01/4 2013

Primeiro de Abril, parto pelo convênio e Ministério da Saúde

Por Alessandra | Sem Comentários

Dar atendimento para a gestante somente em caso de cesárea é uma forma de violência obstétrica

Dar atendimento para a gestante somente em caso de cesárea é uma forma de violência obstétrica

 

Grávida de 39 semanas, Sara entrou em trabalho de parto. Sua doula foi encontra-la em casa e lá as duas ficaram junto com o marido, entre massagens, caminhadas e banhos quentes. As contrações ficaram mais intensas e o intervalo entre elas havia diminuído. Conversaram com a obstetra que a acompanhava e decidiram que era a hora de ir para a maternidade.

O local já havia sido escolhido há meses. Uma grande maternidade paulista conhecida por ser uma das poucas que ainda permite a entrada de doulas. Esse era o plano de Sara: ter um parto respeitoso, natural e sem intervenções desnecessárias. Sara leu, informou-se e buscou apoio em uma equipe humanizada.

O grande dia havia chegado. Seu bebê mostrou que estava pronto para nascer e o trabalho de parto progredia tranquilamente. Tudo estava caminhando conforme havia sonhado, até chegar na maternidade:

– Senhora, seu plano de saúde não cobre parto normal. Não cobre parto sem avisar, assim de uma hora para outra. Terá que pagar particular.
– Como assim? Meu convênio cobre todas as custas de atendimento obstétrico, inclusive o parto.
– A senhora está enganada. Só cobre cesárea porque tem agendamento prévio. Parto normal assim, na hora que o bebê escolhe nascer não tem cobertura. É muita folga dele achar que pode nascer quando quiser.

– Mas é parto. E parto de verdade não tem hora para acontecer. Que absurdo é esse?

——–*****——-*****———

Sim, hoje é 1º de Abril, mas o texto acima não é nenhuma piada. Os personagens são fictícios, mas representam uma realidade que vem acontecendo há algum tempo. Planos de saúde se recusando a prestar atendimento em casos de parto normal. Foi o que denunciou ontem a Folha de S.Paulo nesta reportagem. Muitas gestantes que haviam buscado atendimento do parto por alguns convênios não tiveram cobertura por não terem agendado o procedimento. Mas como é que se agenda um parto normal? E esse não deveria ser o modelo mais normal a acontecer?

No país campeão da cesárea o plano de saúde se acha no direito de exigir que suas clientes tenham seus partos através da cirurgia. Um grande absurdo. Trata-se de mais um exemplo de violência obstétrica.

Para driblar esse problema burocrático, algumas mulheres com a ajuda de seus médicos, solicitam agendamento prévio para realização de cesárea para uma data posterior à sua DPP. Então, ao entrarem em trabalho de parto, apresentam a tal liberação do convênio e são atendidas normalmente.

O fato é que esses planos estão deixando de prestar o serviço para o qual foram contratados e precisam sim ser obrigados a cobrir qualquer tipo de parto. Ao invés de dar jeitinho, exija seus direitos. Confira neste ótimo texto do Mamíferas de que forma você pode agir para que seu plano de saúde cumpra com o que está previsto no caso de atendimento em obstetrícia.

Seria cômico se não fosse extremamente trágico. Seria apenas mais uma piada de 1º de Abril se não refletisse o péssimo cenário obstétrico que temos hoje no Brasil. “Mãezinha, tem que agendar cesárea para que você tenha seu parto coberto pelo convênio.” É crime, é violência obstétrica. Mais uma das terríveis e falsas indicações de cesárea: cordão enrolado no pescoço, bacia pequena, bebê grande e plano de saúde que não cobre parto normal, claro!

A matéria da Folha de S.Paulo foi ao ar no mesmo dia em que a Veja publicou uma outra em que fala sobre a meta do Ministério da Saúde em reduzir em, pelo menos, 10% o número de cirurgias cesarianas na rede pública e conveniada ao SUS. Lá o índice de cesáreas é de 40% enquanto o máximo aceito pela Organização Mundial da Saúde é de 15%.

