18/7 2014

Relato de parto – Alessandra – parte 3

Por Alessandra | Sem Comentários

Relato de parto – nascimento da Gabriela
Mãe Alessandra – Pai Rodrigo
Parto Natural Hospitalar

PARTE 3 – O PARTO

Depois de semanas de pródromos, com contrações diárias e 4 centímetros de dilatação, às vésperas de completarmos 42 semanas, voltamos na Dra Andrea. Ela nos tranquilizou e nos deixou muito à vontade. Poderíamos esperar mais alguns dias (os sinais vitais da Gabi estavam perfeitos, líquido amniótico ótimo, placenta nota 10) ou então irmos para a maternidade e começar a tomar uma quantidade mínima de ocitocina para o trabalho de parto engrenar. Eu queria esperar, mas foi então que o Rodrigo desabafou. Ele queria continuar a me acompanhar nas minhas escolhas, mas estava angustiado e disse que não aguentava mais esperar. Ele sempre ouviu que foi salvo pelo médico em uma cesariana porque ele não nascia nunca e creio que isso, de alguma forma, continuava a assustá-lo. Então fizemos um acordo, se eu não entrasse em TP até sexta-feira iríamos para a maternidade. Era quarta-feira e achei razoável.

Sexta-feira, 28 de agosto de 2009. O TP ativo não havia começado. O dia amanheceu ensolarado e feliz. Eu sabia que em poucas horas iria conhecer o rosto daquela que iria mudar a minha vida, revolucionar minha história. A Camila, nossa doula, veio nos encontrar em casa e juntos fomos para a maternidade.

Não, eu não estava em trabalho de parto ativo, mas as contrações eram fortes (como há muitos dias) e os funcionários já ficaram de olho em mim. Enquanto o Rô abria a ficha, eu e a Camila fomos para a sala de triagem. Eu tinha uma cartinha da Dra Andrea e a enfermeira logo a reconheceu pelo nome: “É aquela médica que faz parto natural, sem anestesia, né?” O exame de toque confirmou 6 centímetros de dilatação. Comemorei com a Camila, já havia passado da metade do caminho!!!

Entrei naquela sala de parto natural e me senti abençoada. Eu havia sonhado em parir ali, e lá estava eu no meu grande dia. A Dra Andrea logo chegou e veio me ver. Ela estava tão tranquila e em paz – como sempre é – que fiquei ainda mais serena.

Caminhei pelo quarto para ajudar as contrações a engrenarem, queria fazer de tudo para não ter que tomar nem um pouco de ocitocina. O Rô fotografava e filmava tudo. A médica iniciou a administração do hormônio ocitocina e garantiu que era a dose mínima e que, assim que as contrações se tornassem ritmadas, fecharia o acesso.

Ela me orientou a comer o almoço que a maternidade havia providenciado para ter energia durante o TP. Olhei para a porta e vi minha irmã, Adriana, entrar. Fiquei feliz, queria muito tê-la ao meu lado naquele momento. Nessa hora também estava no quarto a obstetriz que nos auxiliaria no parto, uma querida, diga-se de passagem.

Enquanto minha doula saiu para comer alguma coisa, fui examinada pela Andrea. Ela me deu a opção de estourar a bolsa para vermos como estava o líquido já que eu estava com 42 semanas. Eu ainda não sentia contrações muito dolorosas e aceitei. Mas fiquei preocupada com a cara que ela e a auxiliar fizeram. Praticamente não havia líquido. Fui tranquilizada novamente quando me disseram que a bolsa poderia ter estourado no banho, sem eu perceber, ou o líquido poderia ter começado a sair aos poucos nos últimos dias. Mas o que saiu de líquido era claro e limpo. Estava tudo muito bem.

A partir daí comecei a sentir contrações ritmadas e agora mais doloridas. Minha doula voltou e me aconselhou a ir para a bola debaixo do chuveiro. Fiquei lá rebolando sobre a bola, com uma toquinha ridícula no cabelo para não molhar demais e eu não sentir frio. A água quente nas minhas costas ajudou muito a lidar a com a dor.

Mas em algum momento a dor se intensificou e falei para a Camila que estava ficando difícil suportar. Ligaram, então, a água da banheira para eu entrar. Lembro de, ao atravessar o banheiro, ver a minha médica escrevendo bastante calma no computador dela, o Rodrigo super relaxado teclando no dele e eu ali sentindo aquelas fortes contrações, foi bem estranho. Parecia que eles estavam em um mundo paralelo.

Deitei na banheira quentinha e encontrei o meu lugar. Lá recebia massagem da doula e podia olhar tudo a minha volta. Minha irmã estava lá, conversando comigo entre as contrações. Elas, aliás, estavam cada vez mais fortes e com intervalos menores. Eu não controlava esses tempos, mas sabia que o trabalho de parto estava avançando. Fiquei de joelhos e rebolei durante as contrações. Nos intervalos voltava a deitar e relaxar. Meu marido tentou fazer massagem nos meus ombros, mas aquilo mais incomodava do que ajudava. Coitado, só queria ser útil. Eu não o deixava fazer massagem, mas também não o deixava sair de perto de mim.

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Mudei de lado na banheira, a essa altura as contrações estavam fortíssimas. Lembro de um exame de toque e 7 centímetros de dilatação. Não gostei de ouvir aquilo, tinha avançado apenas 1 cm desde minha chegada à maternidade. A dor que senti durante o toque também foi horrível. Aninhei-me de tal forma que não queria sair daquela posição para nada. Éramos eu, Gabi e o ninho.

Apenas balançava meu quadril para um lado e para o outro durante as contrações. Segurava a mão da Camila e não a deixava sair de lá para nada. Ela me passava uma segurança muito grande, segurar em sua mão era como se eu tivesse uma força extra para passar por tudo aquilo. Ela falava baixinho coisas que me ajudavam a lembrar porque eu estava ali e o que eu deveria fazer. Inspiração para mais tarde eu desejar ser doula e também auxiliar outras mulheres com amor.

