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18/4 2011

Baby blues

Por Alessandra | Sem Comentários

Eu havia acabado de chegar em casa da maternidade e estava feliz demais por ter em meus braços a realização de uma grande sonho. Gabriela  é a materialização de um amor sem limites que há muito eu guardava em meu coração.

Mas esta alegria foi logo atropelada por uma incontrolável vontade de chorar. Eu simplesmente chorava, sem ter motivos. Sentia medo sem saber do quê e queria ter o Rodrigo por perto para me dar segurança. Mas ele precisava trabalhar e ainda estudava à noite, ou seja, ele quase não podia ficar ao meu lado naqueles primeiros dias. Minha mãe estava cuidando da minha avó doente e minha irmã tinha uma bebê pequena para ocupar-se. Sentia-me sozinha. Era muita mudança ao mesmo tempo e eu não conseguia colocar ordem no caos que havia se instalado na minha vida. Eu praticamente não dormia, não comia, não conseguia tomar banho direito. Gabriela era muito pequena, precisava de atenção, peito e muito colinho. E eu queria suprir sua necessidade. Mas será que eu estava fazendo tudo certo? Será que a partir do nascimento de minha filha minha vida seria para sempre um caos?

Eu chorava e pedia para o meu marido não me deixar só. O telefone tocava com pessoas queridas sedentas por notícias. Outras tantas chegavam sem avisar para nos trazer carinho e presentes, mas como eu poderia recebê-las se eu mal conseguia tirar o pijama? Meu peito rachou e comecei a andar pela casa sem blusa, sem sutiã, para o contato da roupa não piorar a situação. Também tomava um pouco de sol na lavanderia para cicatrizar os mamilos. Eu pingava leite por toda a casa. E lembro-me ainda de alguém me perguntar o que eu serviria para as visitas… Hein? Como assim? Eu não conseguia fazer nem um ovo mexido para mim… Roupinhas de bebê sujas com cocozinho e blusas minhas lavadas de leite se acumulavam na lavanderia. E eu, feliz demais por ser mamãe, agora também chorava sem parar e não encontrava motivos para este pranto dolorido.

Chegamos a ligar para os nossos Apóstolos pensando que poderia ser alguma questão espiritual e pedimos oração. Mas a Apóstola Alice bem lembrou: “Querida, são os seus hormônios”. Ela estava completamente certa.

Mais de 80% das mulheres sofre de Baby Blues na primeira semana pós-parto. São os homônios da gravidez caindo de forma vertiginosa, os da amamentação surgindo sem avisar, o cansaço do trabalho de parto aliado ao cansaço dos primeiros dias com o bebê, muita novidade de uma vez só, insegurança. O baby blues desaparece da mesma maneira como surgiu. Pode durar de 15 dias a um mês. Em alguns casos pode evoluir para depressão pós-parto e ser necessário o acompanhamento psicológico e, até mesmo, o uso de remédios.

Mas na maioria das vezes, amor, carinho e compreensão da família é o suficiente para garantir que a mamãe passe por isso numa boa. Agradeço a Deus pela vida do Rodrigo que fez de tudo para me ajudar, com muito amor.
Lembro-me de ouvir pessoas mais velhas falarem: “Depressão pós-parto? Imagine só! É coisa de mulher fútil. Imagine se eu tive tempo para me dar ao luxo de sentir isso.” Pura e triste ignorância aliada a uma dose de preconceito e medo de expor seus sentimentos. Triste.

Ontem conversei com uma mamãe de primeira viagem que está passando por isso. Expliquei que era super normal e que eu também havia tinha baby blues. Nessas horas é muito importante ouvir de pessoas mais experientes que é normal e que logo vai passar.

A maternidade me ensinou muitas coisas, entre elas, o valor de João 8:32 “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” O conhecimento da verdade nos liberta, e quem não o busca perece.

Beijos
Lelê

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