18/7 2014

Relato de parto – Alessandra – parte 2

Por Alessandra | Sem Comentários

Relato de parto – nascimento da Gabriela
Mãe Alessandra – Pai Rodrigo
Parto Natural Hospitalar

PARTE 2 – LONGOS PRÓDROMOS

Comecei a ter contrações bem cedo. Acho que na 36º semana elas já vinham fortes de vez em quando. Tinha vezes em que eu agachava no trabalho para dar uma aliviada. O povo brincava e tinha medo do bebê nascer por ali mesmo. Eu me alegrava por saber que era apenas meu corpo dando sinais e se preparando. Agradecia a Deus por cada uma delas. Elas seriam o caminho para minha filha nascer, e como eu já havia sonhado com tudo isso!

As contrações também vinham pela noite. Algumas chegavam a me acordar de madrugada. Mas nada de mais. Conversava com minha princesa e dizia o quanto eu estava feliz porque logo ela estaria em meus braços .

Com 39 semanas fui para a cama com várias fisgadas e choques no períneo. O Rô ficou empolgado e deu um beijo de boa noite em Bibi dizendo: “Filha, pode chegar, estamos te esperando”. Resolvi então tentar uma das posições que aprendi. Ajoelhei ao lado da cama, me apoiando nela e rebolei um pouquinho. A dor foi passando e enfim consegui deitar novamente. Mas fiquei acordada para ver se vinha outra. Pensei: “Será que chegou a hora? Se tiver outra em um intervalo pequeno vou acordar o Rô.” Mas não teve e cai no sono novamente.

Já com quase 40 semanas cheguei a acordar umas 10 vezes com contrações em uma noite. Elas não tinham um ritmo certo, mas não me deixaram dormir direito. Pela manhã tive consulta com a Andrea. Ela disse que Bibi estava encaixada e minha barriga bastante baixa. Fez exame de toque, sentiu um dedo de dilatação e o colo do útero bem molinho. Ela também confirmou que os pedacinhos brancos que estavam saindo de mim eram o meu tampão. E me avisou que ele poderia começar a sair com um pouco de sangue. Andrea também me orientou a dormir e descansar durante o dia: “Você não tem dormido durante a noite e precisará de energia para passar pelo TP.” Mas estava tão empolgada com essas boas notícias que saía pela casa dançando: “Bibi vai chegar! Bibi vai chegar!”

No dia 16/08/09, completamos 40 semanas de gestação. Eu estava supertranquila, mas bastante cansada de ouvir perguntarem quando ela iria nascer. A resposta era certa: “Quando ela estiver pronta.” Mas confesso que, algumas vezes isso me irritava. Ouvi todos os absurdos possíveis. Homens falando de com o a mulher poderia ficar mutilada por conta do parto vaginal – a velha falácia machista de acabar com o “parque de diversões do marido”. Mulheres que se defendiam (como se eu estivesse insultando alguém por buscar um parto natural) com os argumentos para suas cesáreas e possíveis complicações do PN que tinham ouvido a prima do marido da vizinha da vó da cunhada falar . Outros que falavam sobre o quanto “aparecida” eu queria ser por escolher algo tão diferente (como assim? Não foi Deus que nos fez para parir naturalmente? Diferente eu?). Alguns duvidavam do meu bom senso e questionavam a todo momento sobre a saúde da minha princesa. E também tinha aqueles que adoram contar a história da desgraça de alguém… coisas que toda grávida deveria ser poupada de ouvir, né?

Neste mesmo período, a Dra Andréa me deu um tempo de licença. Apesar de nossa saúde estar ótima (tirando uma dor bem chata no ciático), pelas ultrassonografias, Gabi estava um pouco menor do que o normal para a idade gestacional. Ela nos tranquilizou, poderia ser um erro do ultrassom, poderia ser um erro de DPP ou até mesmo, simplesmente, o fato da Gabriela ser menorzinha (o que se confirmou com seu nascimento e desenvolvimento posterior, até porque eu e o Rô não somos grandes). Mas ter um tempo de descanso seria muito bom.

O Rô tinha duas semanas de folga pendentes e iria tirá-las quando a Gabriela nascesse. Mas ele já estava no clima do parto e decidiu sair antes para ficar comigo nesses momentos que antecederam a chegada da Gabi.