Nossos CDs de músicas que preparei para o parto tocaram durante todo o TP e também me ajudavam a tentar relaxar. Senti enjoo e me arrependi de ter almoçado. Era como se toda aquela comida estivesse me atrapalhando. Continuei ali, deitada, rebolando e apertando a mão da minha doula.

Já era de tarde, não tenho ideia da hora, mas as contrações se tornaram insuportáveis. Para mim não havia intervalo entre elas. Disse isso para a Andrea e ela falou que era impressão minha. Fiquei brava, como é que eu poderia não saber do que estava falando. Eu estava sentindo, eu sabia o que estava falando. Falei para a Camila que queria descansar entre as contrações e não conseguia porque era uma atrás da outra, estava me sentindo fraca. Uma contração acabava, eu achava que ia relaxar e já vinha outra. Eu fazia biquinho e dizia que não queria sentir assim, tão rápido outra. Brincavam comigo, falavam do meu biquinho, eu não entendia a graça. Pedi para a médica fechar a ocitocina e ela disse que já havia feito isso quando o TP começou a engrenar.

Ofereceram-me chocolate e suco de uva que eu havia reservado para o parto. Eu estava enjoada e não queria nada daquilo. Não precisava de energia, precisava de fé. Fé para acreditar que conseguiria passar por tudo aquilo porque, naquele momento, parecia que eu não teria força suficiente. Tomei água de canudinho, pois não conseguia levantar meu pescoço da banheira. Estava encaixada lá e não conseguia me mexer. Assim como Gabi estava encaixada para nascer, também fiquei encaixada para o meu renascimento.

O Rô tentou fazer massagem nos meus pés. Mas eu não quis, tinha uma aflição, sei lá, não queria que ele me tocasse naquele momento. Tive dó dele, mas não conseguia falar direito, só pedia desculpas. Ele ficou lá na beirada da banheira me olhando, eu podia sentir o seu amor e isso me dava tanta força. Minha irmã também estava por lá e isso foi tão important para mim. Quando me perguntavam algo durante a contração eu ignorava, não tinha condições sequer de entender a pergunta.

Aquela sensação ficou intensa demais, contração atrás de contração. Lembrei-me de abrir a boca durante elas e fazia um “aaaaaaaa” bem alto. Fiquei com medo de me escutarem nos corredores. Depois desencanei e verbalizei a dor sem pudores. Era o meu parto. Era um “aaaaaa” com certa sinfonia. Achei engraçado. Como assim engraçado? Devia estar pirando. Como poderia achar graça no meio daquela dor?

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A Camila me perguntou minha data de nascimento. “O que???? Como assim? Pergunta para o Rodrigo”, eu disse. Ela falou que só queria ter certeza de que eu estava na partolândia. Achei graça disso também e percebi que estava na fase de transição, precisava dilatar os últimos centímetros. Comemorei a partolândia. Fiquei feliz por entender o que estava acontecendo comigo. Naquele mar de sentimentos intensos pude me localizar. Mas aí percebi que as contrações não estavam mais tão próximas uma da outra, apesar da dor ainda forte. Doía demais minha lombar e tinha certeza de que minha pelve ia rachar ao meio. Aquilo, sim, era insuportável. Eu e o Rô começamos a orar em línguas. Orávamos alto. Talvez algumas pessoas não entendessem aquilo, mas estávamos chamando a presença do nosso Deus. Ele orou comigo e me ungiu com óleo santo. Foi o nosso momento, o nosso sagrado.

Em um momento de loucura, chamei o Rodrigo e pedi para que ele ignorasse o plano de parto (no plano de parto eu havia escrito que sabia que em algum momento poderia pedir anestesia, mas que não queria que me dessem) e chamasse o anestesista. Ele e a Camila me falaram dos riscos de tomar anestesia, sobre as chances do TP parar, de não ser legal para a Gabi. Mas eu estava enlouquecida e pedi para ele chamar e pronto, ele saiu para falar com a Dra. Andrea. Naquele momento me lembrei dos relatos de parto, quando as mulheres escreviam que pensavam: “Que ideia louca foi a minha de ter um parto natural, pára tudo agora”. Por um instante esqueci meu sonho, desejei a anestesia, ou até mesmo a cesárea. A Dra. Andrea veio me dizer que já havia chamado o anestesista da sua equipe. Perguntei desesperada quando tempo ele levaria para chegar. Ela respondeu que seria 1 hora. Sai do prumo, disse que não aguentaria, precisavam chamar o anestesista do próprio hospital. Gritei que não daria tempo de esperar pelo outro. Ela sorriu (seu sorriso sempre tranquilizador) e perguntou: “Não vai dar tempo de quê, de ter o bebê? Mas isso não é um problema. Estamos aqui para isso.”

Do que eu tinha medo? De morrer de dor? Recobrei a consciência e lembrei que não queria ser anestesiada. Chamei o Rodrigo e perguntei: “Se caso o anestesista chegar e eu não quiser tomar mais anestesia, posso me recusar, né?” Não, eu não queria a anestesia, mas tinha medo não sei de quê… do desconhecido, com certeza. Naquela loucura de pensamentos cheguei a calcular o quanto a mais iria me custar um anestesista. Sim, louca de pedra. Mas eles haviam seguido meu plano de parto e não chamaram ninguém.

Comecei a sentir vontade de fazer força. Perguntei se poderia. A obstetra disse que sim, que deveria fazer o que meu corpo pedisse. Mais um exame de toque e 9 centímetros, como assim? Cadê os 10 que preciso? – pensei.

Durante as contrações eu fazia força e isso me data um alívio muito grande. Cheguei a fazer umas bolinhas de cocô na água. Sim, mulheres podem fazer cocô durante o parto. Sem nojinhos, amore. Fiquei com vergonha, mas falaram que era normal. Minha irmã ia com uma peneira recolhendo tudo. Senti uma sensação muito boa por seguir meus instintos, por saber a hora de fazer força, por sentir meu corpo trabalhando. Falaram que eu precisava sair um pouco da banheira para trocar a água, que já estava fria. Eu não quis me mexer. Então a água foi sendo trocada aos poucos, comigo lá dentro mesmo.