E na nossa rede particular os números beiram os 90%. Sim, um absurdo! E quem é que vai fazer uma ação para que este número seja diminuído? Quem é que vai punir essas práticas abusivas dos planos de saúde? Quem é que vai punir as falsas indicações de cesáreas dos médicos de convênio? Quem é que vai reformular o que vem sendo ensinado nas universidades com relação à obstetrícia?

O que sei é que nós, como o lado agredido por todas essas práticas, precisamos buscar informação de qualidade, exigir nossos direitos e denunciar tais crimes. É um trabalho de formiguinha, mas precisa começar por nós.

28/3 2013

Ganhadora do livro Parto Com Amor

Por Alessandra | Sem Comentários

Olá,

sexta-feira passada sorteamos em nossa promoção no Facebook a ganhadora do livro Parto Com Amor, de Luciana Benatti e Marcelo Min: Jéssica Rodrigo

Parabéns, querida! Que este livro seja fonte de inspiração e empoderamento para uma linda história de parto na sua vida.

Ela já está com o livro e até postou uma foto no Facebook:

Ganhadora da promoção

Jéssica Rodrigo foi a ganhadora do livro Parto Com Amor

E assim encerramos a nossa promoção de lançamento do novo layout do blog Escolhi Ser Mãe. Obrigada a todos os que participaram. Espero que tenham gostado 😉

Beijocas

15/3 2013

Cascata de intervenções no trabalho de parto

Por Alessandra | Sem Comentários

Todas essas intervenções podem (e devem!) ser evitadas. Informe-se!

Todas essas intervenções podem (e devem!) ser evitadas. Informe-se!

Obstetras tradicionais falam em indução de parto com se fosse a coisa mais segura do mundo. Defendem a condução do trabalho de parto (com ocitocina e outras intervenções) como se fosse a medida mais indicada e adequada para a segurança da gestante e do bebê.

Mas nada disso é verdade. Intervenções sem qualquer real indicação não são recomendadas pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde do Brasil. Na realidade, a indução e a condução do parto podem levar o nascimento do bebê a desfechos indesejáveis e perigosos. Elas apenas tornam o processo mais rápido e de fácil controle para o médico e, na maioria das vezes, levam a uma cascata de intervenções (quando uma intervenção leva a outra).

Por exemplo, por ainda não estar na hora do parto acontecer naturalmente, o trabalho de parto não progride e a gestante vai parar em uma cesárea desnecessária. E a pobre mãe ainda acha que não é perfeita porque não conseguiu dilatar. Teria conseguido se o médico esperasse o trabalho de parto acontecer naturalmente.

A gestante também sofrer demais com as contrações provocadas pela ocitocina sintética (muito mais dolorosas e intensas do que as provocadas pelo hormônio produzido por seus próprio corpo) e precisar de uma anestesia que pode parar a progressão do trabalho de parto e, também, levar a uma cesárea.

As contrações exageradas por conta do hormônio sintético podem gerar sofrimento fetal, o que acabaria em uma cesárea ou, antes disso, na monitoração intermitente dos batimentos cardíacos fetais que chegaria (de novo) em uma cesárea ou em parto com fórceps/vácuo extrator e episiotomia na mãe.

Tais contrações tão fortes também podem levar a um parto rápido demais e aumentar o risco de hemorragia materna pós-parto.

Tem também a velha questão sobre o bebê já ter passado das 37 semanas e estar pronto para nascer. Como já vimos em outro post, isso nem sempre é correto e muitas vezes a criança nasce prematura precisando ir direto para o UTI.

Em quase todos esses caminhos o bebê não teria o primeiro contato imediato com a mãe, tornando o vínculo tardio e prejudicando a amamentação. O próprio uso da anestesia deixa o bebê mais sonolento, sem vontade de sugar e comprometendo a amamentação na primeira hora de vida.

