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18/7 2014

Relato de parto – Alessandra – parte 1

Por Alessandra | Sem Comentários

Depois de quase 5 anos, pari meu relato de parto. Demorou e ficou enorme, por isso, o publicarei em 3 partes. Espero que ajude a empoderar mulheres tal qual os relatos que li durante a gestação fizeram comigo.

Relato de parto – nascimento da Gabriela
Mãe Alessandra – Pai Rodrigo
Parto Natural Hospitalar

Meu parceiro na caminhada por um parto respeitoso

Meu parceiro para a conquista de um parto respeitoso


PARTE 1 – CAMINHANDO PARA O PARTO NATURAL

Lá estava eu, dentro da sala de parto. As contrações já estavam fortes e, assim que cheguei na maternidade, fui imediatamente direcionada para ela. Olhava para os lados e procurava pelo Rodrigo. Não o encontrei, ele ainda estava na recepção fazendo minha internação. Olhei novamente ao redor e, dessa vez, procurei por minha médica. Ela também não havia chegado ainda. Comigo estavam apenas o médico da maternidade e dois enfermeiros, totalmente desconhecidos.
Mas eu não poderia esperar mais. Meu corpo começou a agir sozinho. Senti uma força muito grande, eram os puxos que ele fazia a cada contração para meu bebê nascer. Eu só tinha que me deixar levar e fazer aquilo que meus hormônios me conduziam a fazer. Já estava no período expulsivo. Quando, de repente, acordei.

Era apenas um sonho. Mas um sonho empoderador. As dores, as contrações, tudo foi muito real. Antes de engravidar havia lido um relato de parto natural e me apaixonado pela ideia. Mas o fato é que com o início da gravidez me empolguei com todo o mundo novo que eu estava vivendo e acabei deixando a questão do parto um pouco de lado. Até porque eu estava fazendo o pré-natal com a médica que eu gostava. Ela era muito querida e eu sentia que poderia confiar totalmente em suas decisões. Mas aquele sonho me despertou para uma questão: eu estava pronta para ter um parto normal. Contra todas as estatísticas e histórias de amigas que desejaram um parto normal e acabaram em cesárea, eu sabia que conseguiria parir minha filha. O sonho reacendeu a chama em meu coração por um parto normal, senti que era Deus falando comigo. Contei o sonho ao Rodrigo e ele se animou.

Eu já deveria estar no 4º mês de gestação. E quis deixar bem claro para minha obstetra minha intenção. Eu queria muito um parto normal. Ela disse que também preferia assim e disse que, no momento, não havia nada que me impedisse de tê-lo. Contou sobre próprio seu parto. Normal e cheio de intervenções. E afirmou: “Te darei anestesia, afinal de contas, sou sua amiga.” Sai da consulta confiante. Nesta etapa eu já fazia diariamente exercícios para o períneo, pois havia lido sobre seus benefícios em um parto normal.

Toda a vez que me perguntavam: “Você quer fazer cesárea ou parto normal?” Eu respondia cheia de entusiasmo: “Parto normal”. Mas, invariavelmente, aparecia alguém para dizer: “Mas tem que esperar para saber se vai dar. Não é assim não.” Sempre que ouvia isso, meu coração ficava muito angustiado e eu orava a Deus. “Senhor, o Senhor me fez perfeita, pronta para parir minha filha. Não permita que nenhuma situação me impeça de realizar este sonho.”

Após uma das minhas aulas de natação, decidi tomar café da manhã no restaurante da empresa. Fui até o caixa e a funcionária, também grávida, estava ouvindo a editora de um portal da empresa contar sobre sua experiência com o parto natural. Fiquei ouvindo, ela percebeu meu interesse e me convidou para sentar-me com ela. Durante todo o café ela descreveu como havia sido o nascimento do seu filho. A cada palavra eu me emocionava mais. Lágrimas brotavam em meus olhos. Ao me perguntar se minha médica fazia parto natural, eu respondi que sim. Mas ao saber quem era minha obstetra, ela se colocou à disposição para dar o contato de sua médica, pois sabia que não se tratava de nenhum dos conhecidos médicos humanizados que prezam pelo parto natural. Também falou da lista materna e disse que eu deveria ler mais sobre o assunto.

Aquela conversa me deixou completamente entusiasmada. Desejei, com todo o meu coração, ter um parto natural. Sem intervenções. Humanizado para mim, meu marido e minha bebê. Passei horas na internet lendo sobre o assunto. Os relatos de parto sempre me faziam chorar, eu também queria aquela avalanche de emoções na história da minha família. Fiz minha inscrição na lista Materna e perguntei para a Ana Cris se ela conhecia a minha atual obstetra. Ela foi clara: 80% de cesáreas.

Conversei com o Rodrigo e mostrei minha insegurança. Disse que na próxima consulta falaria de qualquer jeito sobre o parto. A médica costumava me enrolar quando eu tocava no assunto dizendo que ainda era cedo. Mas agora, com 32 semanas de gestação, ela teria que mudar o discurso.