Na nossa consulta da 40ª semana as notícias eram animadoras: colo do útero molinho, Gabi encaixadíssima e 4 centímetros de dilatação! Uhuuuuuu! Comemorei muito: se o bebê nasce com 10 centímetros de dilatação já estávamos quase na metade do caminho, que delícia aquela sensação! Como tudo estava progredindo, a Dra Andrea aproveitou para fazer uma massagem no colo do útero com óleo de prímula para ajudar no processo. Trata-se de um descolamento de membranas que foi feito com meu consentimento. E isso doeu um bocado. O Rô segurou a minha mão e eu suava frio… E o mais legal: eu estava sorrindo! Eu já havia ouvido falar nisso, e a Dra Andrea reforçou: “A boca tem uma ligação com o canal de parto. Durante a dor não deixe os lábios travados. Sorria ou abra a boca.” Resolvi sorrir… comédia pura!

A expectativa era que Gabriela nascesse até o final daquela semana. Eu sentia o meu corpo bastante diferente naqueles dias e me lembrava de cada relato de parto natural que havia lido nos últimos meses. Mexia demais comigo pensar que estava passando pelos mesmos passos que todas aquelas mulheres haviam passado. Sempre chorei ao ler estes relatos, agora, chorava de emoção ao pensar no meu parto. Sentia Deus no controle cuidando de cada detalhe, preparando todas as coisas. Não tinha medo nenhum, não me sentia nervosa. Tinho a paz que excede todo o entendimento preenchendo o meu coração (Filipenses 4:7).

Completamos 41 semanas e, na consulta com a Dra Andrea, repetimos a massagem no colo do útero. Ela me orientou a procurar uma acupunturista, pois ela poderia me ajudar a entrar em TP. Fiz 2 ou 3 sessões com ela e tomei um chá horrível demais que ela me receitou. Minha querida doula Camila também foi em casa, fez acupuntura e me deu dois florais para eu tomar.

Por termos passado de 40 semanas, comecei a fazer ultrassonografias com mais frequência. Também cheguei a fazer umas duas cardiotocos. A cada novo exame passava por um grande estresse. Médicos questionando o fato de ainda não ter feito uma cesárea, perguntas sem sentido, olhares indiscretos. As enfermeiras da clínica se apavoravam ao saberem da minha idade gestacional. Durante um cardiotoco fui rude com uma delas, mas ela insistia no fato de que a Gabriela não mexia o suficiente e ameaçou buzinar em minha barriga. Discuti, disse que não queria. Ela refez o exame e voltou na sala dizendo que teria mesmo que buzinar a Gabriela. Eu bati o pé. E, no final, o Rô me pediu para que eu a deixasse fazer aquilo para que ele ficasse mais tranquilo. Ela buzinou, imediatamente lágrimas rolaram do meu rosto, minha bebê se mexeu, provavelmente foi acordada no susto e eu pedi perdão a ela por tê-la feito passar por isso.

A essa altura as cobranças e pressões familiares se tornaram mais pesadas. Sou daquele terrível tipo de pessoa que tenta não machucar ninguém e agradar a todos e tentava responder com carinho. Mas algo em mim estava mudando, era um senso de proteção muito forte pela minha filha. Já não me importava tanto dizia que aqueles questionamentos não me faziam bem e que eu sabia exatamente o que estava fazendo. As brincadeirinhas sobre o parto já me irritavam e eu me protegia nos braços do Rodrigo.

Às vésperas de completarmos 42 semanas voltamos na Dra Andrea. Ela nos tranquilizou e nos deixou muito à vontade. Poderíamos esperar mais alguns dias (os sinais vitais da Gabi estavam perfeitos, líquido amniótico ótimo, placenta nota 10) ou então irmos para a maternidade e começar a tomar uma quantidade mínima de ocitocina para o trabalho de parto engrenar. Eu queria esperar, mas foi então que o Rodrigo desabafou. Ele queria continuar a me acompanhar nas minhas escolhas, mas estava angustiado e disse que não aguentava mais esperar. Ele sempre ouviu que foi salvo pelo médico em uma cesariana porque ele não queria nascia nunca e creio que isso, de alguma forma, continuava a assustá-lo. Então fizemos um acordo, se eu não entrasse em TP até sexta-feira iríamos para a maternidade, era quarta-feira e achei razoável.