Mais um exame de toque, 10 centímetros, foi doloroso, mas foi ótimo saber que já havia dilatação total. Senti a cabeça da Gabriela começar a passar pela pelve, foi um incômodo estranho e na minha mente veio um questionamento sem sentido: “E se ela não conseguir descer? E se ficar presa na minha pelve? E se ela arrebentar minha bacia?” Tive medo. Era um medo do desconhecido de não saber o que estava por vir. Mas eu precisava fazer força, era mais forte do que eu, meu corpo me dizia aquilo. Continuei a empurrar. Último exame de toque. A obstetriz me disse: “Ela está aqui e é cabeluda! Você não quer se tocar para senti-la?”

Coloquei o dedo dentro da vagina e senti a cabecinha dela, macia e com cabelos. Meu Deus, o que foi aquele sentimento? Comecei a chorar de emoção, eu ria de alegria. Que felicidade era poder tocar na minha princesa. Minha filha. Minha promessa.

Aquele contato com ela me deu um poder que eu não consigo explicar, mas consegui mandar todos os medos embora. Eu sabia que nós conseguiríamos passar por isso juntas e todas as minhas forças foram restauradas.

As contrações eram bastante espaçadas, mas quando vinham, eu fazia força. Lembro que nos intervalos era uma grande calmaria. Todos ao redor da banheira, a música tocando ao fundo, louvores ao meu Deus. A hora estava chegando. Em algum momento disseram que iriam chamar o pediatra. A luz estava baixa, o clima era ótimo. Agora eu me sentia segura e tranquila.

Mais algumas forças e a cabecinha dela começou a aparecer. A Andrea me lembrou que ela iria dar dois passinhos para frente e um para trás, até sair totalmente. Pude vê-la através do espelho que colocaram na minha frente e mais uma vez toquei sua cabeça. Quanto amor pude sentir! Não sei quantas forças foram necessárias, quanto tempo durou o expulsivo, mais lembro de sua cabeça sair e, uma força depois, seu corpinho. Imediatamente a dor cessou. Ela veio para o meu colo. Eu disse que ela era muito bem vinda. Que era amada.

O Rô estava ao nosso lado. Orou e cortou o cordão umbilical. A pediatra humanizada olhava e aguardava o nosso tempo. Sem intervenções. Mas Gabi precisou ser examinada e recebeu um pouquinho de oxigênio. O Rô a acompanhou em todo o tempo e logo a trouxe para mim.

Antes ainda a médica me examinou e esperou a placenta que logo saiu. Não tive laceração que precisasse de pontos.

Lá mesmo, ainda na sala de parto, eu a olhei e ela olhou para mim… e senti uma das sensações mais estranhas de toda a minha vida. Era como se eu conhecesse aquele olhar, inexplicável… e nós duas nos apaixonamos. Tentei amamentá-la, mas ela apenas cheirava e lambia meus seios. Gabi nasceu às 17h30. Foram cerca de 5 horas de TP ativo.

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Eu não me sentia cansada, sentia uma força absurda, uma energia sem fim. Eu queria rir, queria olhá-la, queria amar… Era muito amor em mim… Sentia que eu podia fazer qualquer coisa na vida! Sentia-me viva. Renasci naquele parto. Eu pari por mim, por minhas avós, por minha mãe, por minha sogra, por minha irmã… e como eu queria dizer para todas as mulheres que elas também eram capazes e não deveriam ser roubadas desse privilégio. Começou aí um novo tempo em minha vida…

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18/7 2014

Relato de parto – Alessandra – parte 2

Por Alessandra | Sem Comentários

Relato de parto – nascimento da Gabriela
Mãe Alessandra – Pai Rodrigo
Parto Natural Hospitalar

PARTE 2 – LONGOS PRÓDROMOS

Comecei a ter contrações bem cedo. Acho que na 36º semana elas já vinham fortes de vez em quando. Tinha vezes em que eu agachava no trabalho para dar uma aliviada. O povo brincava e tinha medo do bebê nascer por ali mesmo. Eu me alegrava por saber que era apenas meu corpo dando sinais e se preparando. Agradecia a Deus por cada uma delas. Elas seriam o caminho para minha filha nascer, e como eu já havia sonhado com tudo isso!

As contrações também vinham pela noite. Algumas chegavam a me acordar de madrugada. Mas nada de mais. Conversava com minha princesa e dizia o quanto eu estava feliz porque logo ela estaria em meus braços .

Com 39 semanas fui para a cama com várias fisgadas e choques no períneo. O Rô ficou empolgado e deu um beijo de boa noite em Bibi dizendo: “Filha, pode chegar, estamos te esperando”. Resolvi então tentar uma das posições que aprendi. Ajoelhei ao lado da cama, me apoiando nela e rebolei um pouquinho. A dor foi passando e enfim consegui deitar novamente. Mas fiquei acordada para ver se vinha outra. Pensei: “Será que chegou a hora? Se tiver outra em um intervalo pequeno vou acordar o Rô.” Mas não teve e cai no sono novamente.

Já com quase 40 semanas cheguei a acordar umas 10 vezes com contrações em uma noite. Elas não tinham um ritmo certo, mas não me deixaram dormir direito. Pela manhã tive consulta com a Andrea. Ela disse que Bibi estava encaixada e minha barriga bastante baixa. Fez exame de toque, sentiu um dedo de dilatação e o colo do útero bem molinho. Ela também confirmou que os pedacinhos brancos que estavam saindo de mim eram o meu tampão. E me avisou que ele poderia começar a sair com um pouco de sangue. Andrea também me orientou a dormir e descansar durante o dia: “Você não tem dormido durante a noite e precisará de energia para passar pelo TP.” Mas estava tão empolgada com essas boas notícias que saía pela casa dançando: “Bibi vai chegar! Bibi vai chegar!”