Minha antiga obstetra falava em indução de parto após 40 semanas e condução no caso de eu entrar em trabalho de parto espontaneamente. Como eu fugi disso? Lendo muito, informando-me, e confrontando-a. Mudei a história de nascimento da minha Gabriela e os caminhos da minha vida. Você também pode, acredite. Não tenha medo de lutar por um parto respeitoso e (de fato) seguro.

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27/2 2013

Cesáreas eletivas e prematuridade

Por Alessandra | 1 Comentário

Cesáreas eletivas aumentam risco de parto prematuro

Fonte: Folha de S.Paulo

O Brasil é o 10º país no mundo em número de nascimentos prematuros mostrou a Folha de S.Paulo hoje citando um levantamento da Organização Mundial da Saúde divulgado ano passado. Sim, por aqui, são cerca de 280 mil bebês prematuros por ano. E o mais triste de tudo isso é que esse número poderia ser bem menor se não fôssemos o país campeão mundial da cesárea.

Enquanto a Organização Mundial da Saúde recomenda um máximo de 15% de cesáreas, o Brasil alcança os 90% em instituições privadas. Facilidades, comodismo e baixa remuneração estão entre os itens que contribuem para esse número alarmante. Eu adiciono aí também a falta de conhecimento de muitos profissionais que, já na faculdade, aprendem mitos sobre o parto normal preferindo fazer cesáreas e desconhecendo a verdadeira assistência a um parto natural.

Entre as desculpas conhecidas por aí para agendar a cesárea, encontramos: circular de cordão, bacia pequena da mãe, pressão alta, diabetes, sofrimento fetal com agendamento para dali a 2 ou mais dias (ué, o bebê não estava em perigo?), pouco líquido, muito líquido.

Além da própria cesárea ser um risco e trazer algumas complicações (das quais falaremos em outro post), no Brasil agendamos a cirurgia para um dia qualquer sem que o bebê tenha dado sinal de que está pronto para nascer. Existe a falsa ideia de que a partir da 37ª semana contada pela data da última menstruação o bebê já não seria mais considerado prematuro. Mas esse cálculo não consegue precisar a idade do feto, já que a concepção pode ter ocorrido em outra data.

O que acontece é que muitos bebês de 38 semanas vão parar na UTI por “desconforto respiratório” e “água no pulmão”. A matéria da Folha também cita um recente estudo da Fiocruz que acompanhou 24 mil gestantes pelo Brasil e 11% dos bebês precisaram de suporte para respirar ao nascer.

A prematuridade está relacionada a 28% das mortes infantis até os sete dias de vida e traz consequências para a criança que podem ser levadas por toda a vida.

Mas como posso saber se meu bebê está pronto para nascer?
A gestante só sabe que seu filho está maduro para nascer ao entrar em trabalho de  parto. Sim, estudos mostram que quando o bebê já está pronto, ele libera hormônios que estimulam a placenta a secretar prostaglandina, responsável por amadurecer o colo do útero.

Por isso, se houver qualquer razão pessoal (e nesse momento tento deixar meu ativismo pelo parto natural de lado), para você optar por fazer uma cesárea, faça-a depois de entrar em trabalho de parto. Infelizmente, muitos médicos nem permitem que isso aconteça já que para eles é melhor ter tudo agendado para não ter que cancelar a agenda do dia para atender uma gestante em tp.

Pense no que é melhor para você e seu filho. Você pode e tem o direito de fazer suas próprias escolhas!

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25/2 2013

Promoção: livro PARTO COM AMOR

Por Alessandra | Sem Comentários

Concorra a um livro Parto Com Amor

O Escolhi Ser Mãe está de cara nova. Mais bonito e gostoso de navegar.

A cada dia você poderá acompanhar novidades sobre o delicioso mundo da maternidade.

E, para comemorar este lindo layout e os 4 anos de existência do blog, vamos sortear um exemplar do livro PARTO COM AMOR, de Luciana Benatti e Marcelo Min.