Hoje vejo como esses medos de nossas próprias histórias de nascimento voltam, de alguma forma, quando vamos parir nossos filhos. O Rodrigo com a história da cesariana salvadora. Eu com tudo o que ouvi da minha mãe sobre não ter tido dilatação, não ter entrado em TP e isso ser comum em nossa família.

Continua…

Tags: , , , , ,
18/7 2014

Relato de parto – Alessandra – parte 1

Por Alessandra | Sem Comentários

Depois de quase 5 anos, pari meu relato de parto. Demorou e ficou enorme, por isso, o publicarei em 3 partes. Espero que ajude a empoderar mulheres tal qual os relatos que li durante a gestação fizeram comigo.

Relato de parto – nascimento da Gabriela
Mãe Alessandra – Pai Rodrigo
Parto Natural Hospitalar

Meu parceiro na caminhada por um parto respeitoso

Meu parceiro para a conquista de um parto respeitoso


PARTE 1 – CAMINHANDO PARA O PARTO NATURAL

Lá estava eu, dentro da sala de parto. As contrações já estavam fortes e, assim que cheguei na maternidade, fui imediatamente direcionada para ela. Olhava para os lados e procurava pelo Rodrigo. Não o encontrei, ele ainda estava na recepção fazendo minha internação. Olhei novamente ao redor e, dessa vez, procurei por minha médica. Ela também não havia chegado ainda. Comigo estavam apenas o médico da maternidade e dois enfermeiros, totalmente desconhecidos.
Mas eu não poderia esperar mais. Meu corpo começou a agir sozinho. Senti uma força muito grande, eram os puxos que ele fazia a cada contração para meu bebê nascer. Eu só tinha que me deixar levar e fazer aquilo que meus hormônios me conduziam a fazer. Já estava no período expulsivo. Quando, de repente, acordei.

Era apenas um sonho. Mas um sonho empoderador. As dores, as contrações, tudo foi muito real. Antes de engravidar havia lido um relato de parto natural e me apaixonado pela ideia. Mas o fato é que com o início da gravidez me empolguei com todo o mundo novo que eu estava vivendo e acabei deixando a questão do parto um pouco de lado. Até porque eu estava fazendo o pré-natal com a médica que eu gostava. Ela era muito querida e eu sentia que poderia confiar totalmente em suas decisões. Mas aquele sonho me despertou para uma questão: eu estava pronta para ter um parto normal. Contra todas as estatísticas e histórias de amigas que desejaram um parto normal e acabaram em cesárea, eu sabia que conseguiria parir minha filha. O sonho reacendeu a chama em meu coração por um parto normal, senti que era Deus falando comigo. Contei o sonho ao Rodrigo e ele se animou.

Eu já deveria estar no 4º mês de gestação. E quis deixar bem claro para minha obstetra minha intenção. Eu queria muito um parto normal. Ela disse que também preferia assim e disse que, no momento, não havia nada que me impedisse de tê-lo. Contou sobre próprio seu parto. Normal e cheio de intervenções. E afirmou: “Te darei anestesia, afinal de contas, sou sua amiga.” Sai da consulta confiante. Nesta etapa eu já fazia diariamente exercícios para o períneo, pois havia lido sobre seus benefícios em um parto normal.

Toda a vez que me perguntavam: “Você quer fazer cesárea ou parto normal?” Eu respondia cheia de entusiasmo: “Parto normal”. Mas, invariavelmente, aparecia alguém para dizer: “Mas tem que esperar para saber se vai dar. Não é assim não.” Sempre que ouvia isso, meu coração ficava muito angustiado e eu orava a Deus. “Senhor, o Senhor me fez perfeita, pronta para parir minha filha. Não permita que nenhuma situação me impeça de realizar este sonho.”