No dia 16/08/09, completamos 40 semanas de gestação. Eu estava supertranquila, mas bastante cansada de ouvir perguntarem quando ela iria nascer. A resposta era certa: “Quando ela estiver pronta.” Mas confesso que, algumas vezes isso me irritava. Ouvi todos os absurdos possíveis. Homens falando de com o a mulher poderia ficar mutilada por conta do parto vaginal – a velha falácia machista de acabar com o “parque de diversões do marido”. Mulheres que se defendiam (como se eu estivesse insultando alguém por buscar um parto natural) com os argumentos para suas cesáreas e possíveis complicações do PN que tinham ouvido a prima do marido da vizinha da vó da cunhada falar . Outros que falavam sobre o quanto “aparecida” eu queria ser por escolher algo tão diferente (como assim? Não foi Deus que nos fez para parir naturalmente? Diferente eu?). Alguns duvidavam do meu bom senso e questionavam a todo momento sobre a saúde da minha princesa. E também tinha aqueles que adoram contar a história da desgraça de alguém… coisas que toda grávida deveria ser poupada de ouvir, né?

Neste mesmo período, a Dra Andréa me deu um tempo de licença. Apesar de nossa saúde estar ótima (tirando uma dor bem chata no ciático), pelas ultrassonografias, Gabi estava um pouco menor do que o normal para a idade gestacional. Ela nos tranquilizou, poderia ser um erro do ultrassom, poderia ser um erro de DPP ou até mesmo, simplesmente, o fato da Gabriela ser menorzinha (o que se confirmou com seu nascimento e desenvolvimento posterior, até porque eu e o Rô não somos grandes). Mas ter um tempo de descanso seria muito bom.

O Rô tinha duas semanas de folga pendentes e iria tirá-las quando a Gabriela nascesse. Mas ele já estava no clima do parto e decidiu sair antes para ficar comigo nesses momentos que antecederam a chegada da Gabi.

Na nossa consulta da 40ª semana as notícias eram animadoras: colo do útero molinho, Gabi encaixadíssima e 4 centímetros de dilatação! Uhuuuuuu! Comemorei muito: se o bebê nasce com 10 centímetros de dilatação já estávamos quase na metade do caminho, que delícia aquela sensação! Como tudo estava progredindo, a Dra Andrea aproveitou para fazer uma massagem no colo do útero com óleo de prímula para ajudar no processo. Trata-se de um descolamento de membranas que foi feito com meu consentimento. E isso doeu um bocado. O Rô segurou a minha mão e eu suava frio… E o mais legal: eu estava sorrindo! Eu já havia ouvido falar nisso, e a Dra Andrea reforçou: “A boca tem uma ligação com o canal de parto. Durante a dor não deixe os lábios travados. Sorria ou abra a boca.” Resolvi sorrir… comédia pura!

A expectativa era que Gabriela nascesse até o final daquela semana. Eu sentia o meu corpo bastante diferente naqueles dias e me lembrava de cada relato de parto natural que havia lido nos últimos meses. Mexia demais comigo pensar que estava passando pelos mesmos passos que todas aquelas mulheres haviam passado. Sempre chorei ao ler estes relatos, agora, chorava de emoção ao pensar no meu parto. Sentia Deus no controle cuidando de cada detalhe, preparando todas as coisas. Não tinha medo nenhum, não me sentia nervosa. Tinho a paz que excede todo o entendimento preenchendo o meu coração (Filipenses 4:7).

Completamos 41 semanas e, na consulta com a Dra Andrea, repetimos a massagem no colo do útero. Ela me orientou a procurar uma acupunturista, pois ela poderia me ajudar a entrar em TP. Fiz 2 ou 3 sessões com ela e tomei um chá horrível demais que ela me receitou. Minha querida doula Camila também foi em casa, fez acupuntura e me deu dois florais para eu tomar.

Por termos passado de 40 semanas, comecei a fazer ultrassonografias com mais frequência. Também cheguei a fazer umas duas cardiotocos. A cada novo exame passava por um grande estresse. Médicos questionando o fato de ainda não ter feito uma cesárea, perguntas sem sentido, olhares indiscretos. As enfermeiras da clínica se apavoravam ao saberem da minha idade gestacional. Durante um cardiotoco fui rude com uma delas, mas ela insistia no fato de que a Gabriela não mexia o suficiente e ameaçou buzinar em minha barriga. Discuti, disse que não queria. Ela refez o exame e voltou na sala dizendo que teria mesmo que buzinar a Gabriela. Eu bati o pé. E, no final, o Rô me pediu para que eu a deixasse fazer aquilo para que ele ficasse mais tranquilo. Ela buzinou, imediatamente lágrimas rolaram do meu rosto, minha bebê se mexeu, provavelmente foi acordada no susto e eu pedi perdão a ela por tê-la feito passar por isso.

A essa altura as cobranças e pressões familiares se tornaram mais pesadas. Sou daquele terrível tipo de pessoa que tenta não machucar ninguém e agradar a todos e tentava responder com carinho. Mas algo em mim estava mudando, era um senso de proteção muito forte pela minha filha. Já não me importava tanto dizia que aqueles questionamentos não me faziam bem e que eu sabia exatamente o que estava fazendo. As brincadeirinhas sobre o parto já me irritavam e eu me protegia nos braços do Rodrigo.

Às vésperas de completarmos 42 semanas voltamos na Dra Andrea. Ela nos tranquilizou e nos deixou muito à vontade. Poderíamos esperar mais alguns dias (os sinais vitais da Gabi estavam perfeitos, líquido amniótico ótimo, placenta nota 10) ou então irmos para a maternidade e começar a tomar uma quantidade mínima de ocitocina para o trabalho de parto engrenar. Eu queria esperar, mas foi então que o Rodrigo desabafou. Ele queria continuar a me acompanhar nas minhas escolhas, mas estava angustiado e disse que não aguentava mais esperar. Ele sempre ouviu que foi salvo pelo médico em uma cesariana porque ele não queria nascia nunca e creio que isso, de alguma forma, continuava a assustá-lo. Então fizemos um acordo, se eu não entrasse em TP até sexta-feira iríamos para a maternidade, era quarta-feira e achei razoável.

