18/7 2014

Relato de parto – Alessandra – parte 1

Por Alessandra | Sem Comentários

Depois de quase 5 anos, pari meu relato de parto. Demorou e ficou enorme, por isso, o publicarei em 3 partes. Espero que ajude a empoderar mulheres tal qual os relatos que li durante a gestação fizeram comigo.

Relato de parto – nascimento da Gabriela
Mãe Alessandra – Pai Rodrigo
Parto Natural Hospitalar

Meu parceiro na caminhada por um parto respeitoso

Meu parceiro para a conquista de um parto respeitoso


PARTE 1 – CAMINHANDO PARA O PARTO NATURAL

Lá estava eu, dentro da sala de parto. As contrações já estavam fortes e, assim que cheguei na maternidade, fui imediatamente direcionada para ela. Olhava para os lados e procurava pelo Rodrigo. Não o encontrei, ele ainda estava na recepção fazendo minha internação. Olhei novamente ao redor e, dessa vez, procurei por minha médica. Ela também não havia chegado ainda. Comigo estavam apenas o médico da maternidade e dois enfermeiros, totalmente desconhecidos.
Mas eu não poderia esperar mais. Meu corpo começou a agir sozinho. Senti uma força muito grande, eram os puxos que ele fazia a cada contração para meu bebê nascer. Eu só tinha que me deixar levar e fazer aquilo que meus hormônios me conduziam a fazer. Já estava no período expulsivo. Quando, de repente, acordei.

Era apenas um sonho. Mas um sonho empoderador. As dores, as contrações, tudo foi muito real. Antes de engravidar havia lido um relato de parto natural e me apaixonado pela ideia. Mas o fato é que com o início da gravidez me empolguei com todo o mundo novo que eu estava vivendo e acabei deixando a questão do parto um pouco de lado. Até porque eu estava fazendo o pré-natal com a médica que eu gostava. Ela era muito querida e eu sentia que poderia confiar totalmente em suas decisões. Mas aquele sonho me despertou para uma questão: eu estava pronta para ter um parto normal. Contra todas as estatísticas e histórias de amigas que desejaram um parto normal e acabaram em cesárea, eu sabia que conseguiria parir minha filha. O sonho reacendeu a chama em meu coração por um parto normal, senti que era Deus falando comigo. Contei o sonho ao Rodrigo e ele se animou.

Eu já deveria estar no 4º mês de gestação. E quis deixar bem claro para minha obstetra minha intenção. Eu queria muito um parto normal. Ela disse que também preferia assim e disse que, no momento, não havia nada que me impedisse de tê-lo. Contou sobre próprio seu parto. Normal e cheio de intervenções. E afirmou: “Te darei anestesia, afinal de contas, sou sua amiga.” Sai da consulta confiante. Nesta etapa eu já fazia diariamente exercícios para o períneo, pois havia lido sobre seus benefícios em um parto normal.

Toda a vez que me perguntavam: “Você quer fazer cesárea ou parto normal?” Eu respondia cheia de entusiasmo: “Parto normal”. Mas, invariavelmente, aparecia alguém para dizer: “Mas tem que esperar para saber se vai dar. Não é assim não.” Sempre que ouvia isso, meu coração ficava muito angustiado e eu orava a Deus. “Senhor, o Senhor me fez perfeita, pronta para parir minha filha. Não permita que nenhuma situação me impeça de realizar este sonho.”

Após uma das minhas aulas de natação, decidi tomar café da manhã no restaurante da empresa. Fui até o caixa e a funcionária, também grávida, estava ouvindo a editora de um portal da empresa contar sobre sua experiência com o parto natural. Fiquei ouvindo, ela percebeu meu interesse e me convidou para sentar-me com ela. Durante todo o café ela descreveu como havia sido o nascimento do seu filho. A cada palavra eu me emocionava mais. Lágrimas brotavam em meus olhos. Ao me perguntar se minha médica fazia parto natural, eu respondi que sim. Mas ao saber quem era minha obstetra, ela se colocou à disposição para dar o contato de sua médica, pois sabia que não se tratava de nenhum dos conhecidos médicos humanizados que prezam pelo parto natural. Também falou da lista materna e disse que eu deveria ler mais sobre o assunto.