Após uma das minhas aulas de natação, decidi tomar café da manhã no restaurante da empresa. Fui até o caixa e a funcionária, também grávida, estava ouvindo a editora de um portal da empresa contar sobre sua experiência com o parto natural. Fiquei ouvindo, ela percebeu meu interesse e me convidou para sentar-me com ela. Durante todo o café ela descreveu como havia sido o nascimento do seu filho. A cada palavra eu me emocionava mais. Lágrimas brotavam em meus olhos. Ao me perguntar se minha médica fazia parto natural, eu respondi que sim. Mas ao saber quem era minha obstetra, ela se colocou à disposição para dar o contato de sua médica, pois sabia que não se tratava de nenhum dos conhecidos médicos humanizados que prezam pelo parto natural. Também falou da lista materna e disse que eu deveria ler mais sobre o assunto.

Aquela conversa me deixou completamente entusiasmada. Desejei, com todo o meu coração, ter um parto natural. Sem intervenções. Humanizado para mim, meu marido e minha bebê. Passei horas na internet lendo sobre o assunto. Os relatos de parto sempre me faziam chorar, eu também queria aquela avalanche de emoções na história da minha família. Fiz minha inscrição na lista Materna e perguntei para a Ana Cris se ela conhecia a minha atual obstetra. Ela foi clara: 80% de cesáreas.

Conversei com o Rodrigo e mostrei minha insegurança. Disse que na próxima consulta falaria de qualquer jeito sobre o parto. A médica costumava me enrolar quando eu tocava no assunto dizendo que ainda era cedo. Mas agora, com 32 semanas de gestação, ela teria que mudar o discurso.

Percebi que a obstetra não havia ficado feliz com a quantidade de perguntas que eu fazia sobre o parto: “Você andou lendo, né?” Perguntou ela. Logo vi que ela não queria que eu soubesse detalhes do parto. Para ela, aquilo era assunto apenas dela. Então insisti no assunto:
Eu – “Doutora, você faz episiotomia de rotina?”
Médica – “Mas é claro.”
Eu – “E se eu não quiser?”
Médica – “Você vai querer . As estatísticas provam que, se não for feita, sua chance de sofrer mais tarde de ´bexiga caída` será muito grande.”
Eu – “E tricotomia?”
Médica – “Sempre fazemos na maternidade.”
Eu – “E faz uso rotineiro de ocitocina intravenosa?”
Médica – “Com certeza, preciso te ajudar a ter contrações eficientes. Aliás espero, no máximo, 6 horas. Se não dilatar tudo, vamos para a sala de cirurgia.”
Eu – “Mas nós vamos esperar eu entrar em trabalho de parto naturalmente?”
Médico – “Não deixo passar de 40 semanas. Se não entrar em TP até lá, posso até tentar induzir.”
Eu – “Posso andar durante o trabalho de parto?”
Médica – “Pode ficar na bola, um pouco na banheira. Mas terá que ir para a cama para ficar na posição do parto.”
Eu – “Bom, eu posso, pelo menos, optar por não tomar anestesia?”
Médica – “Não, não vou deixá-la passar por isso sem uma.”
Eu – “E a senhora faz aquela limpeza chata do intestino?”
Médica – “Não, isso eu não faço não.”
Eu – “Ufa, pelo menos isso né, doutora? Também estou pensando em levar um pediatra neonatal para ter os primeiros cuidados com o bebê.”
Médica – “Melhor não. Melhor usar o da maternidade para não termos confusão de equipes.”

Depois de todas essas respostas fiquei completamente confusa. Aquela médica querida já não correspondia às minhas expectativas para o parto. Creio que eu também não me encaixava mais no perfil de paciente que ela costumava atender. Eu fiz perguntas demais. Ela sentiu a tensão. Nosso relacionamento médico-paciente parecia ter sido abalado. Eu já não era mais tão paciente assim.

Eu precisava ter ao meu lado uma médica que respeitasse minhas escolhas pelo parto natural. Eu conhecia todos os benefícios de um parto com o mínimo de intervenções possível. Decidi, então, ligar para médica da minha colega e agendar uma consulta, eu precisava entender porque ela era diferente.

A sala de atendimento já era diferente por si só. Cama baixinha, banquinho do lado, nada de lugar para pendurar as pernas. A médica, bastante jovem, nos tratou com respeito e simpatia. Ok, isso a outra médica também fazia. Mas a Dra. Andréa, tinha mais do que isso, ela sabia ouvir e não tinha respostas prontas para tudo. Muito do que eu perguntava, cabia a mim decidir depois de todas as alternativas e explicações apresentadas. Fui invadida por uma paz deliciosa, a certeza de que estava no lugar certo e de que, apesar de já estar no terceiro trimestre, ainda dava tempo de conquistar um PN. Até a hora que ela me passou os valores da equipe médica. Confesso que fiquei assustada, mas era um assunto a discutir com o Rodrigo.