Percebi que a obstetra não havia ficado feliz com a quantidade de perguntas que eu fazia sobre o parto: “Você andou lendo, né?” Perguntou ela. Logo vi que ela não queria que eu soubesse detalhes do parto. Para ela, aquilo era assunto apenas dela. Então insisti no assunto:
Eu – “Doutora, você faz episiotomia de rotina?”
Médica – “Mas é claro.”
Eu – “E se eu não quiser?”
Médica – “Você vai querer . As estatísticas provam que, se não for feita, sua chance de sofrer mais tarde de ´bexiga caída` será muito grande.”
Eu – “E tricotomia?”
Médica – “Sempre fazemos na maternidade.”
Eu – “E faz uso rotineiro de ocitocina intravenosa?”
Médica – “Com certeza, preciso te ajudar a ter contrações eficientes. Aliás espero, no máximo, 6 horas. Se não dilatar tudo, vamos para a sala de cirurgia.”
Eu – “Mas nós vamos esperar eu entrar em trabalho de parto naturalmente?”
Médico – “Não deixo passar de 40 semanas. Se não entrar em TP até lá, posso até tentar induzir.”
Eu – “Posso andar durante o trabalho de parto?”
Médica – “Pode ficar na bola, um pouco na banheira. Mas terá que ir para a cama para ficar na posição do parto.”
Eu – “Bom, eu posso, pelo menos, optar por não tomar anestesia?”
Médica – “Não, não vou deixá-la passar por isso sem uma.”
Eu – “E a senhora faz aquela limpeza chata do intestino?”
Médica – “Não, isso eu não faço não.”
Eu – “Ufa, pelo menos isso né, doutora? Também estou pensando em levar um pediatra neonatal para ter os primeiros cuidados com o bebê.”
Médica – “Melhor não. Melhor usar o da maternidade para não termos confusão de equipes.”

Depois de todas essas respostas fiquei completamente confusa. Aquela médica querida já não correspondia às minhas expectativas para o parto. Creio que eu também não me encaixava mais no perfil de paciente que ela costumava atender. Eu fiz perguntas demais. Ela sentiu a tensão. Nosso relacionamento médico-paciente parecia ter sido abalado. Eu já não era mais tão paciente assim.

Eu precisava ter ao meu lado uma médica que respeitasse minhas escolhas pelo parto natural. Eu conhecia todos os benefícios de um parto com o mínimo de intervenções possível. Decidi, então, ligar para médica da minha colega e agendar uma consulta, eu precisava entender porque ela era diferente.

A sala de atendimento já era diferente por si só. Cama baixinha, banquinho do lado, nada de lugar para pendurar as pernas. A médica, bastante jovem, nos tratou com respeito e simpatia. Ok, isso a outra médica também fazia. Mas a Dra. Andréa, tinha mais do que isso, ela sabia ouvir e não tinha respostas prontas para tudo. Muito do que eu perguntava, cabia a mim decidir depois de todas as alternativas e explicações apresentadas. Fui invadida por uma paz deliciosa, a certeza de que estava no lugar certo e de que, apesar de já estar no terceiro trimestre, ainda dava tempo de conquistar um PN. Até a hora que ela me passou os valores da equipe médica. Confesso que fiquei assustada, mas era um assunto a discutir com o Rodrigo.

Essa é uma grande questão no meio do parto humanizado. Mas não tem jeito. Se você ficar com seu médico do convênio ele vai te levar para uma cesárea por um motivo qualquer, já que o valor que ele receberá será pouco para te acompanhar tranquilamente durante todo o seu trabalho de parto. Algumas mulheres que realmente não têm condições de pagar procuram as Casas de Parto, outras contratam uma doula para aguentar o TP em casa e ir para a maternidade com médico plantonista já no expulsivo… Mas você também pode bater um papo com a equipe e verificar possibilidades de pagamento parcelado. Mas já vi muita mulher fazer enxoval em Miami e reclamar do valor do médico humanizado particular. É tudo questão de prioridade, dar uma economizada de um lado para consegui algo que lhe é mais precioso.

Conversamos, ponderamos e fiquei feliz demais por optarmos por trocar de GO. Não, não tínhamos aquele dinheiro. Precisaríamos abrir mão de algumas coisas, economizar em outras, mas faríamos tudo para trazer nossa Gabi ao um mundo de forma respeitosa.

Pensei em voltar na antiga e me despedir. Mas não sobrou tempo na minha agenda. Ela nunca me ligou para perguntar por que simplesmente sumi. Acho que ela já sabia que isso iria acontecer.

Logo começaram os questionamentos familiares sobre a mudança de médico. Sobre os motivos, sobre a escolha do parto natural, sobre o porquê de se pagar por algo que você pode fazer pelo convênio. Mas eu estava tão certa do caminho escolhido e tão cheia de argumentos que respondia a tudo cordialmente. Até demais, hoje eu penso… rs

E, então, comecei a minha busca por uma doula. Queria que ela fosse uma pessoa que me passasse tranquilidade e confiança já que era tudo novo para mim. E foi através da lista de discussão Materna que conheci a Camila. Ela é naturóloga, especializada em massagens. Nossa empatia foi instantânea!

Continua…

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Escolhi ser Mãe | 2013
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