Hoje vejo como esses medos de nossas próprias histórias de nascimento voltam, de alguma forma, quando vamos parir nossos filhos. O Rodrigo com a história da cesariana salvadora. Eu com tudo o que ouvi da minha mãe sobre não ter tido dilatação, não ter entrado em TP e isso ser comum em nossa família.

Continua…

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18/7 2014

Relato de parto – Alessandra – parte 1

Por Alessandra | Sem Comentários

Depois de quase 5 anos, pari meu relato de parto. Demorou e ficou enorme, por isso, o publicarei em 3 partes. Espero que ajude a empoderar mulheres tal qual os relatos que li durante a gestação fizeram comigo.

Relato de parto – nascimento da Gabriela
Mãe Alessandra – Pai Rodrigo
Parto Natural Hospitalar

Meu parceiro na caminhada por um parto respeitoso

Meu parceiro para a conquista de um parto respeitoso


PARTE 1 – CAMINHANDO PARA O PARTO NATURAL

Lá estava eu, dentro da sala de parto. As contrações já estavam fortes e, assim que cheguei na maternidade, fui imediatamente direcionada para ela. Olhava para os lados e procurava pelo Rodrigo. Não o encontrei, ele ainda estava na recepção fazendo minha internação. Olhei novamente ao redor e, dessa vez, procurei por minha médica. Ela também não havia chegado ainda. Comigo estavam apenas o médico da maternidade e dois enfermeiros, totalmente desconhecidos.
Mas eu não poderia esperar mais. Meu corpo começou a agir sozinho. Senti uma força muito grande, eram os puxos que ele fazia a cada contração para meu bebê nascer. Eu só tinha que me deixar levar e fazer aquilo que meus hormônios me conduziam a fazer. Já estava no período expulsivo. Quando, de repente, acordei.

Era apenas um sonho. Mas um sonho empoderador. As dores, as contrações, tudo foi muito real. Antes de engravidar havia lido um relato de parto natural e me apaixonado pela ideia. Mas o fato é que com o início da gravidez me empolguei com todo o mundo novo que eu estava vivendo e acabei deixando a questão do parto um pouco de lado. Até porque eu estava fazendo o pré-natal com a médica que eu gostava. Ela era muito querida e eu sentia que poderia confiar totalmente em suas decisões. Mas aquele sonho me despertou para uma questão: eu estava pronta para ter um parto normal. Contra todas as estatísticas e histórias de amigas que desejaram um parto normal e acabaram em cesárea, eu sabia que conseguiria parir minha filha. O sonho reacendeu a chama em meu coração por um parto normal, senti que era Deus falando comigo. Contei o sonho ao Rodrigo e ele se animou.

Eu já deveria estar no 4º mês de gestação. E quis deixar bem claro para minha obstetra minha intenção. Eu queria muito um parto normal. Ela disse que também preferia assim e disse que, no momento, não havia nada que me impedisse de tê-lo. Contou sobre próprio seu parto. Normal e cheio de intervenções. E afirmou: “Te darei anestesia, afinal de contas, sou sua amiga.” Sai da consulta confiante. Nesta etapa eu já fazia diariamente exercícios para o períneo, pois havia lido sobre seus benefícios em um parto normal.

Toda a vez que me perguntavam: “Você quer fazer cesárea ou parto normal?” Eu respondia cheia de entusiasmo: “Parto normal”. Mas, invariavelmente, aparecia alguém para dizer: “Mas tem que esperar para saber se vai dar. Não é assim não.” Sempre que ouvia isso, meu coração ficava muito angustiado e eu orava a Deus. “Senhor, o Senhor me fez perfeita, pronta para parir minha filha. Não permita que nenhuma situação me impeça de realizar este sonho.”

Após uma das minhas aulas de natação, decidi tomar café da manhã no restaurante da empresa. Fui até o caixa e a funcionária, também grávida, estava ouvindo a editora de um portal da empresa contar sobre sua experiência com o parto natural. Fiquei ouvindo, ela percebeu meu interesse e me convidou para sentar-me com ela. Durante todo o café ela descreveu como havia sido o nascimento do seu filho. A cada palavra eu me emocionava mais. Lágrimas brotavam em meus olhos. Ao me perguntar se minha médica fazia parto natural, eu respondi que sim. Mas ao saber quem era minha obstetra, ela se colocou à disposição para dar o contato de sua médica, pois sabia que não se tratava de nenhum dos conhecidos médicos humanizados que prezam pelo parto natural. Também falou da lista materna e disse que eu deveria ler mais sobre o assunto.

Aquela conversa me deixou completamente entusiasmada. Desejei, com todo o meu coração, ter um parto natural. Sem intervenções. Humanizado para mim, meu marido e minha bebê. Passei horas na internet lendo sobre o assunto. Os relatos de parto sempre me faziam chorar, eu também queria aquela avalanche de emoções na história da minha família. Fiz minha inscrição na lista Materna e perguntei para a Ana Cris se ela conhecia a minha atual obstetra. Ela foi clara: 80% de cesáreas.

Conversei com o Rodrigo e mostrei minha insegurança. Disse que na próxima consulta falaria de qualquer jeito sobre o parto. A médica costumava me enrolar quando eu tocava no assunto dizendo que ainda era cedo. Mas agora, com 32 semanas de gestação, ela teria que mudar o discurso.