Veja como é fácil participar da promoção:

1. Curta a página do Escolhi Ser Mãe no Facebook:http://www.facebook.com/EscolhiSerMae

2. Compartilhe a imagem da promoção no Facebook: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=483849355010380&set=pb.432859660109350.-2207520000.1361811143&type=3&theater

3. Na página do Escolhi Ser Mãe no Facebook clique em “Promoções” e em “Quero Participar”

>> O Sorteio ocorrerá no dia 22/03/2013.

Boa sorte!!!!

 

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18/1 2013

Por uma infância com bonecas que podem amamentar

Por Alessandra | Sem Comentários

boneca-que-amamenta

É só percorrer com o olhar as prateleiras em uma loja de brinquedos convencional e verá inúmeras bonecas que tomam mamadeira, porém nenhuma que amamenta. Se você procurar em uma loja de brinquedos educativos talvez possa encontrar alguns exemplares de bonecas artesanais que amamentam.

Mas por quê a amamentação não é vista como algo natural e que pode (e deve) ser ensinado às crianças? Por que todo esse grande tabu com relação a um ato tão importante e belo?

Sim, tabu. Porque há pouco tempo houve a maior polêmica por conta de uma boneca lançada no mercado americano e que pode ser amamentada pela criança através de  um colete com florzinhas no lugar das mamas. Como se isso fosse de alguma forma estimular a sexualidade precoce. A verdade é que toda a questão sexual está na cabeça dos adultos.

Aliás, vamos falar em estimular a sexualidade precoce? Que tal a boneca Barbie? Do alto de suas voluptuosas curvas, ela exibe um rosto maquiado, veste roupas sensuais e tem o Ken (ou seja lá que nome for),  forte e bonitão para ser seu par.

Infelizmente o aleitamento materno ainda é um tema que desperta muito preconceito. Nós, ativistas e especialistas da área, temos um longo caminho de conscientização a ser percorrido. Nada que nos assuste. Muito pelo contrário, nos estimula a lutar para que outras mães consigam ter sucesso e prazer através  da amamentação.

O que assusta, de fato, é ver profissionais no caminho inverso, desestimulando a amamentação exclusiva até os 6 meses e continuada até os 2 anos ou mais. E esse é um cenário que precisa ser mudado o mais rápido possível. Mas não é fácil mudar a mente de uma sociedade que aprende, desde pequena, que o  normal é  alimentar os bebês com mamadeira.

Neste Natal demos para Gabi e para minha sobrinha uma boneca artesanal, que além de amamentar seu próprio filho também o pari naturalmente. Sim, porque é simples, é natural e ninguém precisa se envergonhar disso.

Para quem estiver interessado comprei na Flor do Sul Bonecas e recomendo 😉

Bjs

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12/12 2012

Entrevista sobre plano de parto

Por Alessandra | Sem Comentários

Entrevista que dei para a revista Claudia Bebê sobre plano de parto

Entrevista que dei para a revista Claudia Bebê sobre plano de parto

No meio deste ano, fui entrevistada pela revista Claudia Bebê a respeito de como o plano de parto havia sido importante para mim.

A matéria foi recentemente publicada no Bebe.com.br e coloco aqui o link para que você possa dar uma olhada.

O meu eu já publiquei aqui no blog. Ele foi fundamental para que  toda a equipe conhecesse e respeitasse minhas escolhas.  Mas não adianta simplesmente escrever um plano e jogar na mão de qualquer médico. A escolha por uma equipe humanizada e que respeite o seu protagonismo na hora do parto é fundamental.

Aliás, você, que está grávida e quer ter um parto normal, já bateu um papo com seu obstetra sobre suas condutas na hora do parto? No post sobre Motivos para optar por um parto humanizado, escrevi sobre as intervenções comumente usadas pelos médicos tradicionais, mas que são completamente desnecessárias. Elas atrapalham a normal evolução do trabalho de parto (podendo levar, até mesmo, a uma cesárea) e impedem que a  gestante seja a protagonista do processo.