Essa é uma grande questão no meio do parto humanizado. Mas não tem jeito. Se você ficar com seu médico do convênio ele vai te levar para uma cesárea por um motivo qualquer, já que o valor que ele receberá será pouco para te acompanhar tranquilamente durante todo o seu trabalho de parto. Algumas mulheres que realmente não têm condições de pagar procuram as Casas de Parto, outras contratam uma doula para aguentar o TP em casa e ir para a maternidade com médico plantonista já no expulsivo… Mas você também pode bater um papo com a equipe e verificar possibilidades de pagamento parcelado. Mas já vi muita mulher fazer enxoval em Miami e reclamar do valor do médico humanizado particular. É tudo questão de prioridade, dar uma economizada de um lado para consegui algo que lhe é mais precioso.

Conversamos, ponderamos e fiquei feliz demais por optarmos por trocar de GO. Não, não tínhamos aquele dinheiro. Precisaríamos abrir mão de algumas coisas, economizar em outras, mas faríamos tudo para trazer nossa Gabi ao um mundo de forma respeitosa.

Pensei em voltar na antiga e me despedir. Mas não sobrou tempo na minha agenda. Ela nunca me ligou para perguntar por que simplesmente sumi. Acho que ela já sabia que isso iria acontecer.

Logo começaram os questionamentos familiares sobre a mudança de médico. Sobre os motivos, sobre a escolha do parto natural, sobre o porquê de se pagar por algo que você pode fazer pelo convênio. Mas eu estava tão certa do caminho escolhido e tão cheia de argumentos que respondia a tudo cordialmente. Até demais, hoje eu penso… rs

E, então, comecei a minha busca por uma doula. Queria que ela fosse uma pessoa que me passasse tranquilidade e confiança já que era tudo novo para mim. E foi através da lista de discussão Materna que conheci a Camila. Ela é naturóloga, especializada em massagens. Nossa empatia foi instantânea!

Continua…

Tags: , , , ,
27/8 2013

Relato de parto natural – Leticia Alonso Schaefer

Por Alessandra | Sem Comentários

 