Percebi que a obstetra não havia ficado feliz com a quantidade de perguntas que eu fazia sobre o parto: “Você andou lendo, né?” Perguntou ela. Logo vi que ela não queria que eu soubesse detalhes do parto. Para ela, aquilo era assunto apenas dela. Então insisti no assunto:
Eu – “Doutora, você faz episiotomia de rotina?”
Médica – “Mas é claro.”
Eu – “E se eu não quiser?”
Médica – “Você vai querer . As estatísticas provam que, se não for feita, sua chance de sofrer mais tarde de ´bexiga caída` será muito grande.”
Eu – “E tricotomia?”
Médica – “Sempre fazemos na maternidade.”
Eu – “E faz uso rotineiro de ocitocina intravenosa?”
Médica – “Com certeza, preciso te ajudar a ter contrações eficientes. Aliás espero, no máximo, 6 horas. Se não dilatar tudo, vamos para a sala de cirurgia.”
Eu – “Mas nós vamos esperar eu entrar em trabalho de parto naturalmente?”
Médico – “Não deixo passar de 40 semanas. Se não entrar em TP até lá, posso até tentar induzir.”
Eu – “Posso andar durante o trabalho de parto?”
Médica – “Pode ficar na bola, um pouco na banheira. Mas terá que ir para a cama para ficar na posição do parto.”
Eu – “Bom, eu posso, pelo menos, optar por não tomar anestesia?”
Médica – “Não, não vou deixá-la passar por isso sem uma.”
Eu – “E a senhora faz aquela limpeza chata do intestino?”
Médica – “Não, isso eu não faço não.”
Eu – “Ufa, pelo menos isso né, doutora? Também estou pensando em levar um pediatra neonatal para ter os primeiros cuidados com o bebê.”
Médica – “Melhor não. Melhor usar o da maternidade para não termos confusão de equipes.”

Depois de todas essas respostas fiquei completamente confusa. Aquela médica querida já não correspondia às minhas expectativas para o parto. Creio que eu também não me encaixava mais no perfil de paciente que ela costumava atender. Eu fiz perguntas demais. Ela sentiu a tensão. Nosso relacionamento médico-paciente parecia ter sido abalado. Eu já não era mais tão paciente assim.

Eu precisava ter ao meu lado uma médica que respeitasse minhas escolhas pelo parto natural. Eu conhecia todos os benefícios de um parto com o mínimo de intervenções possível. Decidi, então, ligar para médica da minha colega e agendar uma consulta, eu precisava entender porque ela era diferente.

A sala de atendimento já era diferente por si só. Cama baixinha, banquinho do lado, nada de lugar para pendurar as pernas. A médica, bastante jovem, nos tratou com respeito e simpatia. Ok, isso a outra médica também fazia. Mas a Dra. Andréa, tinha mais do que isso, ela sabia ouvir e não tinha respostas prontas para tudo. Muito do que eu perguntava, cabia a mim decidir depois de todas as alternativas e explicações apresentadas. Fui invadida por uma paz deliciosa, a certeza de que estava no lugar certo e de que, apesar de já estar no terceiro trimestre, ainda dava tempo de conquistar um PN. Até a hora que ela me passou os valores da equipe médica. Confesso que fiquei assustada, mas era um assunto a discutir com o Rodrigo.

Essa é uma grande questão no meio do parto humanizado. Mas não tem jeito. Se você ficar com seu médico do convênio ele vai te levar para uma cesárea por um motivo qualquer, já que o valor que ele receberá será pouco para te acompanhar tranquilamente durante todo o seu trabalho de parto. Algumas mulheres que realmente não têm condições de pagar procuram as Casas de Parto, outras contratam uma doula para aguentar o TP em casa e ir para a maternidade com médico plantonista já no expulsivo… Mas você também pode bater um papo com a equipe e verificar possibilidades de pagamento parcelado. Mas já vi muita mulher fazer enxoval em Miami e reclamar do valor do médico humanizado particular. É tudo questão de prioridade, dar uma economizada de um lado para consegui algo que lhe é mais precioso.

Conversamos, ponderamos e fiquei feliz demais por optarmos por trocar de GO. Não, não tínhamos aquele dinheiro. Precisaríamos abrir mão de algumas coisas, economizar em outras, mas faríamos tudo para trazer nossa Gabi ao um mundo de forma respeitosa.

Pensei em voltar na antiga e me despedir. Mas não sobrou tempo na minha agenda. Ela nunca me ligou para perguntar por que simplesmente sumi. Acho que ela já sabia que isso iria acontecer.

Logo começaram os questionamentos familiares sobre a mudança de médico. Sobre os motivos, sobre a escolha do parto natural, sobre o porquê de se pagar por algo que você pode fazer pelo convênio. Mas eu estava tão certa do caminho escolhido e tão cheia de argumentos que respondia a tudo cordialmente. Até demais, hoje eu penso… rs

E, então, comecei a minha busca por uma doula. Queria que ela fosse uma pessoa que me passasse tranquilidade e confiança já que era tudo novo para mim. E foi através da lista de discussão Materna que conheci a Camila. Ela é naturóloga, especializada em massagens. Nossa empatia foi instantânea!

Continua…

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27/8 2013

Relato de parto natural – Leticia Alonso Schaefer

Por Alessandra | Sem Comentários

 