Aquela conversa me deixou completamente entusiasmada. Desejei, com todo o meu coração, ter um parto natural. Sem intervenções. Humanizado para mim, meu marido e minha bebê. Passei horas na internet lendo sobre o assunto. Os relatos de parto sempre me faziam chorar, eu também queria aquela avalanche de emoções na história da minha família. Fiz minha inscrição na lista Materna e perguntei para a Ana Cris se ela conhecia a minha atual obstetra. Ela foi clara: 80% de cesáreas.

Conversei com o Rodrigo e mostrei minha insegurança. Disse que na próxima consulta falaria de qualquer jeito sobre o parto. A médica costumava me enrolar quando eu tocava no assunto dizendo que ainda era cedo. Mas agora, com 32 semanas de gestação, ela teria que mudar o discurso.

Percebi que a obstetra não havia ficado feliz com a quantidade de perguntas que eu fazia sobre o parto: “Você andou lendo, né?” Perguntou ela. Logo vi que ela não queria que eu soubesse detalhes do parto. Para ela, aquilo era assunto apenas dela. Então insisti no assunto:
Eu – “Doutora, você faz episiotomia de rotina?”
Médica – “Mas é claro.”
Eu – “E se eu não quiser?”
Médica – “Você vai querer . As estatísticas provam que, se não for feita, sua chance de sofrer mais tarde de ´bexiga caída` será muito grande.”
Eu – “E tricotomia?”
Médica – “Sempre fazemos na maternidade.”
Eu – “E faz uso rotineiro de ocitocina intravenosa?”
Médica – “Com certeza, preciso te ajudar a ter contrações eficientes. Aliás espero, no máximo, 6 horas. Se não dilatar tudo, vamos para a sala de cirurgia.”
Eu – “Mas nós vamos esperar eu entrar em trabalho de parto naturalmente?”
Médico – “Não deixo passar de 40 semanas. Se não entrar em TP até lá, posso até tentar induzir.”
Eu – “Posso andar durante o trabalho de parto?”
Médica – “Pode ficar na bola, um pouco na banheira. Mas terá que ir para a cama para ficar na posição do parto.”
Eu – “Bom, eu posso, pelo menos, optar por não tomar anestesia?”
Médica – “Não, não vou deixá-la passar por isso sem uma.”
Eu – “E a senhora faz aquela limpeza chata do intestino?”
Médica – “Não, isso eu não faço não.”
Eu – “Ufa, pelo menos isso né, doutora? Também estou pensando em levar um pediatra neonatal para ter os primeiros cuidados com o bebê.”
Médica – “Melhor não. Melhor usar o da maternidade para não termos confusão de equipes.”

Depois de todas essas respostas fiquei completamente confusa. Aquela médica querida já não correspondia às minhas expectativas para o parto. Creio que eu também não me encaixava mais no perfil de paciente que ela costumava atender. Eu fiz perguntas demais. Ela sentiu a tensão. Nosso relacionamento médico-paciente parecia ter sido abalado. Eu já não era mais tão paciente assim.

Eu precisava ter ao meu lado uma médica que respeitasse minhas escolhas pelo parto natural. Eu conhecia todos os benefícios de um parto com o mínimo de intervenções possível. Decidi, então, ligar para médica da minha colega e agendar uma consulta, eu precisava entender porque ela era diferente.

A sala de atendimento já era diferente por si só. Cama baixinha, banquinho do lado, nada de lugar para pendurar as pernas. A médica, bastante jovem, nos tratou com respeito e simpatia. Ok, isso a outra médica também fazia. Mas a Dra. Andréa, tinha mais do que isso, ela sabia ouvir e não tinha respostas prontas para tudo. Muito do que eu perguntava, cabia a mim decidir depois de todas as alternativas e explicações apresentadas. Fui invadida por uma paz deliciosa, a certeza de que estava no lugar certo e de que, apesar de já estar no terceiro trimestre, ainda dava tempo de conquistar um PN. Até a hora que ela me passou os valores da equipe médica. Confesso que fiquei assustada, mas era um assunto a discutir com o Rodrigo.