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11/12 2012

Receita de geleia de amoras e morangos

Por Alessandra | Sem Comentários

geleia de frutas vermelhas

Fácil receita de geleia de frutas vermelhas

Garantir uma alimentação saudável para nossos filhos é essencial. Por isso, aqui no blog, vez ou outra, você encontrará receitinhas bacanas para as crianças. São opções saudáveis e fáceis que testo por aqui e compartilho com vocês.

Apesar de gostar muito, não é sempre que consigo tempo para me aventurar pela cozinha. Dia desses vi na  geladeira uma bandeja de amoras e outra de morangos, todos maduros e prontinhos para virarem uma deliciosa geleia. Para adoçar usei apenas um pouco de rapadura ralada, bem mais saudável do que o açúcar. Aí até da para oferecer no lanche de crianças acima de 12 meses.
Se você não tiver a rapadura e quiser outra opção menos trash que o açúcar refinado, pode usar o mascavo ou, até mesmo, o demerara.
Essa receita foi inspirada pelo site Crianças na Cozinha, que recomendo muuuuito!

Ingredientes

1 xícara de amoras
1 xícara de morangos (de preferência orgânicos. Morangos costumam ser campeões no quesito agrotóxico).
suco de meio limão
1/2 xícara de rapadura ralada

Modo de fazer
Coloque em uma panela no fogo baixo os morangos picados e 1/2 porção das amoras picadas. Acrescente a rapadura ralada e o suco do 1/2 limão. Bata a outra porção de amoras no liquidificador com um dedinho de água e acrescente a mistura na panela.
Mexa de vez em quando. As frutas vão se desfazer e o caldo começará a ser formado. Um incrível perfume de geleia de frutas vermelhas irá invadir sua casa. Você notará quando a mistura se transformar em geleia, ficará viscosa e com uma cor linda. Deixe esfriar e coloque em um frasco de vidro na geladeira.
Deliciosa para ser servida com torrada, pãozinho, pão de queijo e queijo branco.

Espero que gostem 😉

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06/12 2012

Saiba o que é uma doula pós-parto

Por Alessandra | Sem Comentários

doula-pos-parto
Os primeiros dias em casa com o bebê não costumam ser muitos tranquilos.

As mulheres estão sensíveis emocionalmente por conta das alterações hormonais, muitas sentem dores causadas pela cesárea e algumas estão extremamente cansadas pelo trabalho de parto.

Aquele bebê tão pequenino que acabou de chegar e depende completamente dela, está passando pelo quarto trimestre (conhecido como período de extero-gestação) e tem grande necessidade de atenção. É muito normal sentir-se insegura nessa hora, com dúvidas essenciais sobre como amamentar e cuidar dele.

O pai, também imerso em novos sentimentos, tenta entender qual é o seu lugar nessa nova situação e de que forma pode ajudar sua companheira.

Se há um filho mais velho, existe ainda a necessidade de incluí-lo e saber como lidar com o ciúmes natural.

E, além de tudo isso, existem as questões com família e visitas. Como lidar com tanta gente querendo conhecer o bebê?

É neste cenário de adaptações e descobertas que o trabalho da doula pós-parto acontece. Sua principal função é dar apoio físico e emocional à mãe.

Mas não se trata de uma enfermeira ou babá que vêm para cuidar do bebê. O foco da doula são as necessidades primordiais da mulher que acabou de dar à luz. Seu principal papel é empoderar a nova mãe , mostrando o quanto está em sua própria natureza ter todas as condições de cuidar do seu filho. A mulher é encorajada a cuidar do bebê e de si própria.

Para isso, a doula traz sugestões de cuidados com o bebê e estratégias para mobilizar familiares e estruturas para darem à mãe o apoio necessário.