Relato de parto natural

Letícia e Miguel: Ela se informou e conseguiu ter um lindo parto natural

Tenho 18 anos, engravidei aos 17…
No início, fiquei assustada..Mas comecei a aceitar, de que o bebê não tinha nada com a minha irresponsabilidade e que eu teria que arcar com as consequências. Comecei à ir a igreja e percebi que ser mãe é uma benção que Deus tinha me dado e que mudaria radicalmente a minha vida, pra melhor!
Conheci a doula Alessandra Rebecchi Feitosa, que me orientou durante a gravidez. Comecei a ter muito interesse pelo assunto e comecei a pesquisar tudo sobre parto, gravidez, como está o desenvolvimento do meu bebê semana a semana. Eu comemorava: ”Essa semana meu bebê já tem cabelinhos…” E toda semana era uma coisa nova.. Sempre pesquisando cada vez mais, vendo vídeos.
Comecei a me interessar muito em ter um parto natural, mas meu medo era maior. Pensei: eu não vou aguentar as dores. Como fiz meu pré-natal pelo SUS eu não tinha muitas opções a não ser o parto normal. Pelo SUS, eles fazem cesariana em caso de emergência ou gravidez de risco, o que não era o meu caso. Então comecei a me acostumar com a ideia, mas ainda com muito medo da dor. Comecei a pesquisar quais hospitais davam anestesia e todos os métodos possíveis pra acabar com minha dor. Mas, no finalzinho da gravidez, comecei a aceitar que o SUS não dá anestesia e que muitas mulheres já passaram por isso. Que, talvez, isso fosse pra me mostrar o quanto eu sou forte e já ter uma sintonia com meu bebê. Decidi ir para o Amparo Maternal, onde as médicas são maravilhosas, nos tratam muito bem. Mas, mesmo assim, usam ocitocina. Com 37 semanas+4 dias, sábado a noite, às 23h48, comecei a sentir umas cólicas chatas,  mas nada demais. Em seguida, uma vontade de louca de ir ao banheiro. Parecia que eu estava com dor de barriga. Fiquei cerca de 40 minutos no banheiro e a dor de barriga não passava. Pelo que tinha lido, diarreia era um dos sintomas que estaria próximo o parto. Mas não me desesperei, a ansiedade era demais a gravidez inteira, mas na data eu estava calma… Acordei meu marido com calma e disse: acho que estou tendo contrações. Elas vinham de 4 em 4 minutos, ai fui pro banho.. Fiquei lá cerca de meia hora… quando sai do banho já estavam vindo de 2 em 2 minutos.. Mas não estava aquela dor absurda.. Eu ainda conseguia conversar nos intervalos das contrações, porém, queria ficar quietinha. Enrolei um pouco pra ir pro hospital pois não queria que eles me mandassem pra casa, eu queria ter certeza de que eu já ficaria lá e sairia com meu bebê!!! Cheguei na maternidade à 1h40, me examinaram eu estava com 8cm de dilatação… Eu disse pra médica que não queria tomar ocitocina, que não seria necessário, e ela perguntou: “mas porque você não quer?” Eu disse que recebi acompanhamento de doula  e não achava necessário.
Fui pra sala de pré parto e fiquei lá durante alguns minutos, que não faço ideia de quantos foram pois perdemos a noção do tempo nessas horas, rs. Uma enfermeira me disse: “você que não quer ocitocina né?” Eu respondi: “sim, eu não acho necessário”. Ele me respondeu:  “ah, mas no final sempre acabam dando”. Falei: “mas eu disse que não quero.”
Ai ele perguntou:”Sua bolsa já estourou?” Eu disse que não.. Cerca de 2 minutos depois ele voltou porque iria estourar minha bolsa mas ela estourou sozinha.
Fui pra sala de parto. Empurrei 2 vezes, não senti ”círculo de fogo”, nem coroamento. Eu só sentia muita vontade de empurrar. Empurrei e ele veio pra mim.. Foi muito rápido. O meu bebê veio direto pra mim, o que era o meu maior desejo depois do parto: gostaria que ele nascesse e viesse direto aos meus braços e foi isso que aconteceu. Ele veio, ficou comigo e foi a melhor sensação do mundo. Qualquer dor que eu havia sentido acabou ali pois a felicidade era tanta…
Meu marido cortou o cordão umbilical e ficamos ali com nosso bebê, eles não nos apressaram.
Quando levaram o Miguel eu perguntei: “meu períneo está integro?” Ela disse: “Está!! E sem ocitocina, que bom que se informou! Eu não gosto de fazer parto sem a ocitocina, mas gostei do seu parto, parabéns!”
Foi maravilhoso, não levei pontos, não fizeram episiotomia, não tomei a ocitocina. Foi ótimo! Meu parto foi maravilhoso, e rápido. Miguel nasceu às 3h20, muito rápido pra ser o primeiro parto. Fui muito abençoada. Mas se eu pudesse voltar no tempo, eu mudaria, eu faria numa casa de parto, dentro de uma banheira, totalmente fora do ambiente hospitalar.. Pois meu parto seria muito mais lindo!!!
Quero passar, através dessa mensagem, para as mulheres que tem medo da dor do parto normal, mas querem ter um parto humanizado, encorajamento. Pois nós somos capazes disso, não tenham medo, pois eu daria tudo pra ter meu bebê na banheira se soubesse que a dor não era tanta como pensei que fosse e que eu era capaz de passar por isso sem nenhuma intervenção e trazer meu bebê ao mundo! Quero agradecer à minha doula maravilhosa, que me informou, e me acompanhou a gravidez toda, tirando todas as minhas dúvidas e me encorajando!! Meu próximo parto, com total certeza, será do jeito que eu sonhei, rs, sem medo algum! Boa sorte mamães!!

Letícia Alonso Schaefer

Tags: , , , ,
Escolhi ser Mãe | 2013
Por Alessandra Rebecchi Feitosa - Todos os direitos reservados
Desenvolvido por Estúdio Jabuticaba em Wordpress