Essa é uma grande questão no meio do parto humanizado. Mas não tem jeito. Se você ficar com seu médico do convênio ele vai te levar para uma cesárea por um motivo qualquer, já que o valor que ele receberá será pouco para te acompanhar tranquilamente durante todo o seu trabalho de parto. Algumas mulheres que realmente não têm condições de pagar procuram as Casas de Parto, outras contratam uma doula para aguentar o TP em casa e ir para a maternidade com médico plantonista já no expulsivo… Mas você também pode bater um papo com a equipe e verificar possibilidades de pagamento parcelado. Mas já vi muita mulher fazer enxoval em Miami e reclamar do valor do médico humanizado particular. É tudo questão de prioridade, dar uma economizada de um lado para consegui algo que lhe é mais precioso.

Conversamos, ponderamos e fiquei feliz demais por optarmos por trocar de GO. Não, não tínhamos aquele dinheiro. Precisaríamos abrir mão de algumas coisas, economizar em outras, mas faríamos tudo para trazer nossa Gabi ao um mundo de forma respeitosa.

Pensei em voltar na antiga e me despedir. Mas não sobrou tempo na minha agenda. Ela nunca me ligou para perguntar por que simplesmente sumi. Acho que ela já sabia que isso iria acontecer.

Logo começaram os questionamentos familiares sobre a mudança de médico. Sobre os motivos, sobre a escolha do parto natural, sobre o porquê de se pagar por algo que você pode fazer pelo convênio. Mas eu estava tão certa do caminho escolhido e tão cheia de argumentos que respondia a tudo cordialmente. Até demais, hoje eu penso… rs

E, então, comecei a minha busca por uma doula. Queria que ela fosse uma pessoa que me passasse tranquilidade e confiança já que era tudo novo para mim. E foi através da lista de discussão Materna que conheci a Camila. Ela é naturóloga, especializada em massagens. Nossa empatia foi instantânea!

Continua…

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27/8 2013

Relato de parto natural – Leticia Alonso Schaefer

Por Alessandra | Sem Comentários

 