>> Algumas das tarefas da doula:
Auxílio para elaboração do plano pós-parto
Orientações para o início da amamentação
Sugestões de cuidados com o bebê (banho, uso de carregadores, formas de acalmá-lo, rotina de sono)
Acolhimento emocional da mãe sem julgamento
Dicas de como inserir o filho mais velho e o parceiro neste novo cenário familiar
Orientações sobre como mobilizar a família para ajudá-la
Orientação nutricional e dicas para facilitar o preparo dos alimentos
Massagem para relaxamento da mãe

A doula também pode auxiliar a mãe em meio ao caos dos primeiros dias como no preparo de alguma refeição (no caso dela ainda não ter conseguido se alimentar), organização das coisas do bebê, olhar o pequenino enquanto ela consegue tomar um banho tranquila, ou fazer as unhas, por exemplo. Aquele tipo de coisa que quem já teve filho sabe muito bem que às vezes parece impossível de fazer nas primeiras semanas, sabe?

Essa é uma ajuda tão bacana que pode, por exemplo, ser dada por amigas da gestante como presente no chá de bebê (vale doula pós-parto).

As doulas pós-parto são muito comuns nos Estados Unidos e na Europa. E os benefícios de seu apoio durante o início do puerpério têm sido destacados como a diminuição da incidência de depressão pós-parto, maiores chances de sucesso na amamentação, facilidade da adaptação da família com o bebê, pais mais seguros.

Quando contratar a doula pós-parto?

O ideal é que ela seja contratada ainda durante a gestação. Porque é possível conhecê-la melhor em um bate papo gostoso, trocar ideias a respeito daquilo que é importante preparar para achegada do bebê e preparar em conjunto um plano pós-parto. A doula ficará disponível para você nas semanas próximas à data provável de parto.

Mas ela pode ser contratada a qualquer momento, mesmo que o bebê já tenha nascido. Muitas vezes a mãe se vê solitária e insegura precisando de ajuda com urgência.

Cada profissional tem características próprias de trabalho. Pode-se iniciar a contratação de uma doula pós-parto por 3 horas, durante 2 dias, por exemplo. O que pode ser perfeitamente prorrogado se houver a necessidade. Outras profissionais estarão disponíveis para passar períodos de 8 horas com a família, 6 dias por semana.

Como contratar uma doula pós-parto?

Se você tiver interesse em contratar uma doula pós-parto entre em contato comigo. Logo teremos uma página na internet com a indicação do nosso trabalho, mas, enquanto isso, posso indicar colegas que estejam mais próximas da sua residência.

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04/12 2012

O louro, o educador e os peitos

Por Alessandra | 2 Comentários

Cena do reality show com mães e bebê do programa Mais Você: mães reclusas e infantilizadas

Cena do reality show com mães e bebês do programa Mais Você: mães reclusas e infantilizadas

O programa Mais Você da apresentadora Ana Maria Braga está com um quadro bizarro com H maiúsculo (piadinha esta do H por conta de um fora dado pela Ana Maria durante um de seus programas).

Nele, mães e crianças entre 1 e 2 anos participam de um reality show confinadas entre uma casa e um quarto de hotel. Sim, a exemplo de outros realities, elas competem entre si para ver quem permanecerá na casa para ganhar o prêmio em dinheiro e participar da campanha publicitária da marca de pomadas patrocinadora do show.

Triste demais ver crianças retiradas de suas casas, longe dos pais, sentindo todo o estresse que suas mãos estão passando por conta da competição. Nada saudável. Nada respeitoso. Exposição muito desagradável, aliás.

Mas o que levou os olhares direto para o quadro foi a participação constrangedora do educador Marcelo Bueno. De forma absurda e desrespeitosa ele disse às mães que estão na casa (e a todas as telespectadoras) que ainda amamentam seus filhos que devem realizar o desmame abrupto assim que seus filhos começam a andar. Com aquela velha história mentirosa de que a criança fica mais dependente da mãe e de que o leite não serve mais como alimento.