Relato de parto natural

Letícia e Miguel: Ela se informou e conseguiu ter um lindo parto natural

Tenho 18 anos, engravidei aos 17…
No início, fiquei assustada..Mas comecei a aceitar, de que o bebê não tinha nada com a minha irresponsabilidade e que eu teria que arcar com as consequências. Comecei à ir a igreja e percebi que ser mãe é uma benção que Deus tinha me dado e que mudaria radicalmente a minha vida, pra melhor!
Conheci a doula Alessandra Rebecchi Feitosa, que me orientou durante a gravidez. Comecei a ter muito interesse pelo assunto e comecei a pesquisar tudo sobre parto, gravidez, como está o desenvolvimento do meu bebê semana a semana. Eu comemorava: ”Essa semana meu bebê já tem cabelinhos…” E toda semana era uma coisa nova.. Sempre pesquisando cada vez mais, vendo vídeos.
Comecei a me interessar muito em ter um parto natural, mas meu medo era maior. Pensei: eu não vou aguentar as dores. Como fiz meu pré-natal pelo SUS eu não tinha muitas opções a não ser o parto normal. Pelo SUS, eles fazem cesariana em caso de emergência ou gravidez de risco, o que não era o meu caso. Então comecei a me acostumar com a ideia, mas ainda com muito medo da dor. Comecei a pesquisar quais hospitais davam anestesia e todos os métodos possíveis pra acabar com minha dor. Mas, no finalzinho da gravidez, comecei a aceitar que o SUS não dá anestesia e que muitas mulheres já passaram por isso. Que, talvez, isso fosse pra me mostrar o quanto eu sou forte e já ter uma sintonia com meu bebê. Decidi ir para o Amparo Maternal, onde as médicas são maravilhosas, nos tratam muito bem. Mas, mesmo assim, usam ocitocina. Com 37 semanas+4 dias, sábado a noite, às 23h48, comecei a sentir umas cólicas chatas,  mas nada demais. Em seguida, uma vontade de louca de ir ao banheiro. Parecia que eu estava com dor de barriga. Fiquei cerca de 40 minutos no banheiro e a dor de barriga não passava. Pelo que tinha lido, diarreia era um dos sintomas que estaria próximo o parto. Mas não me desesperei, a ansiedade era demais a gravidez inteira, mas na data eu estava calma… Acordei meu marido com calma e disse: acho que estou tendo contrações. Elas vinham de 4 em 4 minutos, ai fui pro banho.. Fiquei lá cerca de meia hora… quando sai do banho já estavam vindo de 2 em 2 minutos.. Mas não estava aquela dor absurda.. Eu ainda conseguia conversar nos intervalos das contrações, porém, queria ficar quietinha. Enrolei um pouco pra ir pro hospital pois não queria que eles me mandassem pra casa, eu queria ter certeza de que eu já ficaria lá e sairia com meu bebê!!! Cheguei na maternidade à 1h40, me examinaram eu estava com 8cm de dilatação… Eu disse pra médica que não queria tomar ocitocina, que não seria necessário, e ela perguntou: “mas porque você não quer?” Eu disse que recebi acompanhamento de doula  e não achava necessário.
Fui pra sala de pré parto e fiquei lá durante alguns minutos, que não faço ideia de quantos foram pois perdemos a noção do tempo nessas horas, rs. Uma enfermeira me disse: “você que não quer ocitocina né?” Eu respondi: “sim, eu não acho necessário”. Ele me respondeu:  “ah, mas no final sempre acabam dando”. Falei: “mas eu disse que não quero.”
Ai ele perguntou:”Sua bolsa já estourou?” Eu disse que não.. Cerca de 2 minutos depois ele voltou porque iria estourar minha bolsa mas ela estourou sozinha.
Fui pra sala de parto. Empurrei 2 vezes, não senti ”círculo de fogo”, nem coroamento. Eu só sentia muita vontade de empurrar. Empurrei e ele veio pra mim.. Foi muito rápido. O meu bebê veio direto pra mim, o que era o meu maior desejo depois do parto: gostaria que ele nascesse e viesse direto aos meus braços e foi isso que aconteceu. Ele veio, ficou comigo e foi a melhor sensação do mundo. Qualquer dor que eu havia sentido acabou ali pois a felicidade era tanta…
Meu marido cortou o cordão umbilical e ficamos ali com nosso bebê, eles não nos apressaram.
Quando levaram o Miguel eu perguntei: “meu períneo está integro?” Ela disse: “Está!! E sem ocitocina, que bom que se informou! Eu não gosto de fazer parto sem a ocitocina, mas gostei do seu parto, parabéns!”
Foi maravilhoso, não levei pontos, não fizeram episiotomia, não tomei a ocitocina. Foi ótimo! Meu parto foi maravilhoso, e rápido. Miguel nasceu às 3h20, muito rápido pra ser o primeiro parto. Fui muito abençoada. Mas se eu pudesse voltar no tempo, eu mudaria, eu faria numa casa de parto, dentro de uma banheira, totalmente fora do ambiente hospitalar.. Pois meu parto seria muito mais lindo!!!
Quero passar, através dessa mensagem, para as mulheres que tem medo da dor do parto normal, mas querem ter um parto humanizado, encorajamento. Pois nós somos capazes disso, não tenham medo, pois eu daria tudo pra ter meu bebê na banheira se soubesse que a dor não era tanta como pensei que fosse e que eu era capaz de passar por isso sem nenhuma intervenção e trazer meu bebê ao mundo! Quero agradecer à minha doula maravilhosa, que me informou, e me acompanhou a gravidez toda, tirando todas as minhas dúvidas e me encorajando!! Meu próximo parto, com total certeza, será do jeito que eu sonhei, rs, sem medo algum! Boa sorte mamães!!

Letícia Alonso Schaefer

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12/12 2012

Entrevista sobre plano de parto

Por Alessandra | Sem Comentários

Entrevista que dei para a revista Claudia Bebê sobre plano de parto

Entrevista que dei para a revista Claudia Bebê sobre plano de parto

No meio deste ano, fui entrevistada pela revista Claudia Bebê a respeito de como o plano de parto havia sido importante para mim.

A matéria foi recentemente publicada no Bebe.com.br e coloco aqui o link para que você possa dar uma olhada.

O meu eu já publiquei aqui no blog. Ele foi fundamental para que  toda a equipe conhecesse e respeitasse minhas escolhas.  Mas não adianta simplesmente escrever um plano e jogar na mão de qualquer médico. A escolha por uma equipe humanizada e que respeite o seu protagonismo na hora do parto é fundamental.

Aliás, você, que está grávida e quer ter um parto normal, já bateu um papo com seu obstetra sobre suas condutas na hora do parto? No post sobre Motivos para optar por um parto humanizado, escrevi sobre as intervenções comumente usadas pelos médicos tradicionais, mas que são completamente desnecessárias. Elas atrapalham a normal evolução do trabalho de parto (podendo levar, até mesmo, a uma cesárea) e impedem que a  gestante seja a protagonista do processo.