Relato de parto natural

Letícia e Miguel: Ela se informou e conseguiu ter um lindo parto natural

Tenho 18 anos, engravidei aos 17…
No início, fiquei assustada..Mas comecei a aceitar, de que o bebê não tinha nada com a minha irresponsabilidade e que eu teria que arcar com as consequências. Comecei à ir a igreja e percebi que ser mãe é uma benção que Deus tinha me dado e que mudaria radicalmente a minha vida, pra melhor!
Conheci a doula Alessandra Rebecchi Feitosa, que me orientou durante a gravidez. Comecei a ter muito interesse pelo assunto e comecei a pesquisar tudo sobre parto, gravidez, como está o desenvolvimento do meu bebê semana a semana. Eu comemorava: ”Essa semana meu bebê já tem cabelinhos…” E toda semana era uma coisa nova.. Sempre pesquisando cada vez mais, vendo vídeos.
Comecei a me interessar muito em ter um parto natural, mas meu medo era maior. Pensei: eu não vou aguentar as dores. Como fiz meu pré-natal pelo SUS eu não tinha muitas opções a não ser o parto normal. Pelo SUS, eles fazem cesariana em caso de emergência ou gravidez de risco, o que não era o meu caso. Então comecei a me acostumar com a ideia, mas ainda com muito medo da dor. Comecei a pesquisar quais hospitais davam anestesia e todos os métodos possíveis pra acabar com minha dor. Mas, no finalzinho da gravidez, comecei a aceitar que o SUS não dá anestesia e que muitas mulheres já passaram por isso. Que, talvez, isso fosse pra me mostrar o quanto eu sou forte e já ter uma sintonia com meu bebê. Decidi ir para o Amparo Maternal, onde as médicas são maravilhosas, nos tratam muito bem. Mas, mesmo assim, usam ocitocina. Com 37 semanas+4 dias, sábado a noite, às 23h48, comecei a sentir umas cólicas chatas,  mas nada demais. Em seguida, uma vontade de louca de ir ao banheiro. Parecia que eu estava com dor de barriga. Fiquei cerca de 40 minutos no banheiro e a dor de barriga não passava. Pelo que tinha lido, diarreia era um dos sintomas que estaria próximo o parto. Mas não me desesperei, a ansiedade era demais a gravidez inteira, mas na data eu estava calma… Acordei meu marido com calma e disse: acho que estou tendo contrações. Elas vinham de 4 em 4 minutos, ai fui pro banho.. Fiquei lá cerca de meia hora… quando sai do banho já estavam vindo de 2 em 2 minutos.. Mas não estava aquela dor absurda.. Eu ainda conseguia conversar nos intervalos das contrações, porém, queria ficar quietinha. Enrolei um pouco pra ir pro hospital pois não queria que eles me mandassem pra casa, eu queria ter certeza de que eu já ficaria lá e sairia com meu bebê!!! Cheguei na maternidade à 1h40, me examinaram eu estava com 8cm de dilatação… Eu disse pra médica que não queria tomar ocitocina, que não seria necessário, e ela perguntou: “mas porque você não quer?” Eu disse que recebi acompanhamento de doula  e não achava necessário.
Fui pra sala de pré parto e fiquei lá durante alguns minutos, que não faço ideia de quantos foram pois perdemos a noção do tempo nessas horas, rs. Uma enfermeira me disse: “você que não quer ocitocina né?” Eu respondi: “sim, eu não acho necessário”. Ele me respondeu:  “ah, mas no final sempre acabam dando”. Falei: “mas eu disse que não quero.”
Ai ele perguntou:”Sua bolsa já estourou?” Eu disse que não.. Cerca de 2 minutos depois ele voltou porque iria estourar minha bolsa mas ela estourou sozinha.
Fui pra sala de parto. Empurrei 2 vezes, não senti ”círculo de fogo”, nem coroamento. Eu só sentia muita vontade de empurrar. Empurrei e ele veio pra mim.. Foi muito rápido. O meu bebê veio direto pra mim, o que era o meu maior desejo depois do parto: gostaria que ele nascesse e viesse direto aos meus braços e foi isso que aconteceu. Ele veio, ficou comigo e foi a melhor sensação do mundo. Qualquer dor que eu havia sentido acabou ali pois a felicidade era tanta…
Meu marido cortou o cordão umbilical e ficamos ali com nosso bebê, eles não nos apressaram.
Quando levaram o Miguel eu perguntei: “meu períneo está integro?” Ela disse: “Está!! E sem ocitocina, que bom que se informou! Eu não gosto de fazer parto sem a ocitocina, mas gostei do seu parto, parabéns!”
Foi maravilhoso, não levei pontos, não fizeram episiotomia, não tomei a ocitocina. Foi ótimo! Meu parto foi maravilhoso, e rápido. Miguel nasceu às 3h20, muito rápido pra ser o primeiro parto. Fui muito abençoada. Mas se eu pudesse voltar no tempo, eu mudaria, eu faria numa casa de parto, dentro de uma banheira, totalmente fora do ambiente hospitalar.. Pois meu parto seria muito mais lindo!!!
Quero passar, através dessa mensagem, para as mulheres que tem medo da dor do parto normal, mas querem ter um parto humanizado, encorajamento. Pois nós somos capazes disso, não tenham medo, pois eu daria tudo pra ter meu bebê na banheira se soubesse que a dor não era tanta como pensei que fosse e que eu era capaz de passar por isso sem nenhuma intervenção e trazer meu bebê ao mundo! Quero agradecer à minha doula maravilhosa, que me informou, e me acompanhou a gravidez toda, tirando todas as minhas dúvidas e me encorajando!! Meu próximo parto, com total certeza, será do jeito que eu sonhei, rs, sem medo algum! Boa sorte mamães!!

Letícia Alonso Schaefer

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15/3 2013

Cascata de intervenções no trabalho de parto

Por Alessandra | Sem Comentários

Todas essas intervenções podem (e devem!) ser evitadas. Informe-se!

Todas essas intervenções podem (e devem!) ser evitadas. Informe-se!

Obstetras tradicionais falam em indução de parto com se fosse a coisa mais segura do mundo. Defendem a condução do trabalho de parto (com ocitocina e outras intervenções) como se fosse a medida mais indicada e adequada para a segurança da gestante e do bebê.

Mas nada disso é verdade. Intervenções sem qualquer real indicação não são recomendadas pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde do Brasil. Na realidade, a indução e a condução do parto podem levar o nascimento do bebê a desfechos indesejáveis e perigosos. Elas apenas tornam o processo mais rápido e de fácil controle para o médico e, na maioria das vezes, levam a uma cascata de intervenções (quando uma intervenção leva a outra).

