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21/10 2011

Do tamanho do mundo todo

Por Alessandra | Sem Comentários

Sabe quando a gente passa por uma situação difícil e  acha que o nosso problema é o pior de todos, a nossa dor é a mais doída e a injustiça que sofremos a mais absurda? Pois então, nessas horas o que nos conforta é um abraço apertado, saber que quem amamos está por perto e ouvir que apesar de muito complicado, aquilo vai passar, né?

Com nossos pequenos a coisa também funciona assim. E o que torna suas experiências ainda mais  importantes é que, a partir delas, virá todo  o aprendizado de como lidar com as dificuldades da vida. A primeira infância dos nossos filhos é  fundamental par a definir sua personalida, seu caráter e suas preferências. Por isso, torna-se  tão importante darmos o crédito correto àquilo que acontece em suas vidas.  

Quem nunca viu essa cena?
A criança cai, se machuca levente e começa a chorar. Logo um adulto a coloca no colo e, ignorando completamente o que o pequeno está sentindo, começa a  tagarelar enfaticamente: “Olha só o passarinho lá no céu. Ele está voando. Olha lá a árvore, ela tem folhas verdes!”  . E entre frases cheias de emoção e gestos assustadores –  como jogar a criança para cima e tal –  tenta fazê-la parar de chorar e esquecer o que se passou.

Eu, particularmente, fico doida quando alguém faz isso com minha Gabriela. Para ela, que acabou de passar por uma experiência ruim e se machucou, aquela  dor é do tamanho do mundo todo. Para ela, cujos pezinhos vacilaram, aquele tombo é muito importante. Para ela, que se viu errando, aquele aprendizado é o mais fundamental. E lidar com todos esses sentimentos ainda é novidade para alguém que chegou a esse mundo louco a tão pouco tempo.

Não creio que ignorar  o assunto seja a atitude mais saudável da nossa parte, nessa hora. Seria algum aprendizado do  tipo: “O que você viveu não  é importante , não ligo, não dou a mínima. Não dê você também.”  Alguns poderiam dizer: “Mas é apenas para a criança parar de chorar, depois a  gente vê o que aconteceu direito.” Então seria essa a psicologia do “engula o choro”, “chorar é para fracos”?
Chorar quando temos vontade é muito saudável. Deixar o sentimento vir à tona, libertá-lo e junto libertar-se com cada lágrima que rolar.

Isso também se aplica quando eles se frustram por algo que gostariam que tivesse acontecido. Ou com alguma situação que os deixou tristes , ou talvez muito irritados… Tem adulto que diz que é besteira e a criança  não entende, então, o porquê de todo aquele sentimento no coração 

Quando Gabi se machuca, procuro levantá-la com cuidado, verifico a gravidade do ferimento e dou um abraço bem forte dizendo: “Eu sei que doeu, pode chorar, logo tudo vai ficar bem.” Peço que ela me mostre o machucado, juntas o limpamos e passamos “remedinho”, se necessário. Juntas, também, oramos para que Deus cuide do ferimento. Ao passar do susto, a levo até onde ela se machucou e mostro porque ele caiu, como um degrau ou buraco, por exemplo. E  digo que  tombos acontecem mesmo, mas o importante é a gente conseguir levantar e lidar com todo o nossa pequena ou enorme dificuldade, que pode ser, sim, do tamanho do mundo todo.

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