Mas este post é para falar sobre uma decisão que eu e o Rô estamos tomando. Lembram-se do post sobre o parto natural que publiquei logo no início da gestação? Pois é, depois dele acabei me envolvendo novamente com a correria do dia-a-dia e não pensei mais no assunto. O fato de também confiar muito na Dra. Érika, fez com que eu pensasse simplesmente que ela faria o melhor por mim.
Desde o início deixei claro para ela minha decisão pelo parto normal, e ela se mostrou muito apoiadora quanto a isso. Mas sempre que eu queria falar sobre os detalhes do parto ela dizia que conversaríamos sobre isso mais para frente.

Certo dia cheguei mais cedo na Abril e decidi tomar café da manhã no restaurante (coisa que só faço quando vou à academia logo cedo), mas acredito que Deus tinha um propósito em eu começar aquele dia de forma diferente. Quando fui pagar a comida, ouvi a caixa (que também está grávida) conversando com a Marcinha (uma jornalista da casa) sobre partos humanizados. A Marcinha logo olhou para mim e viu que fiquei interessada no assunto convidando-me para sentar com ela.

Foi maravilhoso ouvi-la contar sobre sua experiência de parto humanizado realizado no São Luiz (hospital que escolhemos para a Gabi nascer). Parto na hora certa, com liberdade de movimentos, sem lavagem, sem tricotomia, sem ocitocina, sem episio, sem analgesia… podendo curtir o bebê logo após o nascimento… pai que corta cordão quando ele para de pulsar… recuperação a jato, sem cortes, sem dramas…
Voltei a pensar com o parto natural. Eu já havia sonhado com um parto assim e sabia que me corpo estava preparado para isso (não me pergunte como sei, só sei…). Li mais sobre o assunto, visitei vários sites e emocionei-me ao ler os relatos de parto. Sentia que precisava passar por isso e resolvi falar com minha médica sobre os detalhes do parto.

Com já estávamos na consulta do sétimo mês, a Dra. aceitou falar sobre os detalhes do parto. Se realmente corresse tudo bem faríamos um normal com ocitocina e episio. “Mas é sempre necessário isso?” – perguntei incomodada. “Sim” – respondeu ela… fiquei sem chão. Gosto muito dela e confio nela… mas este é o procedimento dela… e eu não quero ter que passar por um normal assim ou correr o risco de uma cesárea desnecessária. Já imaginei o parto: eu amarrada na maca, pernas do estribo, remédio na veia, com anestesia, fazendo força quando a médica percebe que vem a contração e com um baita corte no períneo para a Gabi nascer mais depressa. Logo a levariam para todos os procedimentos de praxe deixando a mamãe toda parada lá, fazendo a limpeza interna… sinceramente, eu não sonho com isso… Também fiquei triste quando ela vacilou para confirmar que o Rô cortaria o cordão e se eu poderia amamentá-la de imediato… Mais uma coisa: agora ela sairá de férias na última semana se julho… fiquei muito insegura.

Procurei a Marcinha e pedi o contato de sua obstetra, para pensar em um plano B, conhecer minhas opções, apenas isso.
Nesta segunda-feira fomos à primeira consulta. Ainda não nos decidimos. Sinto uma estranha sensação de que não posso trair a Érika… isso é tão esquisito… Mas sei que se continuar lá não poderei fazer as escolhas que tenho sonhado…
Sei que ela será muito competente e fará o seu melhor, dentro daquilo que é o procedimento dela. Mas não sei se esse procedimento é o que nos fará bem.

De qualquer forma pedimos a paciência, carinho e compreensão de toda a família. Ainda não decidimos nada. Mas optar pelo parto natural implicará em esperar entrar em trabalho de parto (mesmo que passem as 40 semanas), e passar por um parto que pode ser longo (família esperando na sala de espera do hospital completamente ansiosa), em acreditarem que estamos escolhendo o melhor para nossa família e confiar em nossas escolhas (TODAS).

Queremos escolher a melhor opção para nós e a Bibi. E estamos orando para Deus confirmar nossas escolhas.

Aproveito para fazer um apelo a todas as mulheres que desejam passar por um parto normal: informem-se, leiam, não fiquem caladas. Nós temos o direito de decidir a maneira que nossos filhos nascerão. Nós podemos e temos o dom de dar a luz. Não desistam de si mesmas. E consultem médicos que têm esse histórico humanizado. São muitas as desculpas usadas para que 90% dos partos em hospitais particulares sejam cesáreas…
Vocês sabem que não sou feminista. Esse não é um discurso feminista. Quero apenas deixar claro que Deus nos fez perfeitas para sermos capazes de gerar filhos em benção.

Ah, muuuuuuuuito obrigada, meu amor. Você tem sido maravilhoso em me apoiar e acompanhar ativamente nesta aventura!!! Deus tem nos abençoado sobrenaturalmente!

Alguns links interessantes para leitura:
http://www.maternidadeativa.com.br/
http://www.amigasdoparto.com.br/
http://www.partodoprincipio.com.br/ 

Beijos,
Lelê

Obs: Amigas barrigudas, se precisarem de ajuda falem comigo.

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Escolhi ser Mãe | 2013
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