Por exemplo, por ainda não estar na hora do parto acontecer naturalmente, o trabalho de parto não progride e a gestante vai parar em uma cesárea desnecessária. E a pobre mãe ainda acha que não é perfeita porque não conseguiu dilatar. Teria conseguido se o médico esperasse o trabalho de parto acontecer naturalmente.

A gestante também sofrer demais com as contrações provocadas pela ocitocina sintética (muito mais dolorosas e intensas do que as provocadas pelo hormônio produzido por seus próprio corpo) e precisar de uma anestesia que pode parar a progressão do trabalho de parto e, também, levar a uma cesárea.

As contrações exageradas por conta do hormônio sintético podem gerar sofrimento fetal, o que acabaria em uma cesárea ou, antes disso, na monitoração intermitente dos batimentos cardíacos fetais que chegaria (de novo) em uma cesárea ou em parto com fórceps/vácuo extrator e episiotomia na mãe.

Tais contrações tão fortes também podem levar a um parto rápido demais e aumentar o risco de hemorragia materna pós-parto.

Tem também a velha questão sobre o bebê já ter passado das 37 semanas e estar pronto para nascer. Como já vimos em outro post, isso nem sempre é correto e muitas vezes a criança nasce prematura precisando ir direto para o UTI.

Em quase todos esses caminhos o bebê não teria o primeiro contato imediato com a mãe, tornando o vínculo tardio e prejudicando a amamentação. O próprio uso da anestesia deixa o bebê mais sonolento, sem vontade de sugar e comprometendo a amamentação na primeira hora de vida.

Minha antiga obstetra falava em indução de parto após 40 semanas e condução no caso de eu entrar em trabalho de parto espontaneamente. Como eu fugi disso? Lendo muito, informando-me, e confrontando-a. Mudei a história de nascimento da minha Gabriela e os caminhos da minha vida. Você também pode, acredite. Não tenha medo de lutar por um parto respeitoso e (de fato) seguro.

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27/2 2013

Cesáreas eletivas e prematuridade

Por Alessandra | 1 Comentário

Cesáreas eletivas aumentam risco de parto prematuro

Fonte: Folha de S.Paulo

O Brasil é o 10º país no mundo em número de nascimentos prematuros mostrou a Folha de S.Paulo hoje citando um levantamento da Organização Mundial da Saúde divulgado ano passado. Sim, por aqui, são cerca de 280 mil bebês prematuros por ano. E o mais triste de tudo isso é que esse número poderia ser bem menor se não fôssemos o país campeão mundial da cesárea.

Enquanto a Organização Mundial da Saúde recomenda um máximo de 15% de cesáreas, o Brasil alcança os 90% em instituições privadas. Facilidades, comodismo e baixa remuneração estão entre os itens que contribuem para esse número alarmante. Eu adiciono aí também a falta de conhecimento de muitos profissionais que, já na faculdade, aprendem mitos sobre o parto normal preferindo fazer cesáreas e desconhecendo a verdadeira assistência a um parto natural.

Entre as desculpas conhecidas por aí para agendar a cesárea, encontramos: circular de cordão, bacia pequena da mãe, pressão alta, diabetes, sofrimento fetal com agendamento para dali a 2 ou mais dias (ué, o bebê não estava em perigo?), pouco líquido, muito líquido.

Além da própria cesárea ser um risco e trazer algumas complicações (das quais falaremos em outro post), no Brasil agendamos a cirurgia para um dia qualquer sem que o bebê tenha dado sinal de que está pronto para nascer. Existe a falsa ideia de que a partir da 37ª semana contada pela data da última menstruação o bebê já não seria mais considerado prematuro. Mas esse cálculo não consegue precisar a idade do feto, já que a concepção pode ter ocorrido em outra data.

O que acontece é que muitos bebês de 38 semanas vão parar na UTI por “desconforto respiratório” e “água no pulmão”. A matéria da Folha também cita um recente estudo da Fiocruz que acompanhou 24 mil gestantes pelo Brasil e 11% dos bebês precisaram de suporte para respirar ao nascer.

A prematuridade está relacionada a 28% das mortes infantis até os sete dias de vida e traz consequências para a criança que podem ser levadas por toda a vida.

Mas como posso saber se meu bebê está pronto para nascer?
A gestante só sabe que seu filho está maduro para nascer ao entrar em trabalho de  parto. Sim, estudos mostram que quando o bebê já está pronto, ele libera hormônios que estimulam a placenta a secretar prostaglandina, responsável por amadurecer o colo do útero.