Além de ter sido bastante desagradável, o tal educador foi contra todas as recomendações da OMS, UNICEF e Ministério da Saúde. Todos eles incentivam a amamentação exclusiva até os 6 meses e prolongada até os 2 ANOS OU MAIS. Aliás, hoje já se sabe que o desmame nos humanos deveria ser entre os 2,5 e 7 anos de idade. E isso é uma média, claro, porque cada caso é um caso e deve ser respeitado.

Se formos falar de valores nutricionais, então, vemos o quanto o moço está completamente desinformado:
“As crianças que mamam no peito após um ano de idade, no mínimo duas vezes ao dia, conseguem garantir pelo menos 40% das necessidades nutricionais diárias. Além disso, as mães continuam garantindo uma ótima produção de anticorpos para defender essa criança de doenças.” esclarece Sônia Salviano, coordenadora da Política Nacional de Aleitamento Materno do Ministério da Saúde. Escrevi uma reportagem muito bem repercutida para o Bebe.com onde falo sobre a amamentação prolongada, leia aqui.

O educador também mostrou possuir dons de vidência quando disse que sabe que as mães querem desmamar seus filhos. Não foi o que notamos ao vê-las incomodadas e uma delas chorando depois de sua abordagem desastrosa #fail

Vimos o efeito disso naquele pequeno confinamento. Não sabemos como foi para outras tantas mães que amamentam alegremente seus filhos e assistiram a aquele show de horrores. Perigoso, absurdo, um desserviço. Enquanto lutamos para conscientizar a sociedade sobre os benefícios da amamentação (inclusive prolongada), vem um educador em rede nacional para destruir tudo. Um crime, convenhamos.

Fico pensando se é esta a imagem que os patrocinadores querem vincular às suas marcas: tamanho desacordo com as orientações em saúde pública.

Não assisti, mas fiquei sabendo sobre uma nutricionista que participou deste reality indicando o consumo de açúcar refinado por estes bebês. Oi? Alguém ai leu a Cartilha do Ministério da Saúde sobre alimentação saudável para os primeiros anos de vida? Falta de critério total da produção do programinha, hein?

Mas quero abordar aqui um outro assunto, tão importante quanto a amamentação: a infantilização das MÃES. Aliás, o que esperar de um programa onde o um fantoche de papagaio dá dicas “incríveis” para as mulheres, né?

Aquelas mães foram obrigadas a ouvir as orientações a respeito de uma situação íntima e pessoal de um homem que não é, sequer, um especialista em aleitamento materno. Aliás, duvido que elas tenham manifestado a menor vontade de desmamarem seus filhos antes desse episódio.

Tratadas como alunas em uma sala de aula, como crianças que devem ouvir e obedecer, como pessoas frágeis e sem opção de escolha.

Se você acha isso um absurdo, saiba que é exatamente o que acontece na maioria dos casos quando, por exemplo, uma mãe entra na sala do pediatra e ouve:
>> mãezinha, você tem que
desmamar seu filho
deixá-lo dormindo no berço sozinho
dar a ele todas as vacinas
dar uma vitamina porque ele está meio abaixo da média da curva de crescimento
entrar com complemento porque seu leite é fraco

Ou quando a gestante entra no consultório obstétrico e ouve:
>> mãezinha, você tem que
cuidar do enxoval que do parto cuido eu
vamos falar do parto só no final da gravidez
puxa, como você tem a bacia estreita
você não quer que seu bebê entre em sofrimento, né?
você sabe que o parto normal acaba com sua área de lazer?

Mãezinha não, nunca, jamais! Somos mães dos nossos filhos e qualquer outra pessoa deve nos chamar por nossos nomes, respeitando nossa individualidade.

Chega de infantilizar as mulheres na tentativa de que elas tenham apenas atitudes passivas.

O papel de qualquer profissional é compartilhar informação de qualidade, baseada em evidências. Chega de achismos, chega de privilegiar a conveniência do profissional em detrimento dos direitos de suas pacientes.

Cabe a nós, tomarmos as decisões, não aos profissionais. E a nossa maior arma contra esse tipo de abuso é a informação!

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Escolhi ser Mãe | 2013
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