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28/11 2012

A violência obstétrica que eu quase sofri

Por Alessandra | 4 Comentários

Assistir ao documentário Violência Obstétrica – A Voz das Brasileiras, me fez ver o quão perto eu estive de ser uma vítima deste tipo de atendimento tecnocrata e hostil da obstetrícia no Brasil. Ouvir a história daqueles mulheres me fez perceber que, por um muito pouco, eu poderia ter participado do vídeo, com feridas físicas e emocionais, tais como as delas.
Hoje, percebo que, de certa forma, também, estava a ser violentada. Mas consegui mudar o rumo de nossa história. E o antídoto para este veneno chama-se informação.
Minha antiga médica obstetra dizia que só deveríamos conversar sobre o parto no final da gestação. Fugia das perguntas que eu sempre fazia a respeito dele e isso me incomodava demais. Até que um dia, depois de ler muito sobre partos naturais, comecei a cobrar respostas efetivas.
Eu: Você faz episiotomia de rotina?
Ela: Sim, não faço partos sem episio. Do contrário você ganharia sérios problemas de incontinência urinária.

Eu: E eu posso me movimentar durante o trabalho de parto?
Ela: Claro. Pode ficar na bola, na banheira… Mas no expulsivo precisa ficar deitada na cama.

Eu: E se eu não quiser tomar anestesia…
Ela: Sou sua amiga e vou te dar anestesia de qualquer jeito.
Eu: Eu não gostaria de fazer uso de ocitocina durante o parto, pode ser?
Ela: Ela é fundamental para ritmar suas contrações e torná-las efetivas. Vamos usá-la.

Eu: E se minha bebê não nascer até a 40ª semana? Posso esperar até 42?
Ela: Não. O único caso que me aconteceu assim, chegou até 41, mas fiz a mãe assinar um termo de responsabilidade pela vida de seu filho. O que podemos fazer se chegar na 40ª semana é tentar uma indução.

Eu: Mas quanto tempo você espera o trabalho de parto transcorrer sem me levar para uma cesárea?
Ela: No máximo 6 horas de indução. Depois disso se torna muito perigoso para o seu bebê.Puxa, você andou lendo, né?

Sai do consultório arrasada. O parto seria do jeito dela. Já me via deitada na cama, pernas no estribo, sem sentir as contrações, levando um belo corte do períneo e com alguém subindo em minha barriga para fazer manobras de Kristeller. Era exatamente o cenário que eu mais temia (depois da cesárea). Eu precisava encontrar uma saída, tinha certeza que o parto da Gabi seria um evento lindo e não traumático.
Foi neste momento que marquei uma consulta com minha atual médica. E sai de lá suspirando. Ela disse que o parto seria meu, eu tomaria as decisões, ela estaria lá só para me ajudar no que eu precisasse. Nunca mais voltei no outro consultório, ela nem me ligou para saber se eu bem… com certeza, sentiu em meus questionamentos que eu não estava feliz com seu protocolo de atendimento ao parto.

E não pensem que ela fazia dessa forma por causa dos valores do convênio. Apesar de me atender por ele, cobrava o parto por fora (a até hoje não sei o valor porque ela dizia que conversaríamos sobre o valor mais pra frente – quando eu não tivesse mais como voltar atrás???).
Pois bem. Gabi nasceu com quase 42 semanas de gestação. Em um trabalho de parto que durou umas 6 horas… Ou seja, as chances de eu ter parado em uma cesárea desnecessária eram totais. Afinal de contas, se ela induzisse o parto com 40 semanas, possivelmente ele teria durado bem mais de 6 horas.
Além disso, Gabi poderia ter ido direto para a UTI. Sim, porque o trabalho de parto só acontece quando o bebê está pronto para nascer e seu pulmão começa a liberar substâncias que fazem com que a mulher entre em trabalho de parto. Ela poderia ter sido arrancada do meu útero sem estar com seu pulmão completamente maduro. Pela DUM eu estava quase na 42ª semana, mas ela nem sempre está de acordo com a realidade do bebê. Por isso, passar da 40ª é muito normal.
Dá para entender como é sério essa história recorrente de se agendar cesáreas eletivas?

A violência obstétrica que sofri foi apenas através das ameaças por um parto cheio de intervenções. Mas poderia ter se tornado efetiva. Vi isso através da história das mulheres daquele documentário.
E afirmo, com toda a certeza, que a vacina contra esse mal foi a informação de qualidade. E é por ela que tenho lutado. É por ela que este blog existe hoje. É por ela que tenho me especializado a cada dia mais.

Quero levar informação para que outras mulheres tenham a mesma chance que tive de mudarem seus destinos. Quero que outras mulheres tenham o direito a fazerem suas próprias escolhas sem medo das ameaças infundadas dos médicos. Quero ajudar outras mulheres a se emponderarem e fugirem de sofrerem a violência obstétrica.
Esse é um trabalho de formiguinha. Mas estou completamente apaixonada, e não vou desistir.

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16/11 2012

Como cuidar do seu períneo durante a gestação

Por Alessandra | Sem Comentários

Entre tantas coisas que uma gestante precisa se preocupar, o períneo é uma das mais importantes. Mas, infelizmente, muitas vezes, não somos orientadas pelos profissionais a cuidar dele.

O correto seria trabalharmos a musculatura perineal deste nossa primeira ida ao  ginecologista e intensificar seu fortalecimento e melhora da elasticidade durante a gravidez. Não só para a hora do parto normal, mas também para que não fique prejudicado por conta de todo o peso que carregamos  na gestação.

Confira na matéria abaixo – que fiz para o Bebe.com.br   – as diversas formas de preparar seu assoalho pélvico para o parto.

Beijocas,

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09/10 2012

Ótimos livros para pais de primeira viagem

Por Alessandra | Sem Comentários

Esta semana escrevi uma matéria para o www.bebe.com.br sobre livros bacanas para pais de primeira viagem.
É uma lista com 15 livros, muitos dos quais já li, e aqueles que ainda não li, pesquisei profundamente para saber se condiziam com aquilo que acredito serem práticas conscientes de maternagem.

Vale a pena dar uma conferida lá:

 

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Escolhi ser Mãe | 2013
Por Alessandra Rebecchi Feitosa - Todos os direitos reservados
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