Por isso, se houver qualquer razão pessoal (e nesse momento tento deixar meu ativismo pelo parto natural de lado), para você optar por fazer uma cesárea, faça-a depois de entrar em trabalho de parto. Infelizmente, muitos médicos nem permitem que isso aconteça já que para eles é melhor ter tudo agendado para não ter que cancelar a agenda do dia para atender uma gestante em tp.

Pense no que é melhor para você e seu filho. Você pode e tem o direito de fazer suas próprias escolhas!

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12/12 2012

Entrevista sobre plano de parto

Por Alessandra | Sem Comentários

Entrevista que dei para a revista Claudia Bebê sobre plano de parto

Entrevista que dei para a revista Claudia Bebê sobre plano de parto

No meio deste ano, fui entrevistada pela revista Claudia Bebê a respeito de como o plano de parto havia sido importante para mim.

A matéria foi recentemente publicada no Bebe.com.br e coloco aqui o link para que você possa dar uma olhada.

O meu eu já publiquei aqui no blog. Ele foi fundamental para que  toda a equipe conhecesse e respeitasse minhas escolhas.  Mas não adianta simplesmente escrever um plano e jogar na mão de qualquer médico. A escolha por uma equipe humanizada e que respeite o seu protagonismo na hora do parto é fundamental.

Aliás, você, que está grávida e quer ter um parto normal, já bateu um papo com seu obstetra sobre suas condutas na hora do parto? No post sobre Motivos para optar por um parto humanizado, escrevi sobre as intervenções comumente usadas pelos médicos tradicionais, mas que são completamente desnecessárias. Elas atrapalham a normal evolução do trabalho de parto (podendo levar, até mesmo, a uma cesárea) e impedem que a  gestante seja a protagonista do processo.

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28/11 2012

A violência obstétrica que eu quase sofri

Por Alessandra | 4 Comentários

Assistir ao documentário Violência Obstétrica – A Voz das Brasileiras, me fez ver o quão perto eu estive de ser uma vítima deste tipo de atendimento tecnocrata e hostil da obstetrícia no Brasil. Ouvir a história daqueles mulheres me fez perceber que, por um muito pouco, eu poderia ter participado do vídeo, com feridas físicas e emocionais, tais como as delas.
Hoje, percebo que, de certa forma, também, estava a ser violentada. Mas consegui mudar o rumo de nossa história. E o antídoto para este veneno chama-se informação.
Minha antiga médica obstetra dizia que só deveríamos conversar sobre o parto no final da gestação. Fugia das perguntas que eu sempre fazia a respeito dele e isso me incomodava demais. Até que um dia, depois de ler muito sobre partos naturais, comecei a cobrar respostas efetivas.
Eu: Você faz episiotomia de rotina?
Ela: Sim, não faço partos sem episio. Do contrário você ganharia sérios problemas de incontinência urinária.

Eu: E eu posso me movimentar durante o trabalho de parto?
Ela: Claro. Pode ficar na bola, na banheira… Mas no expulsivo precisa ficar deitada na cama.

Eu: E se eu não quiser tomar anestesia…
Ela: Sou sua amiga e vou te dar anestesia de qualquer jeito.
Eu: Eu não gostaria de fazer uso de ocitocina durante o parto, pode ser?
Ela: Ela é fundamental para ritmar suas contrações e torná-las efetivas. Vamos usá-la.

Eu: E se minha bebê não nascer até a 40ª semana? Posso esperar até 42?
Ela: Não. O único caso que me aconteceu assim, chegou até 41, mas fiz a mãe assinar um termo de responsabilidade pela vida de seu filho. O que podemos fazer se chegar na 40ª semana é tentar uma indução.

Eu: Mas quanto tempo você espera o trabalho de parto transcorrer sem me levar para uma cesárea?
Ela: No máximo 6 horas de indução. Depois disso se torna muito perigoso para o seu bebê.Puxa, você andou lendo, né?

Sai do consultório arrasada. O parto seria do jeito dela. Já me via deitada na cama, pernas no estribo, sem sentir as contrações, levando um belo corte do períneo e com alguém subindo em minha barriga para fazer manobras de Kristeller. Era exatamente o cenário que eu mais temia (depois da cesárea). Eu precisava encontrar uma saída, tinha certeza que o parto da Gabi seria um evento lindo e não traumático.
Foi neste momento que marquei uma consulta com minha atual médica. E sai de lá suspirando. Ela disse que o parto seria meu, eu tomaria as decisões, ela estaria lá só para me ajudar no que eu precisasse. Nunca mais voltei no outro consultório, ela nem me ligou para saber se eu bem… com certeza, sentiu em meus questionamentos que eu não estava feliz com seu protocolo de atendimento ao parto.

E não pensem que ela fazia dessa forma por causa dos valores do convênio. Apesar de me atender por ele, cobrava o parto por fora (a até hoje não sei o valor porque ela dizia que conversaríamos sobre o valor mais pra frente – quando eu não tivesse mais como voltar atrás???).
Pois bem. Gabi nasceu com quase 42 semanas de gestação. Em um trabalho de parto que durou umas 6 horas… Ou seja, as chances de eu ter parado em uma cesárea desnecessária eram totais. Afinal de contas, se ela induzisse o parto com 40 semanas, possivelmente ele teria durado bem mais de 6 horas.
Além disso, Gabi poderia ter ido direto para a UTI. Sim, porque o trabalho de parto só acontece quando o bebê está pronto para nascer e seu pulmão começa a liberar substâncias que fazem com que a mulher entre em trabalho de parto. Ela poderia ter sido arrancada do meu útero sem estar com seu pulmão completamente maduro. Pela DUM eu estava quase na 42ª semana, mas ela nem sempre está de acordo com a realidade do bebê. Por isso, passar da 40ª é muito normal.
Dá para entender como é sério essa história recorrente de se agendar cesáreas eletivas?

A violência obstétrica que sofri foi apenas através das ameaças por um parto cheio de intervenções. Mas poderia ter se tornado efetiva. Vi isso através da história das mulheres daquele documentário.
E afirmo, com toda a certeza, que a vacina contra esse mal foi a informação de qualidade. E é por ela que tenho lutado. É por ela que este blog existe hoje. É por ela que tenho me especializado a cada dia mais.

Quero levar informação para que outras mulheres tenham a mesma chance que tive de mudarem seus destinos. Quero que outras mulheres tenham o direito a fazerem suas próprias escolhas sem medo das ameaças infundadas dos médicos. Quero ajudar outras mulheres a se emponderarem e fugirem de sofrerem a violência obstétrica.
Esse é um trabalho de formiguinha. Mas estou completamente apaixonada, e não vou desistir.

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25/11 2012

Violência Obstétrica – A Voz das Brasileiras

Por Alessandra | Sem Comentários

Neste 25/11, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, convido você a assistir o documentário: Violência Obstétrica – A Voz das Brasileiras.

24 mulheres participaram  deste vídeo cujo objetivo é colaborar para a construção de um outro modelo de assistência ao parto, mais seguro e amigável às mulheres, que valorize sua autonomia, saúde, bem-estar emocional, e integridade corporal.

Forte, emocionante, verdadeiro… nos faz entender que muita coisa precisa ser feita em nosso país para que as mulheres sejam respeitadas em um dos momentos mais importantes de suas vidas: o parto.

 

 
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=eg0uvonF25M&w=420&h=315]

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16/11 2012

Como cuidar do seu períneo durante a gestação

Por Alessandra | Sem Comentários

Entre tantas coisas que uma gestante precisa se preocupar, o períneo é uma das mais importantes. Mas, infelizmente, muitas vezes, não somos orientadas pelos profissionais a cuidar dele.

O correto seria trabalharmos a musculatura perineal deste nossa primeira ida ao  ginecologista e intensificar seu fortalecimento e melhora da elasticidade durante a gravidez. Não só para a hora do parto normal, mas também para que não fique prejudicado por conta de todo o peso que carregamos  na gestação.

Confira na matéria abaixo – que fiz para o Bebe.com.br   – as diversas formas de preparar seu assoalho pélvico para o parto.

Beijocas,

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18/10 2012

Postagem Coletiva: VIOLÊNCIA NO PARTO – A VOZ DAS BRASILEIRAS

Por Alessandra | Sem Comentários

Vocês se lembram que há alguns meses postei aqui o Teste da Violência Obstétrica?

Foi uma ação de blogagem coletiva, da qual participaram mais de 70 blogs e sites brasileiros e , em pouco mais de 30 dias, foram obtidas 1.966 respostas a respeito de práticas abusivas, desrespeitosas e violentas que centenas de mulheres viveram no nascimento de seus filhos.

Pois bem , agora estamos dando mais um importante passo na luta contra a violência obstétrica. Reproduzo abaixo o texto das idealizadoras do projeto e convido você que se sentiu desrespeitada em algum momento do parto de seus filhos a enviar um vídeo e colaborar com esta preciosa causa:

“No Brasil, as discussões sobre violência no parto e nascimento ainda são incipientes e é preciso criar ferramentas e estratégias para torná-la mais conhecida, mais discutida, mais evidente, de forma que as mulheres brasileiras que passaram por tais situações tenham VOZ, efetivamente. E que, falando sobre o que viveram, ajudem a compor estratégias para evitar/impedir que outras mulheres continuem a ser sistematicamente desrespeitadas.

Assim, começamos agora uma nova ação.

Uma ação que visa tornar audível a VOZ de mulheres que passaram por algum tipo de desrespeito ou violência em seus partos.

É a “Postagem Coletiva: VIOLÊNCIA NO PARTO – A VOZ DAS BRASILEIRAS”.

Nós queremos, a partir de depoimentos individuais, compor um vídeo único, construído pelo depoimento de diferentes mulheres, em diferentes locais do país, a respeito da violência e desrespeito que sofreram no nascimento de seus filhos. Não existe, até o momento, um vídeo brasileiro como esse e acreditamos que sua divulgação poderá promover mais discussão sobre o assunto, em busca da construção de medidas e políticas efetivas no combate à violência no parto.

COMO PARTICIPAR DA POSTAGEM COLETIVA “VIOLÊNCIA NO PARTO: A VOZ DAS BRASILEIRAS”

 

A partir de hoje e até 28 de outubro, publique um post no seu blog ou perfil do Facebook convidando mulheres que tenham se sentido desrespeitadas, maltratadas ou violentadas em seus partos/nascimentos para gravar e nos enviar um pequeno vídeo contando brevemente o que viveram. Você pode fazer isso pela transcrição deste texto na íntegra ou apenas postando/compartilhando a imagem acima, que contém as instruções para o envio dos vídeos.

O vídeo poderá ser gravado de maneira simples, caseira, utilizando apenas uma câmera fotográfica, a web cam do computador ou o próprio celular. O roteiro informado na imagem tem como objetivo facilitar a gravação do depoimento e a edição posterior.

Depois de gravados, deverão ser enviados para o e-mail  videoviolencianoparto@yahoo.com.br

Após o período de envio, iniciaremos a edição do vídeo único, composto por trechos de todos os depoimentos enviados.

 

O vídeo final será apresentado oficialmente no Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, quando as autoras dessa ação apresentarão os dados sobre violência obstétrica coletados por ocasião do teste conduzido neste ano.

 

PRECISAMOS DA SUA AJUDA PARA LEVAR MAIS ADIANTE A LUTA CONTRA A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA!

 

Envie seu depoimento!

Fale sobre o que você viveu!

Divulgue, compartilhe, poste a imagem, envie para seus contatos.

Temos apenas 10 dias para coletar todos os vídeos.

Quanto mais blogs, perfis, sites e portais entrarem nessa postagem coletiva, mais mulheres alcançaremos!

Esperamos contar com toda a rede que tem se formado em torno da defesa dos direitos femininos, inclusive os direitos reprodutivos.

 

Muito obrigada,

 

Bianca Zorzam

Ligia Moreiras Sena (www.cientistaqueviroumae.com.br)

Ana Carolina Franzon (www.partonobrasil.com.br)

Kalu Brum (www.mamiferas.com)”

 

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09/10 2012

Ótimos livros para pais de primeira viagem

Por Alessandra | Sem Comentários

Esta semana escrevi uma matéria para o www.bebe.com.br sobre livros bacanas para pais de primeira viagem.
É uma lista com 15 livros, muitos dos quais já li, e aqueles que ainda não li, pesquisei profundamente para saber se condiziam com aquilo que acredito serem práticas conscientes de maternagem.

Vale a pena dar uma conferida lá:

 

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Escolhi ser Mãe | 2013
Por Alessandra Rebecchi Feitosa - Todos os direitos reservados
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